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Um grupo de políticos históricos do Partido dos Trabalhadores (PT), conhecidos como "petistas raiz", está de volta ao cenário eleitoral brasileiro. Após anos de cassações de mandato, prisões preventivas e condenações anuladas, esses nomes agora disputam uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de outubro de 2026. O movimento, que inclui ex-parlamentares que integraram o núcleo duro do partido nos governos Lula e Dilma, representa um teste para a Justiça Eleitoral e para a memória do eleitorado sobre os escândalos que marcaram a última década.
**Contexto**
O termo "petistas raiz" é usado para designar militantes e dirigentes que estiveram no PT desde a fundação ou nos primeiros governos petistas. Muitos deles foram alvos da Operação Lava Jato, iniciada em 2014, que resultou em prisões e condenações por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre os casos mais emblemáticos estão os de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e chefe do gabinete de Lula, e de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do partido. Ambos tiveram mandatos de deputado federal cassados pela Câmara ou pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e cumpriram penas em regime fechado.
Nos últimos anos, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE alteraram o quadro jurídico. Em 2021, o STF anulou as condenações de Lula no âmbito da Lava Jato, declarando a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Mais recentemente, em 2024, o plenário do STF reavaliou a aplicação da Lei da Ficha Limpa para casos de condenações anuladas, abrindo caminho para que políticos antes inelegíveis pudessem registrar candidaturas. A partir de então, diversos ex-deputados e ex-senadores do PT iniciaram o processo de filiação e registro de candidatura para 2026.
Além de Dirceu e Vaccari, outros nomes como o ex-deputado federal Paulo Pimenta, que não foi cassado mas teve seu nome associado a investigações, e o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, que já é prefeito de São Paulo, não estão no grupo de "petistas raiz" que buscam a Câmara. O foco recai sobre aqueles que efetivamente perderam mandatos ou foram presos. Segundo registros do TSE, pelo menos seis ex-parlamentares petistas com histórico de cassação ou prisão protocolaram pré-candidaturas até setembro de 2026. A maioria concorre por estados do Nordeste e Sudeste, onde o PT mantém bases eleitorais fortes.
**Análise**
A volta desses políticos ao jogo eleitoral tem implicações profundas para o sistema político brasileiro. Em primeiro lugar, reabre o debate sobre a eficácia e a justiça da Lava Jato. Para os defensores da operação, a possibilidade de que condenados por corrupção voltem a ocupar cargos públicos representa um retrocesso no combate à impunidade. Para os críticos, a anulação das condenações e o retorno ao pleito são a correção de uma perseguição política disfarçada de combate à corrupção. O eleitorado, por sua vez, terá que decidir se o tempo passado na prisão ou a cassação do mandato são fatores que desqualificam um candidato, ou se a trajetória política anterior e as propostas atuais são mais relevantes.
Em segundo lugar, o movimento dos "petistas raiz" ocorre em um momento de reconfiguração do PT. O partido, que voltou ao poder com Lula em 2023, busca renovar seus quadros, mas ainda depende de figuras históricas para manter a coesão interna. A candidatura de ex-presos e cassados pode ser vista como uma tentativa de resgatar o "espírito fundador" do partido, mas também expõe divisões entre a ala moderada, que prefere evitar associações com o passado judicial, e a ala mais radical, que vê nesses nomes símbolos de resistência. As pesquisas de intenção de voto, embora não divulguem números específicos para esses candidatos, indicam que a rejeição a ex-condenados ainda é alta entre eleitores de centro e direita, mas pode ser compensada por um voto fiel entre a base petista.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em registros públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) disponíveis no site oficial da corte, reportagens do jornal Folha de S.Paulo e do portal G1 sobre o andamento das candidaturas, e análises do cientista político Carlos Pereira, da Fundação Getulio Vargas (FGV), publicadas em veículos de imprensa. Nenhuma entrevista direta foi realizada para esta reportagem. Dados eleitorais e jurídicos são de domínio público e podem ser consultados nos respectivos órgãos.
Por Renan Filho · 2026-10-01