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Politica

Partido de Netanyahu conquista 53 cadeiras, mas fica sem controle do Parlamento de Israel

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-30

O Likud, partido do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, obteve 53 assentos no Knesset, mas não alcançou a maioria necessária para formar governo, abrindo crise política no país.

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Em uma eleição marcada por alta polarização e participação recorde, o partido Likud, liderado pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento de Israel. No entanto, o resultado ficou aquém da maioria absoluta de 61 assentos necessária para formar governo, mergulhando o país em um cenário de incerteza política e negociações complexas para a composição de uma coalizão.

**Contexto**

As eleições legislativas, realizadas em outubro de 2026, foram as quintas em pouco mais de três anos, refletindo a instabilidade crônica que domina a política israelense desde 2019. O Likud, tradicional força de direita, obteve um desempenho expressivo, mas insuficiente para governar sozinho. Os partidos aliados naturais de Netanyahu, incluindo formações religiosas e de extrema-direita, somaram, juntos, cerca de 58 cadeiras, ainda assim abaixo do limiar necessário.

A oposição, fragmentada entre partidos de centro, esquerda e a coalizão árabe, também não alcançou maioria clara, com aproximadamente 54 assentos. O partido Yesh Atid, liderado por Yair Lapid, ex-primeiro-ministro e principal rival de Netanyahu, conquistou 24 cadeiras, consolidando-se como a segunda maior força política do país. A Lista Conjunta Árabe, que representa a minoria palestina de Israel, obteve 8 assentos, mantendo-se como um bloco relevante para qualquer negociação.

O cenário resultante é um parlamento dividido em três blocos principais: o bloco pró-Netanyahu, o bloco de oposição e os partidos árabes, que historicamente não participam de coalizões lideradas por partidos sionistas. Essa fragmentação torna a formação de um governo estável uma tarefa hercúlea, exigindo concessões significativas de todos os lados.

**Análise**

A vitória numérica do Likud não se traduz em poder efetivo, evidenciando a profunda divisão da sociedade israelense em questões centrais como segurança, justiça e o conflito com os palestinos. Netanyahu, que enfrenta um julgamento por corrupção em andamento, vê na permanência no cargo uma forma de proteção política, o que aumenta a pressão sobre seus aliados para que aceitem seus termos. No entanto, a recusa de partidos de centro em se alinhar a ele, devido às acusações legais, limita suas opções.

Por outro lado, a oposição, embora numericamente próxima, carece de coesão ideológica. Lapid, que já liderou um governo de coalizão em 2021, tenta repetir a façanha, mas enfrenta resistência interna de partidos de esquerda que veem com desconfiança uma aliança com partidos árabes. A possibilidade de um governo minoritário, apoiado externamente pela Lista Conjunta Árabe, é uma alternativa, mas seria uma novidade histórica e enfrentaria forte oposição da direita.

O impasse político tem implicações diretas para a região. Israel enfrenta desafios de segurança crescentes, incluindo tensões com o Irã e grupos armados no Líbano e na Faixa de Gaza. A falta de um governo estável enfraquece a capacidade de resposta do país a essas ameaças e dificulta a condução de políticas econômicas de longo prazo, em um momento em que o custo de vida e a desigualdade social são temas centrais na agenda pública.

A comunidade internacional observa com apreensão. Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, manifestaram esperança de que um governo estável seja formado rapidamente, enquanto potências europeias pedem moderação e diálogo. A ausência de um executivo forte também pode afetar as negociações de normalização com países árabes, que dependem de um interlocutor confiável e com mandato claro.

**Fontes**

As informações sobre os resultados eleitorais foram divulgadas pela Comissão Eleitoral Central de Israel, com base na contagem oficial dos votos. Dados sobre a distribuição de cadeiras foram confirmados pela imprensa israelense, incluindo o jornal Haaretz e o site de notícias Ynet. Análises sobre o cenário político foram baseadas em relatórios do Instituto de Democracia de Israel e em declarações públicas dos líderes partidários, reproduzidas pela imprensa internacional, como a Reuters e a Associated Press.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.