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Ciencia

Pesquisas eleitorais: a ciência por trás do empate técnico entre Bolsonaro e Lula

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-24

Levantamento do instituto Gerp aponta vantagem mínima de um dos candidatos dentro da margem de erro, caracterizando empate técnico. Especialistas destacam a importância da metodologia estatística na interpretação dos resultados.

**Lead**

Uma pesquisa divulgada pelo instituto Gerp, especializado em levantamentos de opinião pública, indica que o cenário eleitoral brasileiro apresenta empate técnico entre dois dos principais candidatos à presidência. O estudo, que utiliza metodologia de amostragem probabilística e tratamento estatístico de dados, reforça a necessidade de compreensão dos fundamentos científicos que sustentam as sondagens eleitorais.

**Contexto**

No Brasil, as pesquisas de intenção de voto são realizadas por institutos como Datafolha, Ibope (atual Ipec), Paraná Pesquisas e, mais recentemente, o Gerp. Estes levantamentos seguem protocolos rigorosos para garantir representatividade da população eleitoral. A amostra é definida com base em dados do TSE, considerando variáveis como região, idade, sexo, escolaridade e renda. O tamanho da amostra, geralmente entre 2 mil e 3 mil entrevistados, determina a margem de erro, que costuma ficar em torno de dois a três pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.

No caso específico do levantamento do Gerp divulgado recentemente, a diferença entre os dois candidatos é inferior a essa margem, caracterizando o chamado empate técnico. Esse conceito estatístico significa que não se pode afirmar com segurança qual candidato está à frente, pois a variação amostral poderia inverter as posições. É importante destacar que a ciência por trás das pesquisas não se limita à coleta de dados; envolve também o tratamento de respostas indecisas, a ponderação por variáveis demográficas e o controle de viés de não resposta.

**Análise**

A divulgação de pesquisas eleitorais provoca intenso debate público, muitas vezes mal interpretado. Do ponto de vista científico, uma pesquisa é uma fotografia momentânea da opinião, sujeita a flutuações. O empate técnico não significa que os candidatos estão literalmente empatados em votos, mas sim que a diferença observada pode ser explicada pelo erro amostral. Para o eleitor, a principal lição é que pesquisas devem ser lidas com o crivo da margem de erro e do intervalo de confiança.

Outro aspecto relevante é a metodologia de coleta. Pesquisas presenciais, telefônicas e online apresentam vantagens e limitações. O Gerp, por exemplo, utiliza entrevistas domiciliares assistidas por dispositivos móveis, o que reduz erros de digitação. Estudos acadêmicos mostram que a taxa de recusa crescente e o uso de celulares em vez de telefones fixos introduzem novos desafios. A ciência estatística, no entanto, desenvolve técnicas de calibração e pós-estratificação para mitigar esses problemas.

**Fontes**

As informações sobre metodologia de pesquisas eleitorais baseiam-se em publicações da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel) e em manuais técnicos de institutos como Datafolha e Ibope. Para o conceito de empate técnico e intervalo de confiança, consultaram-se estatísticos como o professor Carlos Alberto de Bragança Pereira, do Instituto de Matemática e Estatística da USP. O levantamento do Gerp foi referido em matéria do portal UOL, mas os números exatos não foram reproduzidos aqui para evitar a propagação de dados não verificados pelo FORTIS NEWS.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.