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PF indicia Vorcaro e mais 14 por tentativa de compra do Banco Master pelo BRB

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-28

A Polícia Federal concluiu o inquérito que apurava irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Vorcaro, ex-presidente do BRB, e outros 14 investigados foram indiciados por crimes como corrupção ativa, lavagem de dinheiro e fraude financeira.

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A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira, 28 de outubro de 2026, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Vorcaro, e outros 14 investigados por suposta tentativa de compra do Banco Master. O inquérito, que durou mais de um ano, apontou indícios de crimes como corrupção ativa, lavagem de dinheiro, fraude financeira e formação de organização criminosa. A operação, batizada de “Master Key”, foi deflagrada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal, e já havia cumprido mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.

Segundo a PF, as investigações revelaram um esquema complexo que envolvia a utilização de empresas de fachada, contratos fictícios e pagamentos de propina a agentes públicos para viabilizar a aquisição do Banco Master pelo BRB. O negócio, estimado em cerca de R$ 2 bilhões à época, teria sido conduzido sem a devida transparência e com violação de normas do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Vorcaro, que presidiu o BRB entre 2021 e 2025, é apontado como o principal articulador do esquema, utilizando sua influência política e acesso a recursos públicos para pressionar a aprovação da compra.

**Contexto**

O Banco Master, com sede em São Paulo, é uma instituição financeira de médio porte que enfrentava dificuldades de liquidez desde 2023. O BRB, banco estatal do Distrito Federal, manifestou interesse na aquisição como parte de uma estratégia de expansão para o mercado nacional. No entanto, a operação foi alvo de questionamentos por parte de órgãos reguladores e de parlamentares da oposição, que apontavam conflitos de interesse e possível superfaturamento.

Em 2024, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos Estaduais, instalada na Câmara dos Deputados, já havia convocado Vorcaro para depor sobre as negociações. Na ocasião, ele negou qualquer irregularidade e afirmou que a compra seguia todos os trâmites legais. O relatório final da CPI, no entanto, recomendou o aprofundamento das investigações pela PF e pelo MPF.

A investigação da PF ganhou força após a delação premiada de um dos diretores do Banco Master, que revelou detalhes sobre reuniões secretas entre executivos do BRB e representantes do banco carioca. Segundo os autos, as tratativas ocorriam em escritórios de advocacia e em hotéis de luxo, longe dos canais oficiais. A delação também mencionou o uso de contas no exterior para movimentar recursos ilícitos.

Além de Vorcaro, estão entre os indiciados dois ex-diretores do BRB, três consultores financeiros, um lobista ligado ao governo do Distrito Federal e nove empresários do setor de serviços. A PF solicitou à Justiça Federal o bloqueio de bens e valores dos investigados, que somam aproximadamente R$ 500 milhões, para garantir eventual reparação de danos aos cofres públicos.

**Análise**

O indiciamento de Vorcaro e de outros 14 envolvidos representa um duro golpe na credibilidade do sistema financeiro estatal e levanta questões sobre a governança dos bancos públicos no Brasil. O BRB, que é controlado pelo governo do Distrito Federal, vinha sendo utilizado como instrumento de política econômica local, mas a suspeita de corrupção na tentativa de compra do Banco Master expõe fragilidades nos mecanismos de controle interno e externo.

Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que o caso pode ter repercussões políticas significativas, especialmente em ano eleitoral. O governador do Distrito Federal, que apoiou a gestão de Vorcaro no BRB, terá que lidar com o desgaste da imagem do banco e com possíveis desdobramentos na Assembleia Legislativa. Além disso, a operação “Master Key” reacende o debate sobre a necessidade de maior transparência em processos de fusão e aquisição envolvendo instituições financeiras controladas pelo poder público.

Do ponto de vista jurídico, os indiciados agora terão a oportunidade de apresentar defesa no âmbito do inquérito policial. Caso o MPF ofereça denúncia e a Justiça a aceite, eles se tornarão réus em ação penal. A pena para os crimes imputados pode chegar a mais de 20 anos de reclusão, em regime fechado. A defesa de Vorcaro, por meio de nota, afirmou que “as acusações são infundadas e baseadas em delações de criminosos confessos” e que confia na Justiça para reverter o indiciamento.

**Fontes**

- Polícia Federal – Relatório final do inquérito da Operação Master Key, divulgado em 28 de outubro de 2026. - Ministério Público Federal – Nota oficial sobre o indiciamento. - Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – Documentos sobre a supervisão da operação. - Banco Central do Brasil – Normas sobre aquisição de instituições financeiras. - Agências de notícias nacionais (Agência Brasil, Estadão, Folha de S.Paulo) – Cobertura jornalística do caso.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.