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PL capta maior volume financeiro, mas PT vence em número de doadores: quem financia a política brasileira em 2026?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Dados parciais da prestação de contas eleitorais revelam que o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu o maior montante em doações privadas para a corrida presidencial de 2026. Já o PT, do presidente Lula, lidera em quantidade de doadores individuais, indicando capilaridade na base de apoio. A FORTIS NEWS analisa os números e o que eles dizem sobre o financiamento da política nacional.

Dados parciais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidados até a última segunda-feira, 22 de setembro, mostram um cenário revelador sobre o financiamento privado das campanhas presidenciais no Brasil. O Partido Liberal (PL) lidera com folga em valor total arrecadado de pessoas físicas e jurídicas, somando R$ 87,3 milhões, enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT) aparece com R$ 41,2 milhões. No entanto, quando o recorte é o número de doadores individuais, o PT inverte a posição: são 23.412 contribuintes pessoas físicas, contra 8.907 do PL.

Os números indicam estratégias de financiamento distintas. O PL concentra suas doações em grandes valores, com forte presença de empresários do agronegócio, setor financeiro e indústria. O PT, por sua vez, aposta em uma rede de pequenos doadores, com contribuições médias de R$ 1.759,00. Esse padrão não é novo: em 2022, o PT já havia superado o PL em doações de pessoas físicas, mas perdia em valor total quando incluídas as doações de pessoas jurídicas — modalidade que foi proibida pelo STF em 2015, mas que ainda gera efeitos residuais em fundos partidários.

Por que isso importa? Porque revela a base social de cada projeto político. O PL, alinhado a pautas de liberalismo econômico e conservadorismo nos costumes, atrai o capital produtivo que busca garantias de segurança jurídica e menos intervenção estatal. Já o PT, com seu discurso de justiça social e combate à desigualdade, mobiliza uma base de doadores que não depende de grandes fortunas, mas sim de sindicatos, movimentos sociais e simpatizantes de classe média. A FORTIS NEWS não vê problema em nenhuma das duas estratégias: o livre mercado de ideias e de recursos é legítimo. O que nos preocupa é a transparência.

Análise FORTIS: Dados oficiais mostram que, apesar da retórica anti-oligarquia, o PT também depende de doações de grandes empresas estatais e de fundos de pensão — indiretamente, via caixa único do partido. Em 2025, o PT recebeu R$ 12 milhões de fundos ligados a sindicatos de estatais, como a Petrobras e o Banco do Brasil. Não há ilegalidade, mas há um evidente conflito de interesses: o mesmo partido que critica o “capital especulativo” usa dinheiro de empresas controladas pelo Estado para se financiar. O PL, por outro lado, recebeu R$ 5 milhões de empresas do agronegócio que, em 2023, foram beneficiadas por medidas provisórias do governo Lula — ou seja, o liberalismo na prática é menos ideológico do que o discurso sugere.

Contraponto: É preciso lembrar que o financiamento privado de campanhas é um tema controverso. Críticos apontam que doações de grandes empresas geram “captura do Estado” por interesses privados. A FORTIS NEWS reconhece o risco, mas defende que a proibição total de doações empresariais, como ocorreu no Brasil, apenas deslocou o dinheiro para o caixa dois e para o fundo eleitoral — que é pago com impostos de todos os cidadãos. Em 2024, o fundo eleitoral foi de R$ 4,9 bilhões, dinheiro que sai do bolso do contribuinte sem que ele tenha escolha. Doações privadas, com transparência total, são mais eficientes e menos custosas ao erário.

Os dados do TSE também mostram que o terceiro colocado em doações privadas é o União Brasil, com R$ 22,1 milhões, seguido pelo PSDB, com R$ 9,4 milhões. O Novo, partido liberal clássico, aparece com R$ 4,2 milhões, mas com o maior valor médio por doador: R$ 18.300,00. Isso indica uma base de apoiadores de alta renda, mas numericamente pequena — 229 doadores. A esquerda radical, representada pelo PSOL e pela Rede, somam juntos R$ 3,8 milhões, com 4.112 doadores.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.