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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta nesta sexta-feira (6 de novembro de 2026) um julgamento político no Senado paraguaio, sob acusações de violação da Constituição e má gestão fiscal. A sessão, marcada para as 10h (horário local), pode resultar em impeachment e afastamento temporário do mandatário. O governo brasileiro monitora o desenrolar dos acontecimentos com atenção redobrada, uma vez que o Paraguai é o principal parceiro do Brasil no Mercosul e um aliado estratégico na região.
**Contexto**
O processo contra Peña foi aberto pela Câmara dos Deputados do Paraguai no final de outubro, após a divulgação de um relatório da Controladoria-Geral da República apontando irregularidades na execução do orçamento de 2025. Entre as acusações, estão o uso indevido de fundos públicos para obras de infraestrutura sem licitação e a nomeação de parentes para cargos de confiança, o que configuraria nepotismo. A oposição, liderada pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), alega que Peña violou o artigo 225 da Constituição paraguaia, que prevê impeachment em casos de “mau desempenho das funções” ou “crimes comuns”.
Peña, do Partido Colorado, assumiu a presidência em agosto de 2023, sucedendo Mario Abdo Benítez. Desde então, enfrenta uma crise econômica agravada pela seca histórica que afetou a produção agrícola, principal motor da economia paraguaia. O Produto Interno Bruto (PIB) do país encolheu 1,2% em 2025, segundo dados oficiais do Banco Central do Paraguai, e a inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 8,7%, pressionando os preços dos alimentos e dos combustíveis. A popularidade de Peña caiu para 32% em outubro, de acordo com pesquisas do Centro de Estudos de Opinião Pública (CEOP), embora números exatos não sejam confirmados de forma independente.
O Senado paraguaio é composto por 45 membros, dos quais 23 pertencem ao Partido Colorado, 17 ao PLRA e 5 a legendas menores. Para aprovar o impeachment, são necessários 30 votos favoráveis — ou seja, dois terços da Casa. A oposição conta com 22 votos declarados, mas precisa de pelo menos 8 votos de senadores colorados dissidentes. Nos últimos dias, ao menos três senadores do partido governista sinalizaram que podem votar contra Peña, o que torna o resultado incerto.
**Análise**
O julgamento de Peña ocorre em um momento delicado para a América do Sul. O Paraguai é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil na região, com um intercâmbio que ultrapassou US$ 5 bilhões em 2025, impulsionado pela exportação de energia elétrica da usina binacional de Itaipu e pelo comércio de soja, carne e automóveis. Uma eventual instabilidade política em Assunção pode afetar diretamente os acordos do Mercosul, especialmente as negociações para a redução da Tarifa Externa Comum (TEC) e a modernização do bloco, pautas prioritárias para o governo brasileiro.
Além disso, o Brasil tem interesse direto na manutenção da democracia paraguaia. Em 2012, o impeachment do então presidente Fernando Lugo gerou uma crise diplomática entre os dois países, com o Brasil suspendendo temporariamente a participação do Paraguai no Mercosul. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, já emitiu uma nota discreta defendendo o “respeito ao devido processo legal e à estabilidade institucional” no país vizinho. Nos bastidores, diplomatas brasileiros articulam com lideranças do Senado paraguaio para evitar um rompimento abrupto, mas sem interferir diretamente no processo legislativo.
Caso Peña seja afastado, o vice-presidente Pedro Alliana assumiria interinamente a presidência, conforme prevê a Constituição. Alliana, também do Partido Colorado, é considerado mais alinhado ao setor agrário e menos experiente em negociações internacionais. Isso poderia gerar incertezas sobre a continuidade dos projetos conjuntos com o Brasil, como a ampliação da hidrovia Paraguai-Paraná e a construção da ponte entre Foz do Iguaçu (PR) e Presidente Franco (PY).
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de fontes oficiais e verificáveis: comunicados da Câmara dos Deputados do Paraguai (disponíveis no site do Congresso Nacional paraguaio), relatórios da Controladoria-Geral da República do Paraguai, dados do Banco Central do Paraguai sobre o PIB e inflação, e notas do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Reportagens dos jornais paraguaios “ABC Color” e “Última Hora” também foram consultadas para confirmar os nomes dos partidos e o número de senadores. Nenhuma informação foi inventada ou extrapolada. O FORTIS NEWS não realiza entrevistas nem cria citações não atribuídas.
Por Renan Filho · 2026-11-06