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Internacional

Presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta julgamento no Senado nesta sexta-feira; decisão pode afetar relações com o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-06

O Senado paraguaio julga nesta sexta-feira o presidente Santiago Peña por suposta violação de deveres constitucionais. O desfecho pode redefinir a parceria estratégica com o Brasil, especialmente em temas como energia de Itaipu e comércio bilateral.

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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta nesta sexta-feira um julgamento político no Senado que pode resultar em sua destituição. A sessão, convocada por parlamentares da oposição, ocorre em meio a acusações de que Peña teria excedido suas atribuições ao negociar acordos com o Brasil sem a devida aprovação legislativa. O caso tem gerado forte expectativa em Brasília, onde o governo brasileiro acompanha de perto os desdobramentos, dada a importância do Paraguai como parceiro no Mercosul e na gestão da usina hidrelétrica de Itaipu.

**Contexto**

O processo contra Peña foi iniciado em outubro, quando um grupo de senadores da oposição protocolou uma denúncia alegando que o presidente teria violado a Constituição ao firmar entendimentos com o governo brasileiro sobre a revisão do Tratado de Itaipu sem submeter o texto ao Congresso. O tratado, assinado em 1973, rege a operação da maior hidrelétrica do mundo em geração de energia, e qualquer alteração exige aprovação parlamentar nos dois países. Peña, que assumiu em agosto de 2023, sempre defendeu que as negociações com o Brasil eram de caráter preliminar e não vinculantes.

A crise política se intensificou nas últimas semanas, com protestos de rua em Assunção e declarações inflamadas de líderes partidários. O Senado, composto por 45 membros, precisa de maioria simples para aprovar a abertura do julgamento e de dois terços para condenar o presidente. A oposição conta com 22 senadores, mas ainda busca convencer independentes e dissidentes do partido governista Colorado. O governo brasileiro, por sua vez, manteve silêncio oficial, mas fontes diplomáticas indicam que o Palácio do Itamaraty prepara cenários para uma eventual mudança de comando em Assunção.

**Análise**

O julgamento de Peña ocorre em um momento delicado para as relações bilaterais. O Brasil depende do Paraguai para a estabilidade do fornecimento de energia elétrica – cerca de 10% da energia consumida no Brasil vem de Itaipu – e para a manutenção de acordos comerciais no Mercosul. Uma eventual destituição de Peña poderia atrasar negociações em andamento, como a revisão do Anexo C do tratado de Itaipu, que define as bases financeiras da usina. Além disso, o Paraguai é um dos principais destinos de investimentos brasileiros no setor de agronegócio e infraestrutura.

Analistas políticos apontam que o julgamento reflete uma disputa interna no Paraguai entre setores que defendem maior autonomia em relação ao Brasil e aqueles que veem na parceria com o vizinho um caminho para o desenvolvimento. Peña, que pertence à ala mais pragmática do Partido Colorado, tem buscado equilibrar as demandas nacionalistas com a necessidade de manter boas relações com Brasília. Caso seja condenado, o vice-presidente Pedro Alliana assumiria o cargo, o que poderia representar uma guinada mais conservadora e menos alinhada ao Brasil.

**Fontes**

As informações foram baseadas em reportagens da agência Reuters, do jornal paraguaio ABC Color e do portal de notícias UOL, além de comunicados oficiais do Senado do Paraguai e do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Dados sobre a geração de Itaipu são provenientes do relatório anual da usina (2024).

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Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.