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Economia

Preocupação com corrupção atinge 82,7% dos brasileiros e acende alerta econômico

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

Levantamento inédito revela que a maioria absoluta da população vê a corrupção como ameaça central ao desenvolvimento do país, com impactos diretos sobre investimentos, produtividade e confiança no ambiente de negócios.

**Lead**

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (2) pelo Painel de Opinião Pública mostra que 82,7% dos brasileiros afirmam estar muito preocupados com a corrupção no Brasil. O levantamento, realizado entre os dias 20 e 28 de setembro com 2.500 entrevistados em todas as regiões do país, aponta que o tema ultrapassou a inflação e o desemprego como principal fonte de ansiedade econômica da população. Os dados reforçam a percepção de que a corrupção sistêmica não é apenas um problema moral ou político, mas um entrave estrutural ao crescimento sustentável da economia brasileira.

**Contexto**

A pesquisa foi conduzida pelo Instituto DataForte, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento perguntou aos participantes: “Qual o seu nível de preocupação com a corrupção no Brasil?”. As respostas possíveis eram “muito preocupado”, “preocupado”, “pouco preocupado” e “não se preocupa”. O índice de 82,7% para “muito preocupado” é o maior já registrado desde o início da série histórica, em 2018. Em 2022, o percentual era de 71,4%; em 2020, 68,9%.

O aumento da preocupação ocorre em um contexto de sucessivos escândalos envolvendo desvios de recursos públicos, fraudes em licitações e esquemas de propina em estatais. Nos últimos dois anos, a Controladoria-Geral da União (CGU) abriu mais de 1.200 processos administrativos disciplinares relacionados a corrupção, e o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou prejuízos superiores a R$ 15 bilhões em contratos públicos sob suspeita. A Operação Lava Jato, embora enfraquecida, ainda repercute na memória coletiva, mas novos casos, como as investigações sobre desvios na área da saúde e na educação, mantêm o tema em evidência.

**Análise**

A corrupção tem custos econômicos diretos e indiretos bem documentados pela literatura. De acordo com estudos do Banco Mundial, países com altos índices de corrupção perdem, em média, 5% do PIB anualmente. No Brasil, estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que a corrupção pode representar entre 2% e 4% do Produto Interno Bruto, o que equivale a algo entre R$ 180 bilhões e R$ 360 bilhões por ano. Esse dinheiro deixa de ser investido em infraestrutura, educação, saúde e inovação, comprometendo a produtividade e a competitividade do país.

Além do impacto fiscal, a corrupção gera incerteza jurídica e eleva o chamado “custo Brasil”. Empresas que operam em ambientes corruptos enfrentam maior risco regulatório, necessidade de pagamento de propinas disfarçadas e distorções na concorrência. Isso afasta investidores estrangeiros e inibe o capital produtivo nacional. A pesquisa do DataForte/USP mostra que 73% dos entrevistados consideram que a corrupção é o principal obstáculo para a atração de investimentos externos. Esse dado é consistente com o ranking de percepção de corrupção da Transparência Internacional, em que o Brasil ocupa a 94ª posição entre 180 países, atrás de nações como Botswana, Costa Rica e Uruguai.

A preocupação generalizada também tem reflexos no comportamento do consumidor e do eleitor. Quando a confiança nas instituições cai, o consumo se retrai e a poupança aumenta, reduzindo o dinamismo econômico. A pesquisa indica que 68% dos brasileiros afirmam que deixaram de realizar algum investimento ou compra de maior valor nos últimos 12 meses por desconfiança em relação ao uso do dinheiro público. Esse fenômeno é conhecido como “efeito desconfiança” e pode prolongar ciclos de recessão ou estagnação.

**Fontes**

- Instituto DataForte / Universidade de São Paulo (USP) – Pesquisa de Opinião Pública sobre Corrupção, setembro de 2026. - Controladoria-Geral da União (CGU) – Relatório de Processos Administrativos Disciplinares, 2024-2026. - Tribunal de Contas da União (TCU) – Levantamento de Prejuízos em Contratos Públicos, 2025. - Banco Mundial – Estudo “Custos Econômicos da Corrupção”, 2023. - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) – Nota Técnica sobre Corrupção e PIB, 2025. - Transparência Internacional – Índice de Percepção da Corrupção 2025.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.