**Lead**
A Polícia Federal (PF) concluiu, em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), participou ativamente de decisões estratégicas do Banco de Brasília (BRB) e se reuniu com o empresário Paulo Roberto Vorcaro durante uma viagem à Suíça. O documento, obtido por autoridades judiciais, reforça as suspeitas de que o chefe do Executivo local teria atuado para beneficiar interesses privados dentro da instituição financeira controlada pelo governo distrital. A informação foi divulgada inicialmente pelo portal Brasil e confirmada por fontes ligadas à investigação.
**Contexto**
O BRB é um banco público estadual, vinculado ao governo do Distrito Federal, e tem sido alvo de apurações sobre supostas irregularidades na concessão de crédito e na gestão de recursos. Ibaneis Rocha, que assumiu o cargo em 2019, sempre negou qualquer envolvimento direto nas operações do banco, afirmando que a administração é técnica e independente. No entanto, o relatório da PF aponta que o governador teria participado de reuniões internas para definir linhas de financiamento e aprovar operações de alto valor, especialmente voltadas ao setor imobiliário.
A reunião com Vorcaro na Suíça, ocorrida em 2023, teria sido realizada em um hotel em Zurique, segundo registros de imigração e anotações de agenda apreendidas. Paulo Roberto Vorcaro é um empresário com atuação no mercado financeiro e imobiliário, já investigado em outros inquéritos por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A PF suspeita que o encontro tenha servido para alinhar estratégias de captação de recursos no exterior, possivelmente com o uso de contas não declaradas.
A investigação faz parte de um desdobramento da Operação Panaceia, que desde 2024 apura um esquema de corrupção envolvendo agentes públicos e empresários no Distrito Federal. Até o momento, já foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede do BRB e em endereços ligados a Ibaneis. O governador, por sua vez, classificou as acusações como “infundadas” e afirmou que todas as suas ações foram pautadas pela legalidade.
**Análise**
A participação de Ibaneis em decisões do BRB, se confirmada, representa uma ruptura com o discurso de autonomia técnica do banco e pode configurar crime de responsabilidade, além de improbidade administrativa. O fato de a reunião ter ocorrido na Suíça, país conhecido por seu sigilo bancário, levanta suspeitas de que o encontro visava ocultar transações financeiras. Para os investigadores, a viagem não teria justificativa oficial, já que não há registros de compromissos do governador com autoridades suíças ou organismos multilaterais.
O impacto político é imediato. Ibaneis Rocha é um dos principais aliados do presidente da República e vinha sendo cotado para uma eventual candidatura ao Senado em 2026. A revelação pode enfraquecer sua base de apoio e acelerar pedidos de impeachment na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Além disso, o BRB, que vinha expandindo sua atuação no mercado de crédito imobiliário, pode sofrer com a desconfiança de investidores e correntistas.
Do ponto de vista da segurança pública e institucional, o caso expõe fragilidades nos mecanismos de controle de bancos públicos. A PF já sinalizou que novas diligências serão realizadas para rastrear o fluxo de recursos que teriam sido direcionados a empresas ligadas a Vorcaro. A expectativa é que o STF autorize a quebra de sigilos bancário e fiscal do governador e de seus familiares, o que pode trazer à tona novas evidências.
**Fontes**
As informações contidas nesta reportagem foram obtidas a partir do relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, com base em dados divulgados pelo portal Brasil e confirmados por fontes oficiais ligadas à investigação. Não foram utilizadas declarações diretas de envolvidos, respeitando o sigilo judicial em curso.
Por Renan Filho · 2026-10-10