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Uma nova pesquisa do Instituto Gerp, divulgada nesta semana, aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possui 49% de rejeição entre os eleitores brasileiros, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 46%. O levantamento, realizado em âmbito nacional, reforça o cenário de polarização que deve marcar as eleições presidenciais de 2026, com os dois principais polos políticos enfrentando altos índices de resistência popular.
**Contexto**
A pesquisa Gerp entrevistou eleitores em todas as regiões do país entre os dias 10 e 14 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O estudo mediu não apenas a intenção de voto, mas também o índice de rejeição — ou seja, o percentual de eleitores que afirmam não votar de forma alguma em determinado candidato. Esse indicador é considerado por cientistas políticos um dos mais sensíveis para avaliar a viabilidade eleitoral de um nome.
Os números divulgados colocam Lula e Flávio Bolsonaro em patamares próximos de rejeição, mas com leituras distintas. No caso de Lula, a rejeição de 49% reflete o desgaste natural de um governo que completa seu quarto ano de mandato, marcado por disputas com o Congresso, crises na comunicação ministerial e uma oposição que atua fortemente nas redes sociais. Por outro lado, Flávio Bolsonaro, embora seja um nome consolidado no eleitorado bolsonarista, enfrenta resistência fora da bolha ideológica, especialmente entre o eleitorado de centro e de esquerda, que associa sua imagem à herança política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030.
A pesquisa também avaliou a rejeição de outros nomes cotados para 2026, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Os números, embora não detalhados na íntegra nesta primeira rodada de divulgação, indicam que nenhum dos principais pré-candidatos escapa de uma rejeição significativa, o que aponta para uma eleição competitiva e fragmentada.
**Análise**
Os índices de rejeição tão próximos entre Lula e Flávio Bolsonaro sugerem que a eleição de 2026 pode se desenhar em torno do anti-petismo e do anti-bolsonarismo. Esse fenômeno, observado desde 2018, tende a se intensificar à medida que o país se aproxima do pleito. Para Lula, o desafio é reverter a percepção negativa de parte do eleitorado que o culpabiliza pela alta dos preços dos alimentos e pela lentidão na recuperação econômica. Para Flávio Bolsonaro, o desafio é distanciar-se da imagem do pai sem perder o núcleo duro de apoiadores, uma vez que sua rejeição está fortemente associada ao legado das investigações sobre supostas irregularidades em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Outro ponto de atenção é o comportamento dos eleitores que rejeitam ambos. Historicamente, o eleitor que diz "não voto em nenhum" é decisivo no segundo turno, onde a escolha se dá entre duas opções. Se os dois nomes mais prováveis de chegarem ao segundo turno forem Lula e Flávio Bolsonaro, o eleitor será obrigado a optar por um deles — e aquele que conseguir migrar uma parcela maior desses eleitores para o lado do "menos pior" terá vantagem estratégica. Os dados da Gerp mostram que a rejeição, nesse contexto, não é um teto absoluto, mas um espaço de disputa.
A pesquisa Gerp também sinaliza que há um espaço relevante para candidaturas de terceira via, sobretudo se algum nome conseguir articular uma narrativa de renovação e moderação. No entanto, a tradição eleitoral brasileira das últimas duas décadas demonstra que o terceiro candidato raramente consegue furar o bloqueio bipolar. As articulações no centro político, envolvendo partidos como PSD, MDB e PSDB, ainda são incipientes e esbarram na falta de lideranças vocais e em recursos próprios.
**Fontes**
Os dados mencionados nesta matéria foram divulgados pelo Instituto Gerp em sua primeira rodada de pesquisas qualitativas e quantitativas para o cenário eleitoral de 2026. O levantamento completo, incluindo detalhes metodológicos e a íntegra das demais avaliações de nomes, está disponível no site do instituto. A Gerp é uma empresa de pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e realiza levantamentos periódicos contratados por veículos de comunicação e entidades privadas.
Por Renan Filho · 2026-10-16