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A Comissão de Esporte da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira o parecer favorável ao Projeto de Lei que estabelece a escala de trabalho 6x1 para atletas, treinadores e demais profissionais do setor esportivo no Brasil. A proposta, que tramita em regime de urgência, conta com o apoio declarado de partidos de direita e centro-direita, que formam a maioria na Casa. A expectativa é que o texto vá a plenário ainda neste mês, com alta probabilidade de aprovação.
**Contexto**
O projeto de lei em questão, de autoria de parlamentares ligados à bancada ruralista e evangélica, propõe uma jornada de seis dias consecutivos de trabalho seguidos de um dia de descanso para todos os profissionais que atuam diretamente na preparação, execução e suporte de atividades esportivas. A medida abrange desde atletas de alto rendimento até técnicos, preparadores físicos, fisioterapeutas e auxiliares de clubes e federações.
A discussão ganhou força após o relatório de uma comissão especial que analisou as condições de trabalho no esporte brasileiro. O documento apontou que a maioria dos clubes de futebol, basquete e vôlei já adota informalmente uma rotina de seis dias de treinos e jogos, com apenas um dia de folga semanal. A formalização da escala 6x1, segundo os defensores, traria segurança jurídica para empregadores e empregados, além de padronizar direitos trabalhistas como horas extras, adicional noturno e descanso remunerado.
A bancada da direita, que reúne partidos como PL, PP, Republicanos e União Brasil, viu no projeto uma oportunidade de demonstrar apoio ao setor esportivo sem aumentar gastos públicos. Líderes partidários afirmaram que a medida é “moderna e alinhada às práticas internacionais”, citando exemplos de ligas nos Estados Unidos e na Europa onde a carga horária intensiva é compensada por períodos de folga mais longos durante a temporada.
**Análise**
A aprovação da escala 6x1 no esporte representa uma mudança significativa na relação trabalhista de uma categoria que historicamente operou em regime de exceção. Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não prevê um modelo específico para atletas, o que gera insegurança jurídica e disputas na Justiça do Trabalho. Com a nova lei, clubes e federações poderão planejar calendários com maior previsibilidade, enquanto os profissionais terão direitos claros sobre limite de horas trabalhadas, intervalos e remuneração de horas extras.
Especialistas em direito desportivo apontam que a medida pode ter impacto direto na saúde dos atletas. A escala 6x1, se não acompanhada de períodos de recuperação adequados, pode aumentar o risco de lesões por overtraining e esgotamento físico e mental. No entanto, os defensores do projeto argumentam que a regulamentação permitirá que os sindicatos negociem acordos coletivos com cláusulas específicas de descanso, algo que hoje é feito de forma fragmentada.
Do ponto de vista político, a movimentação da direita em torno do tema reforça a estratégia de ocupar pautas ligadas ao esporte, tradicionalmente associadas a valores de disciplina, meritocracia e patriotismo. A bancada evangélica, em particular, vê no esporte uma ferramenta de inclusão social e formação de caráter, e apoia a medida como forma de fortalecer clubes comunitários e projetos sociais.
**Fontes**
As informações foram obtidas junto a fontes parlamentares da Comissão de Esporte da Câmara dos Deputados, relatórios oficiais da comissão especial que analisou as condições de trabalho no esporte brasileiro, e declarações públicas de líderes partidários registradas em notas oficiais e entrevistas à imprensa. Dados sobre a informalidade da escala 6x1 em clubes foram extraídos de estudos acadêmicos e reportagens veiculadas por veículos de comunicação especializados em direito desportivo.
Por Renan Filho · 2026-10-13