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A bancada evangélica na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) sofreu uma redução significativa em sua representação após as eleições gerais de 2026. Vários deputados que integravam o grupo não conseguiram a reeleição, refletindo uma mudança no perfil do eleitorado paulista e reconfigurando o equilíbrio de forças na Casa. O fenômeno, embora de natureza política, carrega implicações econômicas diretas, especialmente na tramitação de projetos que envolvem orçamento, incentivos fiscais e regulamentação de setores sensíveis à agenda religiosa.
**Contexto**
Historicamente, a bancada evangélica na Alesp exerceu influência em pautas que vão desde a educação sexual nas escolas até a destinação de verbas para organizações confessionais. Nos últimos mandatos, o grupo foi um dos pilares de sustentação de governos estaduais, apoiando medidas de austeridade fiscal em troca de concessões em áreas como assistência social e cultura. A perda de cadeiras, observada nas urnas de 2026, interrompe uma trajetória de crescimento que vinha desde o início da década de 2010.
Especialistas apontam que o eleitorado evangélico, embora ainda numeroso, tornou-se mais fragmentado e menos disciplinado em relação ao voto de legenda. A ascensão de novas lideranças políticas, muitas delas ligadas a pautas econômicas liberais ou a movimentos identitários, contribuiu para dispersar os votos que antes se concentravam em candidatos da bancada. Além disso, a atuação de grupos de fiscalização e transparência expôs casos de má gestão de recursos públicos por parte de parlamentares ligados a igrejas, o que pode ter influenciado a decisão do eleitor.
A Alesp é a maior assembleia legislativa do país, com 94 deputados. A bancada evangélica, que em legislaturas anteriores chegou a reunir cerca de um terço das cadeiras, agora vê seu contingente encolher. Embora números exatos dependam da apuração final do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a tendência de queda é confirmada por analistas políticos que acompanham o processo eleitoral paulista.
**Análise**
Do ponto de vista econômico, a redução da bancada evangélica na Alesp pode ter efeitos em várias frentes. A primeira delas é a tramitação do orçamento estadual. Historicamente, o grupo negociava emendas parlamentares e destinações específicas para entidades religiosas, muitas vezes em detrimento de investimentos em infraestrutura produtiva. Com menos força, essas emendas tendem a perder prioridade, liberando recursos para áreas como transporte, logística e inovação — setores que o governo estadual vem tentando impulsionar para atrair investimentos privados.
Outro ponto sensível é a regulamentação de atividades econômicas que esbarram em valores morais. Projetos de lei sobre jogos de azar, exploração de cassinos, horário de funcionamento do comércio aos domingos e feriados religiosos sempre encontraram forte resistência da bancada. Com a perda de representatividade, abre-se espaço para debates mais técnicos e menos ideológicos, o que pode facilitar a aprovação de medidas que ampliem o ambiente de negócios no estado. São Paulo, maior economia do país, depende de um marco regulatório moderno para competir globalmente.
Além disso, a relação entre o governo estadual e o federal pode ser impactada. A bancada evangélica paulista mantinha canais diretos com o Palácio do Planalto, especialmente em temas como reforma tributária e previdenciária. Com menos deputados, a influência do grupo nas negociações interestaduais diminui, o que pode levar a uma reconfiguração das alianças partidárias na Alesp. Partidos de centro e centro-direita, que antes dependiam do apoio evangélico para aprovar projetos, agora precisarão buscar novos arranjos, possivelmente com legendas mais focadas em desenvolvimento econômico.
**Fontes**
As informações deste artigo baseiam-se em dados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a composição da Alesp após as eleições de 2026, em análises de cientistas políticos da Universidade de São Paulo (USP) e em reportagens de veículos como a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, que acompanharam a apuração. Não foram utilizados números absolutos não verificados, apenas a tendência observada por fontes abertas e especialistas consultados.
Por Renan Filho · 2026-10-07