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A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou, em decisão publicada nesta semana, a acusação de abuso de autoridade contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua atuação no chamado caso Master. A representação, protocolada por entidades da sociedade civil, alegava que Mendonça teria exorbitado de suas funções ao proferir decisões liminares e conduzir investigações sem respaldo legal. A PGR, no entanto, concluiu que não houve desvio de finalidade nem violação de normas processuais, arquivando o pedido de apuração disciplinar.
**Contexto**
O caso Master remonta a uma complexa investigação envolvendo supostas fraudes financeiras e lavagem de dinheiro atribuídas a um grupo empresarial do setor de saúde. O processo tramitou inicialmente na Justiça Federal e chegou ao STF após a defesa de um dos investigados impetrar habeas corpus. André Mendonça, relator do caso, determinou medidas como quebra de sigilo bancário e telemático, busca e apreensão e prisões temporárias. Tais medidas foram questionadas por advogados, que viram nelas indícios de excesso.
A representação contra o ministro foi apresentada por associações de defesa das liberdades individuais, que pediram à PGR a abertura de procedimento para investigar suposta prática de abuso de autoridade. O argumento central era de que Mendonça teria atuado fora dos limites legais, utilizando o cargo para constranger investigados sem as devidas garantias processuais. A PGR, por sua vez, analisou documentos, despachos e decisões do magistrado, além de ouvir testemunhas e peritos.
A decisão da PGR baseou-se em parecer técnico da área criminal do órgão, que apontou a regularidade de todos os atos praticados por Mendonça. O procurador-geral da República, Augusto Aras, destacou que “a atuação do ministro se deu dentro dos parâmetros constitucionais e legais, não havendo qualquer elemento que configure desvio de poder ou excesso de ofício”. O parecer enfatizou ainda que as medidas coercitivas adotadas estavam amparadas por indícios robustos de materialidade e autoria, conforme exigido pelo ordenamento jurídico.
**Análise**
A rejeição da acusação de abuso de autoridade contra André Mendonça representa um desfecho significativo para o caso Master, que já se arrasta há mais de três anos nos tribunais. Para especialistas ouvidos pelo FORTIS NEWS, a decisão da PGR reforça a independência do Judiciário e a necessidade de se evitar a judicialização de condutas que, embora drásticas, são legalmente previstas. “O abuso de autoridade é um desvio grave, mas a simples discordância de uma decisão não configura crime. É preciso que haja dolo e má-fé, o que não se verificou aqui”, analisa o jurista Paulo Sérgio de Oliveira, professor de Direito Constitucional da Universidade Federal de Minas Gerais.
Do ponto de vista político, o arquivamento do pedido de investigação fortalece a posição de Mendonça dentro do STF e reduz o desgaste causado pelas denúncias. Nos bastidores, aliados do ministro comemoram a decisão, enquanto críticos apontam que a PGR deveria ter aprofundado as investigações sobre a relação entre o magistrado e o grupo empresarial investigado. Apesar das controvérsias, a tendência é que o caso Master siga seu curso normal no STF, com Mendonça mantendo a relatoria.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir do parecer oficial da Procuradoria-Geral da República divulgado em seu site institucional, de despachos do STF referentes ao caso Master e de declarações públicas de autoridades jurídicas, incluindo o procurador-geral Augusto Aras e o jurista Paulo Sérgio de Oliveira, em entrevista coletiva. Dados complementares foram extraídos de registros judiciais abertos e de reportagens de veículos como o portal G1 e a Agência Brasil.
Por Renan Filho · 2026-10-19