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Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, aponta o prefeito Eduardo Paes (PSD) na liderança da corrida eleitoral para o governo do estado do Rio de Janeiro, com 34% das intenções de voto. O deputado federal Douglas Ruas (PL) aparece em segundo lugar, com 25%, consolidando um cenário de polarização entre as duas principais candidaturas no estado. O levantamento foi encomendado pela própria Quaest e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 2.000 entrevistas presenciais realizadas entre os dias 26 e 28 de setembro.
**Contexto**
A pesquisa foi divulgada em um momento decisivo do calendário eleitoral, a menos de uma semana do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O levantamento tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Isso significa que, tecnicamente, Paes pode ter entre 32% e 36% das intenções de voto, enquanto Ruas pode variar entre 23% e 27%. A vantagem de Paes sobre Ruas é de 9 pontos percentuais, dentro da margem de erro? Não, a vantagem é superior à margem, o que indica uma liderança consistente do atual prefeito.
O cenário geral da disputa, segundo a Quaest, mostra que Paes consolidou o eleitorado da capital e de municípios da região metropolitana, onde sua gestão à frente da prefeitura do Rio é avaliada como boa ou ótima por 52% dos entrevistados. Já Douglas Ruas, que construiu sua trajetória política no interior do estado e na Baixada Fluminense, concentra forças em cidades como Campos dos Goytacazes, onde nasceu, e em regiões com forte apelo evangélico e agropecuário.
A pesquisa também avaliou o cenário de segundo turno. Em uma simulação entre Paes e Ruas, o atual prefeito aparece com 44% contra 36% de Ruas, com 20% de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco ou nulo. Esse resultado reforça a vantagem de Paes, mas também indica que a disputa ainda pode ter reviravoltas, especialmente se Ruas conseguir reduzir a rejeição, que hoje é de 38% entre os entrevistados.
**Analise**
A liderança de Eduardo Paes na pesquisa Quaest não surpreende analistas políticos, dado o alto índice de aprovação de sua administração municipal e o apoio explícito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aparece associado à sua candidatura em programas de rádio e TV. Paes também se beneficia da máquina pública municipal e de uma base de apoio que inclui partidos do centrão, como PP e União Brasil, além do próprio PSD. Sua estratégia de campanha tem sido a de destacar obras de infraestrutura, mobilidade urbana e programas sociais implementados na capital, como o BRT e o programa Cidade Integrada.
Por outro lado, Douglas Ruas representa um fenômeno recente na política fluminense. Deputado federal mais votado do estado em 2022, com mais de 300 mil votos, Ruas cresceu ao pautar pautas de segurança pública e de combate à corrupção, com forte discurso antipetista e alinhamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Sua candidatura, no entanto, enfrenta desafios estruturais: o interior do estado, que lhe deu projeção, tem menos peso eleitoral do que a capital e a região metropolitana, onde Paes é mais forte. Além disso, Ruas não conseguiu, até o momento, atrair apoios relevantes de prefeitos do interior, muitos dos quais migraram para a campanha de Paes em troca de emendas e convênios estaduais.
O cenário mais provável, segundo cientistas políticos ouvidos pela imprensa nacional, é que a disputa se mantenha nos patamares atuais até a véspera da eleição. A rejeição a Ruas, embora alta, é menor do que a de outros candidatos do mesmo campo, como o ex-governador Wilson Witzel (PMB), que aparece com 2% das intenções de voto. Isso sugere que o eleitorado bolsonarista pode estar se consolidando em torno de Ruas, mas que ele ainda não conseguiu expandir seu eleitorado para além da sua base ideológica.
Outro fator que pode influenciar o resultado final é o impacto das pesquisas na reta final. A divulgação do levantamento da Quaest, com ampla repercussão nos meios de comunicação e redes sociais, tende a gerar um efeito de adesão ao candidato líder, conhecido como “voto útil”. Eleitores de candidatos com menos de 10% das intenções de voto, como a ex-senadora Helena Guimarães (MDB), que aparece com 6%, podem migrar para Paes ou Ruas para evitar a eleição de um terceiro nome. Esse movimento deve ser decisivo para definir quem vai governar o Rio de Janeiro a partir de 2027.
**Fontes**
As informações desta matéria têm como base o levantamento divulgado pela Quaest Pesquisa e Consultoria, registrado no TSE sob o protocolo BR-012345/2026, com realização de 2.000 entrevistas presenciais. Os dados foram publicados no site oficial da Quaest e repercutidos por veículos como O Globo, Folha de S.Paulo e G1. A pesquisa foi paga pela própria Quaest, conforme determina a legislação eleitoral brasileira, e os resultados completos estão disponíveis no repositório de dados do TSE. Não foram utilizadas informações de fontes anônimas ou não verificadas.
Por Renan Filho · 2026-09-29