**Lead** Pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo instituto Quaest revela um cenário de empate técnico na disputa presidencial para o segundo turno, marcado para o próximo dia 25. Segundo o levantamento, o candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, aparece numericamente à frente do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a diferença está dentro da margem de erro, o que indica uma eleição decidida nos detalhes.
**Contexto** A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 20 de outubro, com 2.000 eleitores entrevistados presencialmente em 120 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02456/2026.
Este é o primeiro cenário de segundo turno testado pela Quaest após o resultado do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Na ocasião, Flávio Bolsonaro obteve 48,3% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 43,1%, com os demais candidatos somando menos de 10% — resultado que forçou a realização de uma nova votação.
A vantagem numérica de Bolsonaro no levantamento mais recente, ainda que dentro da margem de erro, reflete uma tendência de consolidação do eleitorado de direita e centro-direita, que historicamente se mobiliza com mais intensidade em segundo turnos. Já Lula mantém força no Nordeste e entre eleitores de renda mais baixa, base tradicional do petismo.
O instituto também mediu a rejeição dos dois candidatos. O presidente Lula aparece com 46% de rejeição, enquanto o opositor registra 44%. Essa proximidade na rejeição indica que a decisão final dependerá da capacidade de cada campanha de converter indecisos e reduzir o antipetismo ou o antibolsonarismo.
**Análise** A pesquisa reforça o diagnóstico de um país politicamente dividido ao meio. O empate técnico aponta que os próximos dias serão decisivos para a definição do eleitorado flutuante, que ainda soma cerca de 8% dos entrevistados. Esse grupo, segundo analistas, é composto majoritariamente por eleitores que votaram em candidatos de terceira via no primeiro turno, como Simone Tebet e Ciro Gomes, e que agora buscam a opção menos ruim — ou a mais alinhada às suas pautas econômicas e sociais.
Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que a vantagem numérica de Bolsonaro, mesmo pequena, tem impacto psicológico nas campanhas. O ambiente de favorecimento ao opositor pode atrair financiamento empresarial e apoio de lideranças locais, especialmente em estados do Sul e Sudeste, onde o bolsonarismo tem capilaridade. Por outro lado, Lula aposta na máquina pública e em promessas de expansão de programas sociais para reverter o quadro em regiões como o Nordeste, onde sua aprovação segue alta.
Outro ponto de atenção é o efeito das redes sociais. Nos últimos dias, vídeos com ataques pessoais aos dois candidatos viralizaram, o que pode influenciar eleitores mais suscetíveis a desinformação. A Justiça Eleitoral já derrubou mais de 500 conteúdos considerados irregulares desde o início do segundo turno, mas a velocidade de propagação de notícias falsas continua sendo um desafio logístico e legal.
A pesquisa também levanta questões sobre a abstenção. Em segundo turnos históricos, o comparecimento costuma ser menor do que no primeiro turno, e isso pode penalizar Lula, cujo eleitorado de menor renda e maior idade tende a ter mais dificuldade de locomoção. A campanha petista anunciou um esquema de transporte solidário em capitais, enquanto a oposição foca em mobilização digital e eventos presenciais em cidades médias.
O cenário segue aberto, e novas pesquisas devem ser divulgadas até sexta-feira, véspera do pleito. Enquanto isso, os dois lados preparam debates finais na TV aberta, que podem ser o último grande fator de mudança na percepção do eleitorado.
**Fontes** Instituto Quaest — pesquisa registrada no TSE sob número BR-02456/2026, com 2.000 entrevistas realizadas entre 18 e 20 de outubro. Dados de votação do primeiro turno obtidos junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Análises de cientistas políticos citados em reportagens da imprensa nacional.
Por Renan Filho · 2026-10-21