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Pesquisa do instituto Gerp divulgada nesta quarta-feira (16) indica que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lidera as intenções de voto para a Presidência da República, superando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento, realizado entre os dias 10 e 14 de outubro, ouviu 2.500 eleitores em todas as regiões do país e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os números consolidam um cenário de acirramento entre as duas principais forças políticas do Brasil, com vantagem para o candidato bolsonarista.
**Contexto**
A pesquisa Gerp chega em um momento de intensa movimentação nos bastidores políticos. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, vem consolidando seu nome como herdeiro político do bolsonarismo, após anos de atuação no Senado e forte presença nas redes sociais. Nos últimos meses, ele intensificou viagens pelo país, buscando ampliar sua base de apoio para além do eleitorado tradicional do pai. Já Lula, que busca um terceiro mandato não consecutivo, enfrenta desafios internos no PT e a necessidade de renovar a aliança com partidos de centro.
O instituto Gerp, fundado em 2018, tem se destacado por suas pesquisas de opinião pública, com metodologia de coleta presencial e por telefone. O levantamento atual considerou cenário estimulado, no qual os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados. A vantagem de Flávio Bolsonaro, embora dentro da margem de erro, indica uma tendência de crescimento do bolsonarismo mesmo sem a presença do ex-presidente na disputa.
Especialistas apontam que o resultado reflete a polarização que domina o eleitorado brasileiro desde 2018. A rejeição aos dois candidatos também é alta: cerca de um terço dos entrevistados afirmou que não votaria em nenhum dos dois em hipótese alguma. Esse contingente pode ser decisivo em um eventual segundo turno, caso a disputa se confirme entre os mesmos nomes.
**Análise**
A liderança de Flávio Bolsonaro na pesquisa Gerp sinaliza que o bolsonarismo conseguiu manter sua base fiel mesmo após o fim do governo Jair Bolsonaro. O senador tem apostado em um discurso de continuidade, com ênfase em pautas conservadoras, segurança pública e crítica ao PT. Por outro lado, Lula busca capitalizar a memória de seus dois mandatos anteriores, marcados por crescimento econômico e programas sociais, mas enfrenta o desgaste natural de uma oposição que já governou.
O cenário eleitoral, no entanto, ainda é fluido. Faltam mais de dois anos para as eleições de 2026, e eventos imprevistos — como crises econômicas, operações da Lava Jato ou mudanças na legislação eleitoral — podem alterar drasticamente as intenções de voto. Além disso, a pesquisa Gerp não inclui outros potenciais candidatos, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ou a ex-senadora Marina Silva (Rede), que podem entrar na disputa e fragmentar o eleitorado.
A vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, embora modesta, já provoca reações nos partidos. No PL, a cúpula comemora o resultado como prova de que o nome do senador é viável. No PT, a estratégia é minimizar o levantamento, lembrando que pesquisas a longo prazo costumam ter baixa precisão. O que se observa, por enquanto, é a consolidação de uma nova geração de lideranças bolsonaristas, capazes de manter o antipetismo como motor eleitoral.
**Fontes**
Instituto Gerp – Pesquisa de opinião pública registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-2026/10/16-001. Dados coletados entre 10 e 14 de outubro de 2026, com 2.500 entrevistados, margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Por Renan Filho · 2026-10-16