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Cientistas políticos analisam retorno de 'petistas raiz' às urnas após cassações e prisões

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Após anos de condenações e perda de mandatos, quadros históricos do PT ensaiam candidaturas à Câmara dos Deputados em 2026. Pesquisas acadêmicas apontam tendência de reabilitação política e impacto no eleitorado de esquerda.

**Lead**

Uma nova frente de estudos no campo da ciência política tem se debruçado sobre um fenômeno eleitoral brasileiro: o retorno de filiados históricos do Partido dos Trabalhadores (PT) que, após terem mandatos cassados e cumprirem penas de prisão em decorrência da Operação Lava Jato, buscam novamente uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. A movimentação, batizada informalmente de “ressurgimento dos petistas raiz”, está sendo acompanhada por pesquisadores de universidades que veem nela um laboratório para entender a resiliência de lideranças em contextos de crise judicial e a recomposição de bases partidárias.

**Contexto**

Entre 2014 e 2018, o Brasil assistiu a uma das maiores ofensivas judiciais contra políticos em exercício. Dezenas de parlamentares, especialmente do PT, foram condenados por crimes como corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tiveram seus mandatos cassados pela Câmara ou pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram presos. Muitos cumpriram penas em regimes fechado, semiaberto e aberto. Com o passar dos anos, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) revisaram parte dessas condenações, anularam provas e restabeleceram direitos políticos para alguns, permitindo que voltassem a disputar eleições. A ciência política brasileira registra esse ciclo como um movimento atípico na democracia recente: enquanto a cassação de mandatos costuma ser um ponto final na carreira pública, o retorno desses personagens ao jogo eleitoral indica que a punição nem sempre produz desalinhamento definitivo com o eleitor.

Dados agregados do TSE, compilados por centros de pesquisa, mostram que o percentual de candidatos do PT com pendências judiciais caiu ao longo da última década, mas a taxa de tentativas de reeleição entre os que tiveram condenações anuladas é superior à de outros partidos nas mesmas condições. Esse indicador tem sido usado por cientistas políticos como evidência de que o vínculo entre o “petista raiz” — expressão que designa os fundadores e militantes históricos — e sua base permanece forte, mesmo após longos períodos de afastamento imposto pela Justiça.

**Análise**

O fenômeno interessa à academia por diferentes ângulos. Do ponto de vista da sociologia eleitoral, a volta desses candidatos desafia a teoria clássica de que a estigmatização judicial elimina a viabilidade de políticos condenados. Estudos em andamento sugerem que o eleitorado petista mais fiel tende a interpretar as cassações e prisões como perseguição política, e não como falha moral. Essa percepção cria um capital simbólico que os candidatos conseguem converter em votos, especialmente em regiões tradicionais de forte presença do partido, como o Nordeste e a periferia das grandes capitais. As análises, no entanto, alertam que o resgate dessas lideranças pode reacender polarizações internas dentro da legenda, entre a ala considerada mais radical e a atual direção que busca uma imagem mais moderada.

Outro aspecto abordado pelos cientistas é o impacto sobre a renovação política. A ciência política costuma avaliar que a alternância de elites é saudável para a democracia; a recondução de figuras que estiveram fora do sistema por condenação pode ser vista como um freio à oxigenação dos quadros partidários. Não há consenso, porém. Pesquisas qualitativas com líderes comunitários indicam que o eleitor valoriza a experiência e a história de luta, independentemente dos processos judiciais. Esse dado reforça a tese de que, no Brasil, a Justiça Eleitoral e a opinião pública nem sempre caminham juntas na definição de quem pode ou não ocupar um cargo.

**Fontes**

As informações apresentadas baseiam-se em artigos acadêmicos publicados em periódicos nacionais de ciência política (como a Revista Brasileira de Ciência Política e Dados), em relatórios do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre elegibilidade de candidatos, e em análises de tendências eleitorais realizadas pelo grupo de pesquisa Opinião Pública, Marketing e Comunicação Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foram consultados ainda documentos oficiais do STF sobre revisão de condenações e anotações de plenário da Câmara dos Deputados acerca de cassações de mandato na legislatura 2015-2019.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.