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Em um movimento que abala o cenário político israelense, o partido ultraortodoxo Shas anunciou nesta quarta-feira a retirada de seu apoio ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, complicando significativamente a formação de um novo governo. A decisão, comunicada pelo líder do partido, rabino Aryeh Deri, ocorre em meio a negociações tensas sobre a alocação de recursos e a influência de setores religiosos na coalizão. A crise política, que já se arrasta por meses, agora ameaça mergulhar o país em uma nova rodada de eleições.
**Contexto**
O Shas, que representa a comunidade judaica ultraortodoxa sefardita, é um dos pilares históricos das coalizões de Netanyahu. Com 11 cadeiras no Knesset, o partido tem sido um aliado fiel, garantindo a maioria necessária para aprovar leis e formar governos. No entanto, as negociações para a formação do novo governo, após as eleições de novembro, esbarraram em divergências profundas. O Shas exige a aprovação de uma lei que isente os estudantes das yeshivot (escolas religiosas) do serviço militar obrigatório, uma demanda que enfrenta forte oposição de partidos laicos e de setores da sociedade israelense.
Netanyahu, que busca um sexto mandato, depende de uma coalizão de partidos de direita e religiosos para governar. Sem o apoio do Shas, ele perde a maioria no parlamento, que atualmente é de 64 cadeiras (contra 56 da oposição). A retirada do partido reduz essa vantagem para 53 cadeiras, tornando inviável a aprovação de leis e a formação de um governo estável. A situação é agravada pela recusa do partido de extrema-direita Otzma Yehudit, liderado por Itamar Ben-Gvir, em ceder em suas próprias demandas, como a expansão de assentamentos na Cisjordânia.
A crise política em Israel não é nova. Nos últimos anos, o país realizou cinco eleições em menos de quatro anos, refletindo a fragmentação do sistema partidário. A polarização entre setores religiosos e seculares, somada às divisões sobre a questão palestina e a reforma judicial, tem paralisado o governo. A retirada do Shas é mais um capítulo nessa novela, que já levou o país a um impasse sem precedentes.
**Análise**
A decisão do Shas tem implicações profundas para a política israelense e para a região. Sem uma coalizão estável, Netanyahu terá dificuldades para avançar com sua agenda, que inclui a anexação de partes da Cisjordânia e a expansão de assentamentos. A crise também enfraquece a posição de Israel nas negociações com os Estados Unidos e com os países árabes, que esperam um governo forte para avançar nos Acordos de Abraão.
Para o Brasil, a instabilidade em Israel é um fator de preocupação, especialmente no campo dos esportes. Israel é um parceiro importante em competições internacionais, como as Olimpíadas e a Copa do Mundo, e a crise política pode afetar a participação de atletas israelenses em eventos no Brasil. Além disso, a comunidade judaica brasileira, que tem fortes laços com Israel, acompanha com apreensão os desdobramentos, temendo que a instabilidade política possa gerar ondas de violência na região.
A retirada do Shas também levanta questões sobre o futuro da democracia israelense. A dependência de partidos religiosos para formar governo tem sido criticada por setores laicos, que veem nisso uma ameaça à separação entre religião e Estado. A crise atual pode levar a uma reforma do sistema político, com a adoção de um modelo de governo mais estável, como o presidencialismo. No entanto, as chances de uma mudança tão radical são remotas, dado o poder dos partidos religiosos.
**Fontes**
As informações foram obtidas de fontes oficiais do governo israelense, incluindo comunicados do partido Shas e do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Dados sobre a composição do Knesset foram fornecidos pelo site oficial do parlamento israelense. Análises adicionais foram baseadas em reportagens do jornal Haaretz e da agência Reuters, que cobrem a política israelense em profundidade.
Por Renan Filho · 2026-11-05