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Política

“Exercerei meu direito à defesa”, diz Peña sobre impeachment que afeta relações com Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-05

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que usará todos os instrumentos legais para se defender do processo de impeachment aberto no Congresso. A crise política em Assunção preocupa o governo brasileiro devido a acordos bilaterais estratégicos.

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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, declarou nesta quarta-feira (5) que “exercerei meu direito à defesa” diante do pedido de impeachment apresentado por parlamentares da oposição no Congresso paraguaio. A afirmação foi feita em entrevista coletiva no Palácio de López, em Assunção, e ocorre em meio a acusações de supostas irregularidades na contratação de consultorias internacionais. O caso ganhou contornos diplomáticos porque o Brasil, principal parceiro comercial e vizinho do Paraguai, acompanha com atenção os desdobramentos, especialmente por causa da gestão conjunta da usina hidrelétrica de Itaipu.

**Contexto**

O pedido de impeachment contra Peña foi protocolado na última segunda-feira por uma coalizão de partidos de oposição, que alega violação da Lei de Licitações e improbidade administrativa. Os parlamentares apontam que o presidente teria autorizado pagamentos a empresas de consultoria sem o devido processo licitatório, em valores que ultrapassam o equivalente a US$ 20 milhões. Peña nega as acusações e classificou o movimento como “tentativa de golpe parlamentar”.

O processo tramita na Câmara dos Deputados do Paraguai, onde o governo ainda conta com maioria, mas a oposição tenta angariar apoio de dissidentes. Para que o impeachment seja admitido, são necessários votos de dois terços dos deputados. Caso aprovado, o Senado julgaria o presidente, podendo afastá-lo do cargo.

A crise política em Assunção não é inédita. O Paraguai já viveu processos de impeachment em 2012, quando o então presidente Fernando Lugo foi destituído em um controverso julgamento relâmpago. Na ocasião, o Brasil, sob a presidenta Dilma Rousseff, criticou a rapidez do processo e chegou a convocar o embaixador para consultas. Agora, o governo Lula adota tom cauteloso, mas fontes diplomáticas indicam que há preocupação com a estabilidade institucional paraguaia.

**Análise**

A declaração de Peña de que exercerá o direito de defesa sinaliza que o presidente não pretende renunciar e que o embate político deve se prolongar. Isso pode gerar incertezas em setores estratégicos da economia bilateral. O Paraguai é o quarto maior fornecedor de energia elétrica ao Brasil por meio de Itaipu, e qualquer instabilidade em Assunção pode afetar negociações sobre o preço da energia e investimentos conjuntos.

Além disso, o Brasil é o principal destino das exportações paraguaias, especialmente de soja, carne e energia. Uma crise prolongada poderia atrasar projetos de infraestrutura na fronteira, como a ponte entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco, que depende de acordos bilaterais. O governo brasileiro já manifestou, por meio do Itamaraty, “confiança nas instituições paraguaias”, mas nos bastidores há receio de que o impeachment seja usado como instrumento de desestabilização.

Outro ponto relevante é o impacto no Mercosul. O Paraguai exerce a presidência pro tempore do bloco até o fim do ano, e a crise pode paralisar a agenda de negociações comerciais com a União Europeia e outros parceiros. Peña tem sido um defensor da abertura econômica, e sua eventual saída poderia alterar o equilíbrio de forças dentro do bloco.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de declarações oficiais da Presidência do Paraguai, transmitidas ao vivo pela televisão estatal, e de reportagens da agência de notícias EFE e do jornal paraguaio ABC Color. Dados sobre o processo legislativo foram confirmados pela Secretaria de Comunicação do Congresso do Paraguai. A posição do governo brasileiro foi extraída de nota oficial do Ministério das Relações Exteriores, divulgada no site do Itamaraty.

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Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.