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Pesquisas eleitorais recentes sobre a intenção de voto no Brasil revelam um padrão consistente e estatisticamente relevante: o senador Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente entre eleitores do sexo masculino, enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera entre as mulheres. Embora os números exatos não tenham sido divulgados oficialmente em sua totalidade, a tendência observada nos levantamentos aponta para uma polarização de gênero que já chama a atenção de cientistas políticos e pesquisadores de opinião pública.
**Contexto**
A disputa pela presidência da República em 2026 ainda não tem cenário formalmente definido, mas os pré-candidatos já vêm testando seus nomes em pesquisas internas e encomendadas por institutos de opinião. O primeiro escalão da política nacional acompanha com atenção especial um fenômeno que não é exatamente novo no eleitorado brasileiro, mas que se intensifica em ciclos eleitorais de alta polarização: a chamada lacuna de gênero, ou gender gap, termo usado na ciência política para descrever diferenças sistemáticas de preferência eleitoral entre homens e mulheres.
Historicamente, as mulheres brasileiras têm demonstrado maior propensão a apoiar candidaturas associadas a políticas de proteção social, saúde pública e programas de transferência de renda. Já os homens, em contextos de polarização, tendem a responder melhor a discursos de segurança pública, combate à corrupção e afirmação de liderança forte. A atual configuração eleitoral, com um representante do bolsonarismo e outro do lulismo, parece acentuar essas tendências.
A literatura acadêmica sobre comportamento eleitoral no Brasil já registrava diferenças de gênero em pleitos anteriores, mas a magnitude das diferenças nos levantamentos mais recentes surpreendeu parte dos analistas. Em alguns recortes, a vantagem de Flávio Bolsonaro entre homens ultrapassa em vários pontos percentuais a vantagem que Lula obtém entre as mulheres, o que indica que o segundo turno, caso confirmado, seria decidido não apenas pela soma dos votos, mas pela capacidade de cada campanha em ampliar sua base entre os grupos que lhe são menos favoráveis.
**Análise**
O fato de a divisão por gênero aparecer de forma tão nítida em diferentes institutos reforça a tese de que o eleitorado brasileiro está passando por uma transformação estrutural na forma de avaliar candidatos. Não se trata apenas de preferências partidárias, mas de percepções distintas sobre prioridades nacionais. Para as mulheres, temas como educação, creches, acesso a medicamentos e enfrentamento à violência doméstica tendem a pesar mais. Entre os homens, a ênfase em punição ao crime, liberdade econômica e rejeição ao chamado politicamente correto aparece com mais força.
Esse cenário impõe desafios concretos às assessorias de comunicação e aos marqueteiros envolvidos nas pré-campanhas. A linguagem utilizada em comícios, redes sociais e inserções de rádio e TV pode ser decisiva para reduzir a rejeição em segmentos específicos. Uma campanha que ignore essa dimensão de gênero pode desperdiçar um volume significativo de votos em um país com mais de 150 milhões de eleitores, no qual as mulheres já são a maioria do eleitorado.
Outro ponto que merece destaque é o efeito da pandemia de Covid-19 e das crises econômicas sobre as prioridades do eleitorado feminino. Estudos de opinião conduzidos por universidades brasileiras mostram que as mulheres foram desproporcionalmente afetadas pelo desemprego e pela sobrecarga de trabalho doméstico nos últimos anos. Isso ajuda a explicar por que pautas sociais têm maior ressonância entre elas. Por outro lado, o crescimento da preocupação com a segurança pública, impulsionado pelo aumento da percepção de violência em algumas regiões, tende a beneficiar discursos mais duros, que atraem principalmente o eleitorado masculino.
Cientistas políticos consultados para esta análise ressaltam que os dados ainda são preliminares e que a margem de erro das pesquisas deve ser considerada. No entanto, a consistência da tendência entre diferentes metodologias e institutos é um sinal que não pode ser ignorado. Em um cenário eleitoral tão disputado, qualquer movimento de alguns pontos percentuais pode ser determinante para o resultado final. Por isso, é esperado que as campanhas intensifiquem pesquisas qualitativas para entender as motivações mais profundas por trás dessas diferenças de gênero.
**Fontes**
As informações deste artigo têm como base levantamentos de intenção de voto conduzidos por institutos de pesquisa brasileiros e análises de cientistas políticos publicadas em periódicos acadêmicos e veículos de imprensa nacionais de grande circulação. Os dados completos das pesquisas mencionadas não foram oficialmente divulgados em sua totalidade até a data desta publicação, o que reforça a necessidade de interpretação cautelosa das tendências apresentadas.
Por Renan Filho · 2026-10-19