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Economia

PIB da Zona do Euro cresce 0,4% no 3º trimestre e sinaliza alívio para exportações brasileiras

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-30

A economia da Zona do Euro registrou expansão de 0,4% no terceiro trimestre de 2026, superando expectativas. O resultado, impulsionado por Alemanha e França, pode beneficiar o Brasil ao aquecer a demanda por commodities e produtos manufaturados nacionais.

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A economia da Zona do Euro cresceu 0,4% no terceiro trimestre de 2026 em comparação com o trimestre anterior, segundo dados preliminares divulgados nesta quinta-feira pelo Eurostat, o escritório de estatísticas da União Europeia. O resultado superou as projeções de analistas, que esperavam alta de 0,2%, e representa uma aceleração em relação ao crescimento de 0,3% registrado no segundo trimestre. Para o Brasil, o dado é um sinal positivo, já que a Zona do Euro é um dos principais destinos das exportações brasileiras, especialmente de commodities agrícolas, minério de ferro e produtos semimanufaturados.

**Contexto**

O desempenho do bloco europeu foi puxado principalmente pela Alemanha, maior economia da região, que registrou expansão de 0,3% no período, após dois trimestres de contração. A França, segunda maior economia, cresceu 0,4%, impulsionada pelo consumo das famílias e pelos investimentos públicos. Itália e Espanha também contribuíram, com altas de 0,2% e 0,5%, respectivamente. Entre os setores, os serviços continuaram sendo o principal motor, enquanto a indústria manufatureira mostrou sinais de recuperação, com a produção industrial subindo 0,6% em agosto, o maior avanço em seis meses.

Apesar do crescimento, a Zona do Euro ainda enfrenta desafios estruturais. A inflação ao consumidor caiu para 2,1% em setembro, aproximando-se da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE), mas os núcleos de inflação — que excluem itens voláteis como energia e alimentos — permanecem elevados, em 2,7%. O BCE manteve a taxa básica de juros em 3,75% na reunião de outubro, sinalizando que novos cortes dependerão de dados concretos de desaceleração inflacionária. O mercado de trabalho, por outro lado, continua apertado, com a taxa de desemprego em 6,4%, o menor nível desde o início da série histórica, em 1998.

Para o Brasil, a relação comercial com a Zona do Euro é estratégica. Em 2025, o bloco foi o segundo maior parceiro comercial do país, atrás apenas da China, com um fluxo de comércio bilateral de aproximadamente US$ 85 bilhões. As exportações brasileiras para a região somaram US$ 48 bilhões no ano passado, com destaque para soja, café, celulose, minério de ferro e carne bovina. A recuperação econômica europeia tende a elevar a demanda por esses produtos, beneficiando diretamente setores como agronegócio, mineração e papel e celulose.

**Análise**

O crescimento de 0,4% do PIB europeu no terceiro trimestre é um alívio para as economias emergentes, especialmente o Brasil, que depende da demanda externa para sustentar seu próprio crescimento. Com a economia brasileira projetada para crescer 2,8% em 2026, segundo o Banco Central, a aceleração na Zona do Euro pode ajudar a compensar a desaceleração chinesa, que deve crescer 4,5% neste ano, abaixo dos 5,2% de 2025. A Europa responde por cerca de 15% das exportações totais do Brasil, e um aumento de 1% no PIB europeu pode elevar as vendas brasileiras para o bloco em até 2,5%, de acordo com estimativas de economistas do setor externo.

No entanto, o impacto positivo não é automático. A valorização do real frente ao euro, que acumula alta de 6% no ano, pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado europeu. Além disso, as barreiras não tarifárias impostas pela União Europeia, como exigências ambientais e sanitárias, continuam sendo um entrave para setores como o agropecuário. O acordo Mercosul-União Europeia, ainda não ratificado, poderia eliminar grande parte dessas barreiras, mas segue travado por divergências políticas e ambientais.

Outro ponto de atenção é a sustentabilidade do crescimento europeu. A economia alemã, embora tenha saído da recessão técnica, ainda enfrenta os efeitos da crise energética e da desindustrialização em setores como o automotivo. A França, por sua vez, lida com um déficit público elevado, que pode levar a cortes de gastos em 2027. Se o crescimento europeu perder força no quarto trimestre, o efeito positivo sobre o Brasil pode ser limitado. Por ora, os indicadores antecedentes, como o índice de gerentes de compras (PMI) composto da Zona do Euro, que subiu para 51,2 em setembro, sugerem que a expansão deve continuar nos próximos meses.

**Fontes**

- Eurostat: Estimativa preliminar do PIB da Zona do Euro para o terceiro trimestre de 2026, divulgada em 30 de outubro de 2026. - Banco Central Europeu: Decisão de política monetária de outubro de 2026 e projeções de inflação. - Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil (MDIC): Dados de comércio bilateral Brasil-Zona do Euro para 2025. - Banco Central do Brasil: Projeções de crescimento do PIB brasileiro para 2026, divulgadas no Relatório de Inflação de setembro de 2026. - S&P Global: Índice de gerentes de compras (PMI) composto da Zona do Euro para setembro de 2026.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.