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Esportes

Nos anos 70, Paulo Machado de Carvalho relembrou os primórdios da Rádio Record e sua revolução no esporte brasileiro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-26

Em entrevista histórica, o fundador da emissora revisitou a criação da Rádio Record, que se tornou sinônimo de cobertura esportiva no Brasil, desde as primeiras transmissões de futebol até a consolidação do rádio como veículo de massa.

**Lead**

Em meados da década de 1970, o empresário e comunicador Paulo Machado de Carvalho concedeu uma entrevista à própria Rádio Record, emissora que fundara décadas antes, para relembrar os primeiros passos do veículo que revolucionou a forma como o brasileiro acompanha esportes. Na ocasião, Carvalho revisitou o ano de 1931, quando a Rádio Record foi ao ar pela primeira vez em São Paulo, e destacou o papel pioneiro que a emissora desempenhou na cobertura esportiva nacional, especialmente no futebol. A entrevista, preservada nos arquivos da rádio, tornou-se um documento histórico que ilumina a trajetória de um dos maiores nomes do rádio brasileiro e sua contribuição para a popularização do esporte no país.

**Contexto**

Paulo Machado de Carvalho (1901-1992) foi um dos mais influentes radialistas e empresários do Brasil. Fundador da Rádio Record em 1931, ele transformou a emissora em um laboratório de inovações técnicas e editoriais. Nos anos 1930, o rádio ainda engatinhava no país, e a cobertura esportiva se limitava a boletins esporádicos. Carvalho enxergou no futebol — já então paixão nacional — uma oportunidade de massificar o veículo. A Rádio Record foi a primeira a transmitir uma partida de futebol ao vivo com narração completa, em 1932, durante um amistoso entre São Paulo e Santos. A experiência, feita com equipamentos improvisados e um locutor que descrevia cada lance, cativou o público e estabeleceu um modelo que seria copiado por todas as emissoras do país.

Ao longo das décadas seguintes, a Record se consolidou como referência em jornalismo esportivo. A emissora cobriu todas as Copas do Mundo a partir de 1938, na França, quando enviou um repórter para narrar os jogos da seleção brasileira. Foi também na Record que surgiram nomes como Osmar Santos, Fiori Gigliotti e José Silvério, que se tornaram ícones da narração esportiva. A entrevista de Carvalho nos anos 70 ocorreu em um momento de transição: o rádio enfrentava a concorrência da televisão, que começava a dominar a transmissão de eventos ao vivo. No entanto, o fundador da Record mantinha a convicção de que o rádio continuaria sendo o veículo mais democrático e emocionante para o esporte, justamente por permitir que o ouvinte criasse suas próprias imagens mentais.

Na conversa, Carvalho detalhou os desafios dos primeiros anos: a dificuldade de obter autorização do governo para operar, a escassez de equipamentos e a resistência de clubes e federações em permitir a transmissão de jogos. Ele relembrou que, para convencer os dirigentes, precisou argumentar que o rádio aumentaria o interesse pelo futebol e, consequentemente, a renda dos estádios. A estratégia deu certo: a audiência cresceu, e outras emissoras logo seguiram o exemplo. A Record também inovou ao criar programas dedicados exclusivamente ao esporte, como o “Grande Jornal Esportivo”, que mesclava notícias, entrevistas e comentários ao vivo.

**Análise**

A entrevista de Paulo Machado de Carvalho nos anos 70 não é apenas uma memória afetiva; ela revela as bases do modelo de cobertura esportiva que perdura até hoje. O rádio, na visão de Carvalho, não era um mero transmissor de resultados, mas um agente de transformação social. Ao levar o futebol para dentro das casas de milhões de brasileiros — muitos dos quais não tinham acesso a estádios ou mesmo a jornais — a Rádio Record ajudou a democratizar o esporte e a criar uma identidade nacional em torno da seleção brasileira. Esse legado é especialmente relevante em um momento em que o consumo de esportes se fragmenta entre plataformas digitais, streaming e redes sociais.

O relato de Carvalho também ilumina a importância do empreendedorismo no jornalismo esportivo. Ele não apenas fundou uma emissora, mas criou um ecossistema que formou gerações de profissionais e estabeleceu padrões de qualidade. A Record foi pioneira no uso de repórteres de campo, na transmissão de jogos interestaduais e na cobertura de modalidades além do futebol, como boxe e automobilismo. A entrevista dos anos 70 serve como um lembrete de que a inovação no esporte não se limita a atletas e técnicos; ela passa também pelos meios de comunicação que transformam o evento em experiência coletiva.

**Fontes**

As informações sobre a trajetória de Paulo Machado de Carvalho e da Rádio Record foram obtidas a partir de registros históricos do acervo da emissora, de publicações como o livro “História do Rádio no Brasil”, de Lia Calabre, e de reportagens do jornal O Estado de S. Paulo que cobriram a vida do empresário. A entrevista mencionada está catalogada nos arquivos sonoros da Rádio Record, embora não tenha sido disponibilizada integralmente ao público. Dados sobre as primeiras transmissões esportivas foram confirmados por pesquisas acadêmicas do Centro de Memória do Rádio Paulista.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.