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Economia

Pesquisas eleitorais x urnas: o que mudou no segundo turno de 2026?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-27

A reta final do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 expõe um novo capítulo na relação entre institutos de pesquisa e o resultado das urnas. Com metodologias ajustadas e maior desconfiança do eleitorado, analistas apontam tendências que podem redefinir a credibilidade dos levantamentos.

**Lead**

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o Brasil acompanha um fenômeno que já se tornou tradição em disputas acirradas: o embate entre as pesquisas de intenção de voto e o resultado oficial das urnas. Desta vez, porém, o cenário traz novidades. Os institutos de pesquisa adotaram mudanças metodológicas significativas após as críticas recebidas no primeiro turno, enquanto o eleitorado demonstra um comportamento mais volátil e influenciado por fatores econômicos concretos — como a inflação dos alimentos e o nível de emprego. A pergunta que domina o noticiário é: as pesquisas acertaram ou erraram o retrato da disputa?

**Contexto**

Historicamente, o Brasil viveu episódios marcantes de divergência entre pesquisas e urnas. Em 2014, a diferença entre a última pesquisa do Datafolha e o resultado final foi de cerca de 2 pontos percentuais. Em 2018, o fenômeno se repetiu com maior intensidade, quando candidatos que apareciam com vantagem nas pesquisas terminaram derrotados no segundo turno. Já em 2022, os institutos conseguiram um índice de acerto elevado, com margens dentro do erro amostral.

Para 2026, o contexto econômico adicionou uma camada extra de complexidade. O país encerrou o primeiro semestre com uma inflação acumulada de 4,8% no IPCA, puxada principalmente por alimentos e transportes. A taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), pressionando o crédito e o consumo. O desemprego, por sua vez, recuou para 7,2%, mas a informalidade segue elevada, atingindo cerca de 40% da força de trabalho.

Diante desse quadro, os institutos de pesquisa — como Datafolha, Ipec e Quaest — ajustaram suas metodologias para o segundo turno. Entre as mudanças, destacam-se a ampliação da amostra em regiões com histórico de alta abstenção, a inclusão de perguntas sobre a percepção da economia doméstica e a ponderação por escolaridade e renda de forma mais granular. Além disso, passaram a considerar o voto útil de forma mais explícita, já que eleitores tendem a abandonar candidatos com pouca chance de vitória para evitar a eleição de um adversário indesejado.

**Análise**

A economia real — e não apenas a intenção de voto declarada — tornou-se a variável central desta reta final. O poder de compra das famílias, medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), impacta diretamente a avaliação do governo e, por consequência, a preferência eleitoral. Dados do Banco Central indicam que a confiança do consumidor caiu 3,2 pontos percentuais entre agosto e outubro de 2026, o que sugere um eleitorado mais pessimista e propenso a mudar de voto de última hora.

Outro fator que alterou a dinâmica entre pesquisas e urnas foi o crescimento do voto evangélico e a atuação das redes sociais como palco de desinformação. Diferentemente de ciclos anteriores, as campanhas digitais de 2026 foram marcadas por um uso intensivo de inteligência artificial para produção de conteúdo personalizado, o que dificulta a captura precisa das intenções de voto pelos métodos tradicionais de entrevista telefônica ou presencial. Os institutos tentaram se adaptar com pesquisas online e painéis de respondentes verificados, mas a adesão ainda é limitada.

Do ponto de vista econômico, a disputa também reflete dois projetos distintos para a política fiscal. De um lado, a proposta de manutenção do arcabouço fiscal com ajuste gradual das contas públicas; de outro, a defesa de uma expansão dos gastos sociais com aumento da tributação sobre grandes fortunas e lucros e dividendos. O mercado financeiro reagiu com volatilidade nas últimas semanas: o Ibovespa oscilou entre 118 mil e 124 mil pontos, enquanto o dólar comercial flutuou na faixa de R$ 5,40 a R$ 5,60, refletindo a incerteza quanto ao resultado eleitoral.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em dados públicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Banco Central do Brasil, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de relatórios dos institutos Datafolha, Ipec e Quaest divulgados entre setembro e outubro de 2026. Análises de economistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Fundação Getulio Vargas (FGV) também foram consultadas para contextualizar o impacto da economia no comportamento eleitoral.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.