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Politica

Pesquisa revela que 82,7% dos brasileiros estão muito preocupados com a corrupção no país

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

Levantamento inédito do Painel mostra que a corrupção segue como uma das maiores apreensões da população, superando temas como economia e violência em determinados recortes regionais.

**Lead**

Uma nova pesquisa do Painel, divulgada nesta quinta-feira (2), revela que 82,7% dos brasileiros se declaram "muito preocupados" com a corrupção no Brasil. O índice, considerado altíssimo pelos analistas, coloca o tema como uma das principais fontes de ansiedade da população, à frente de questões como desemprego e inflação em diversas faixas etárias e regiões do país. O levantamento foi realizado entre os dias 20 e 28 de setembro, ouvindo 2.500 eleitores em todas as 27 unidades da federação, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

**Contexto**

A corrupção é um tema recorrente na política brasileira há décadas. Desde o escândalo do Mensalão, no governo Lula, passando pela Operação Lava Jato, que atingiu em cheio empreiteiras e políticos de diferentes partidos, até os recentes desdobramentos de investigações sobre desvios na Saúde durante a pandemia, o assunto sempre esteve no centro do debate público. A pesquisa do Painel, no entanto, mostra que a preocupação não arrefeceu com o tempo. Pelo contrário: o percentual de 82,7% é o maior registrado desde que o instituto começou a medir o indicador, em 2018.

O levantamento também revela que a preocupação com a corrupção é transversal. Entre os eleitores com ensino superior completo, o índice chega a 89,1%. Já entre aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos, o percentual é de 78,4%. Regionalmente, o Distrito Federal lidera a lista, com 91,2% dos entrevistados muito preocupados, seguido por Rio de Janeiro (86,5%) e São Paulo (84,9%). No Norte e Nordeste, os números ficam ligeiramente abaixo da média nacional, mas ainda assim superam a marca dos 75%.

Outro dado relevante é a percepção sobre a eficácia das instituições no combate à corrupção. Apenas 23,1% dos entrevistados afirmam confiar "muito" ou "bastante" na Polícia Federal para investigar desvios. O Judiciário, por sua vez, recebe a confiança de apenas 18,4% dos brasileiros. O Congresso Nacional amarga o pior índice: somente 9,7% dos cidadãos confiam nos parlamentares para atuar contra a corrupção. Esses números ajudam a explicar por que, mesmo com operações e condenações, a sensação de impunidade ainda predomina.

**Análise**

Os números do Painel indicam que a corrupção deixou de ser um tema sazonal, que aparece apenas em anos eleitorais, para se consolidar como uma preocupação estrutural da sociedade brasileira. Isso tem implicações diretas para o sistema político. Partidos e candidatos que não apresentarem propostas claras de transparência e controle podem ser rejeitados pelo eleitorado. A pesquisa sugere que o voto punitivo, que já levou à derrota de diversas figuras públicas envolvidas em escândalos, tende a se intensificar.

Além disso, a desconfiança nas instituições aponta para um cenário de fragilidade democrática. Quando a maioria da população não acredita que os órgãos de controle são capazes de punir desvios, abre-se espaço para discursos autoritários e soluções simplistas. Especialistas ouvidos pelo Painel alertam que o fortalecimento de mecanismos de controle social, como ouvidorias e conselhos de transparência, é urgente. Sem isso, a insatisfação popular pode se transformar em apatia ou, pior, em apoio a lideranças que prometem "limpeza" sem respeito ao devido processo legal.

Por outro lado, o dado também pode ser lido como um sinal de amadurecimento cívico. A população está mais atenta e exigente. A pesquisa mostra que 67,3% dos entrevistados acompanham "frequentemente" ou "sempre" notícias sobre investigações de corrupção. Esse nível de engajamento é raro em democracias consolidadas e pode funcionar como um antídoto contra a impunidade, desde que as instituições respondam à altura.

**Fontes**

- Painel Pesquisas: levantamento nacional realizado entre 20 e 28 de setembro de 2026, com 2.500 entrevistados, margem de erro de 2 p.p., registro no TSE sob o número BR-12345/2026. - Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre processos de improbidade administrativa em tramitação. - Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre transparência ativa nos municípios brasileiros.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.