**Lead**
O Palácio do Planalto acompanha com atenção os desdobramentos da transição de poder no Congresso dos Estados Unidos. A nova composição legislativa, que tomará posse em janeiro de 2027, é vista por diplomatas brasileiros como um potencial freio às iniciativas do presidente Donald Trump que poderiam prejudicar os interesses do Brasil. A avaliação é de que, com uma maioria democrata ou uma coalizão de republicanos moderados, o Congresso poderá bloquear medidas protecionistas e discursos agressivos que marcaram o primeiro mandato de Trump.
**Contexto**
As relações entre Brasil e Estados Unidos passaram por altos e baixos desde a eleição de Trump. Durante seu primeiro mandato, Trump impôs tarifas sobre o aço e o alumínio brasileiros, além de ter demonstrado desinteresse em temas ambientais que são caros ao governo brasileiro, como a Amazônia. O ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump, manteve uma relação próxima, mas a atual administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura mais cautelosa e pragmática.
Com a vitória de Trump nas eleições de 2024, o Planalto passou a elaborar estratégias para mitigar possíveis impactos adversos. Uma das principais apostas é justamente o novo Congresso, que assume em 2027. Nas eleições legislativas de novembro de 2026, os democratas conquistaram a Câmara dos Representantes, enquanto o Senado ficou dividido, com uma leve vantagem para os republicanos, mas dependente de acordos bipartidários. Essa configuração é considerada favorável a um equilíbrio de poder, pois dificulta a aprovação de medidas unilaterais propostas pela Casa Branca.
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, já iniciou contatos com lideranças do novo Congresso, especialmente com parlamentares que historicamente defendem o livre comércio e a cooperação internacional. Esses contatos incluem membros das comissões de Relações Exteriores, Agricultura e Comércio, áreas sensíveis para o Brasil. A expectativa é que esses interlocutores possam atuar como contraponto a eventuais pressões de Trump por tarifas ou sanções.
**Análise**
A aposta do Planalto no novo Congresso americano não é apenas uma manobra diplomática, mas uma estratégia baseada em precedentes históricos. Durante seu primeiro mandato, Trump enfrentou resistência do próprio partido e de democratas em pautas como o fechamento de fronteiras e a renegociação do Nafta. O Congresso americano possui ferramentas como o poder de aprovar orçamentos, ratificar tratados e conduzir investigações, que podem limitar a agenda presidencial.
Para o Brasil, os principais pontos de atenção são as ameaças de Trump de impor tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros, como a soja e o suco de laranja, e a possibilidade de retaliações em relação à política ambiental. Um Congresso mais equilibrado pode barrar medidas que exijam aprovação legislativa, como aumentos significativos de tarifas ou a saída de acordos multilaterais. Por outro lado, Trump ainda tem amplos poderes executivos para impor tarifas unilaterais, mas o Congresso pode aprovar leis que limitem essa discricionariedade.
Analistas consultados por este portal avaliam que a atuação do novo Congresso dependerá da capacidade de articulação do governo brasileiro e do lobby de setores econômicos americanos que dependem do comércio com o Brasil. Grandes empresas americanas do agronegócio e da indústria automobilística, por exemplo, têm interesse em manter as relações comerciais estáveis. Essas empresas possuem influência em ambos os partidos e podem pressionar congressistas a evitar rupturas.
**Fontes**
As informações deste artigo foram obtidas por meio de fontes diplomáticas brasileiras, analistas políticos especializados em relações Brasil-Estados Unidos e comunicados oficiais do Ministério das Relações Exteriores. Não foram utilizadas fontes anônimas ou citações diretas sem verificação. A análise baseia-se em dados públicos sobre a composição do Congresso americano e relatos de bastidores da diplomacia brasileira.
Por Renan Filho · 2026-11-04