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Politica

Pesquisa revela que 82,7% dos brasileiros estão muito preocupados com a corrupção

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

Levantamento nacional mostra que a corrupção segue como uma das principais angústias da população, superando temas como saúde e segurança em nível de preocupação elevada.

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Uma nova pesquisa de opinião pública divulgada nesta quinta-feira revela que 82,7% dos brasileiros se declaram “muito preocupados” com a corrupção no país. O índice, considerado altíssimo pelos analistas, coloca o tema como uma das principais fontes de ansiedade nacional, à frente de problemas crônicos como o desemprego e a violência urbana. O levantamento foi realizado pelo instituto Datafolha em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e ouviu 2.556 pessoas em 130 municípios entre os dias 15 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

**Contexto**

A corrupção é um tema recorrente na história política brasileira, mas ganhou contornos dramáticos a partir de 2014, com as revelações da Operação Lava Jato. Desde então, sucessivos escândalos envolvendo empreiteiras, agentes públicos e partidos políticos mantiveram o assunto no centro do debate nacional. A pesquisa atual, no entanto, sugere que a percepção de risco não diminuiu com o tempo. Pelo contrário: em 2018, o mesmo instituto registrava 78% de preocupação máxima; em 2022, o número subiu para 80,5%; agora, chega a 82,7%.

O levantamento também aponta que a preocupação é transversal. Entre os entrevistados com ensino superior completo, o índice é de 85,1%. Entre aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos, o percentual é de 81,3%. A diferença é pequena, indicando que a desconfiança em relação à probidade dos agentes públicos é um sentimento compartilhado por todas as camadas sociais. Regionalmente, o Sudeste lidera com 84,2%, seguido pelo Sul (83,1%) e Nordeste (81,9%).

Outro dado relevante é a avaliação das instituições. Quando perguntados sobre qual poder é mais eficaz no combate à corrupção, 47% dos entrevistados apontaram o Judiciário, 28% o Ministério Público e apenas 12% o Executivo. O Legislativo foi citado por 8% dos participantes. Esses números refletem uma percepção consolidada de que os escândalos recentes envolvendo o Congresso Nacional, como as suspeitas de desvio de emendas parlamentares e a operação que investiga a compra de votos em medidas provisórias, contribuíram para a descrença na classe política.

**Análise**

O dado de 82,7% não é apenas um número frio. Ele representa um sintoma profundo de desconfiança institucional que afeta diretamente a governabilidade e a qualidade da democracia brasileira. Quando quase nove em cada dez cidadãos afirmam estar muito preocupados com a corrupção, isso se traduz em baixa aprovação de governos, dificuldade para aprovar reformas estruturais e um ambiente de negócios mais instável. Empresários e investidores estrangeiros, por exemplo, costumam citar a corrupção como um dos principais entraves para investimentos de longo prazo no Brasil.

Além disso, a persistência desse nível elevado de preocupação sugere que as medidas anticorrupção adotadas nos últimos anos — como a Lei da Ficha Limpa, a criação de varas especializadas e o fortalecimento dos órgãos de controle — ainda não produziram o efeito desejado na percepção pública. Especialistas ouvidos pelo FORTIS NEWS apontam que a impunidade de figuras políticas de alto escalão, combinada com a lentidão dos processos judiciais, alimenta o sentimento de que “a corrupção compensa”. A pesquisa mostra que 73% dos brasileiros acreditam que a maioria dos políticos corruptos não é punida.

Outro ponto de atenção é o impacto nas eleições de 2026. Com o pleito municipal se aproximando, a preocupação com a corrupção deve pautar as campanhas. Candidatos que se apresentam como “novos” ou “independentes” tendem a capitalizar esse descontentamento. No entanto, a história recente mostra que o discurso anticorrupção, embora popular, nem sempre se traduz em gestões eficientes. O desafio para o eleitor será distinguir entre promessas vazias e propostas concretas de transparência e controle social.

**Fontes**

Os dados mencionados nesta reportagem são provenientes da pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizada entre 15 e 20 de setembro de 2026, com 2.556 entrevistados em 130 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. As análises de contexto e tendências foram baseadas em reportagens anteriores do próprio acervo do FORTIS NEWS e em artigos acadêmicos publicados pelo Centro de Estudos de Opinião Pública da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.