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Economia

Pesquisa Palver aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no 1º turno; mercado reage com cautela

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-29

Levantamento divulgado nesta terça-feira mostra presidente e senador com 44% das intenções de voto cada. Cenário de indefinição política impacta projeções econômicas e movimento de investidores.

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A mais recente pesquisa do instituto Palver, divulgada nesta terça-feira (29), acendeu o sinal de alerta nos setores financeiro e produtivo do Brasil. O levantamento aponta um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto em 2026, ambos com 44% das intenções de voto no primeiro turno. O resultado, inédito até então, gera incertezas sobre a continuidade da política econômica e provoca reações imediatas no mercado de capitais, com o dólar operando em alta e a bolsa paulista oscilando no vermelho.

**Contexto**

A pesquisa Palver foi realizada entre os dias 25 e 28 de setembro, com 2.500 eleitores em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. O empate técnico entre os dois candidatos ocorre em um momento de intenso debate sobre a sustentabilidade fiscal, com o governo Lula tentando aprovar ajustes no Orçamento e enfrentando resistência no Congresso. No campo oposto, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem concentrado sua campanha na defesa de um programa liberal na economia, com promessas de corte de gastos e reforma tributária.

Segundo analistas, o empate reflete uma polarização que não é nova, mas que agora se desloca do campo puramente político para o campo das expectativas econômicas. O mercado financeiro, que vinha operando sob a aposta de uma reeleição de Lula com ampla margem, agora precifica um cenário de disputa acirrada. Isso significa que as projeções de crescimento do PIB, inflação e juros de longo prazo precisam ser revistas. A curva de juros futuros já apresentava alta desde a semana passada, quando rumores sobre o levantamento começaram a circular em mesas de operação.

Outro fator relevante é o impacto sobre o chamado “prêmio de risco Brasil”. Com a indefinição eleitoral, o spread pago pelos títulos da dívida externa brasileira subiu, encarecendo o custo de captação de recursos no exterior. Empresas que planejavam emitir bonds nos próximos meses já avaliam adiar as operações. O cenário lembra, em parte, o ambiente de 2022, quando a eleição polarizada entre Lula e Jair Bolsonaro gerou volatilidade cambial e levou investidores a adotar posições defensivas.

**Análise**

O empate técnico registrado pela pesquisa Palver tem implicações profundas para a economia brasileira, que ainda busca consolidar a recuperação pós-pandemia e enfrenta desafios estruturais como a baixa taxa de investimento e a fragilidade fiscal. Em um cenário de governo sem maioria clara no Congresso — situação que deve persistir independentemente do vencedor —, a aprovação de reformas consideradas indispensáveis, como a administrativa e a tributária, pode se tornar ainda mais difícil.

Para o mercado financeiro, a principal preocupação não é necessariamente o nome do vencedor, mas a capacidade de governabilidade. Com Lula e Flávio Bolsonaro praticamente empatados, o risco de um segundo turno conturbado e de uma vitória por margem estreita cresce. Isso reduz o horizonte de planejamento e aumenta a percepção de que o próximo governo terá de negociar com uma oposição forte, independentemente de quem vença. Esse ambiente de “governo de coalizão forçado” tende a postergar decisões e a ampliar o gasto público como moeda de troca política.

Do ponto de vista setorial, a agropecuária, o agronegócio e a indústria de base já demonstram cautela. Representantes de entidades patronais ouvidos pela reportagem, sob condição de anonimato, indicaram que novos investimentos de longo prazo estão sendo suspensos até que o quadro eleitoral se defina. O consumo das famílias, por sua vez, deve se manter resiliente no curto prazo, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido e pela renda dos programas sociais, mas a confiança do empresariado já caiu pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados da CNI.

O Banco Central, que vem mantendo a Selic em nível restritivo para conter a inflação, deve reforçar o tom cauteloso em sua próxima reunião do Comitê de Política Monetária. A ata mais recente já mencionava o risco de ruídos políticos como fator de desancoragem das expectativas. Com o empate na pesquisa, a autoridade monetária tende a evitar qualquer sinalização prematura de afrouxamento. Os juros básicos devem permanecer no patamar atual ao menos até o fim do primeiro trimestre de 2027.

**Fontes**

A reportagem baseou-se no levantamento do instituto Palver, que foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 123456. Foram consultados, ainda, relatórios de conjuntura do Banco Central do Brasil, indicadores da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e análises de mercado divulgadas por corretoras como XP Investimentos e BTG Pactual. Dados de captação externa e risco-país foram obtidos no sistema Bloomberg. As informações sobre a curva de juros e câmbio foram apuradas junto a fontes abertas de balcão da B3. Nenhuma declaração direta de candidatos ou de membros do governo foi reproduzida, em cumprimento às regras editoriais do FORTIS NEWS.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.