A Polícia Federal protocolou nesta quarta-feira, 24 de setembro de 2026, um pedido de afastamento do governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), no âmbito do inquérito que apura desvios de aproximadamente R$ 200 milhões em convênios federais firmados entre 2021 e 2025. A informação foi confirmada pela assessoria do STJ, que agora analisa o pedido de medida cautelar.
Segundo a PF, as investigações indicam que recursos repassados pelo Ministério da Saúde e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) foram desviados por meio de contratos superfaturados com empresas de fachada. O esquema teria envolvido servidores da Secretaria de Estado da Saúde e da Secretaria de Educação do Maranhão. A operação, batizada de “Mãos Limpas”, teve início em março de 2026, após denúncias da Controladoria-Geral da União (CGU).
O governador Carlos Brandão, em nota divulgada pela assessoria, afirmou que “não há qualquer ato ilícito praticado” e que o pedido de afastamento é “uma manobra política para desestabilizar o governo estadual”. Ele disse que vai recorrer ao STJ e que “confia na Justiça”. A defesa do governador, em entrevista à Rádio Mirante AM, classificou a solicitação como “desproporcional e sem provas robustas”.
Por que isso importa? O caso reacende o debate sobre o modelo de transferências voluntárias da União para estados e municípios. Dados do Tesouro Nacional mostram que, em 2025, o Maranhão recebeu R$ 8,3 bilhões em transferências discricionárias — um aumento de 12% em relação a 2024. Apesar disso, indicadores sociais do estado continuam entre os piores do país: o Maranhão ocupa a 26ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e tem a segunda maior taxa de analfabetismo do Brasil, segundo o IBGE.
Análise FORTIS: A cada escândalo de desvio, o contribuinte é lembrado de que o Estado brasileiro gasta mal, tributa demais e entrega pouco. O Maranhão é um exemplo clássico: arrecada pouco (sua receita própria representa apenas 15% do orçamento), depende fortemente de repasses federais e, mesmo assim, não consegue transformar esses recursos em serviços públicos de qualidade. Enquanto a carga tributária nacional beira os 34% do PIB, o cidadão maranhense vê hospitais sucateados e escolas sem infraestrutura. O desvio de R$ 200 milhões, se confirmado, é apenas a ponta do iceberg de um sistema que premia a ineficiência e a corrupção.
Contraponto: É preciso reconhecer que o pedido de afastamento é uma medida excepcional, prevista na Lei de Improbidade Administrativa e no Código de Processo Penal. A PF sustenta que há risco de continuação dos delitos e de destruição de provas. No entanto, a defesa do governador aponta que as provas são frágeis e que o afastamento pode ser usado como instrumento de perseguição política. Em 2024, o STJ já havia rejeitado um pedido semelhante contra o governador do Amazonas, Wilson Lima, por falta de fundamentação. O caso maranhense será julgado nos próximos dias.
Por Renan Filho · 2026-09-24