Em meio ao Pantanal de ineficiência que afoga a União, dois estados emergem como faróis de gestão pública. Paraná e São Paulo, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados 2026 do CLP (Centro de Liderança Pública), ocupam as primeiras posições em eficiência da máquina pública. Os dados, divulgados no fim de agosto, mostram que o caminho da prosperidade não passa por Brasília: passa pela coragem de enfrentar o atraso.
O modelo paulista é o da metrópole globalizada. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apostou na concessão de serviços à iniciativa privada e na digitalização de processos. Conforme nota oficial do governo do estado, a Secretaria da Fazenda reduziu em 40% o tempo médio para abertura de empresas em 2025, sem perder arrecadação. São Paulo não se contentou em ser o motor econômico do país; quer ser o laboratório de reformas que o Congresso não consegue aprovar.
O Paraná, por sua vez, adota a receita da simplicidade. O governador Ratinho Junior (PSD) transformou a Secretaria de Planejamento em uma usina de cortes de burocracia. Segundo dados da Junta Comercial do Paraná, o tempo médio de abertura de empresas no estado caiu para menos de oito horas — contra 56 horas na média nacional. O segredo? Um sistema integrado que elimina a necessidade de despachantes e intermediários. O resultado é um dos menores índices de informalidade do país e um crescimento consistente do PIB per capita, acima da média nacional.
Por que isso importa? O Brasil vive um paradoxo: enquanto o governo federal discute teto de gastos e reforma tributária, os estados mostram que a eficiência é possível sem esperar por Brasília. O Paraná e São Paulo provam que o federalismo fiscal não é uma abstração teórica: é a ferramenta mais poderosa contra o atraso. Quando um estado consegue liberar o empreendedorismo local, ele não só gera riqueza — ele desmoraliza a narrativa de que o Estado precisa estar em tudo.
Análise FORTIS: A lição dos dois estados é clara. O modelo paranaense, com foco em desburocratização e disciplina fiscal, é o que mais se aproxima de uma verdadeira revolução liberal. Ele não depende de grandes investimentos em tecnologia ou de mega-concessões: depende, sobretudo, de vontade política para cortar o excesso de regulação. São Paulo, embora tenha avançado, ainda carrega o peso de uma estrutura estatal gigante. O mérito de Tarcísio foi usar a tecnologia para mitigar o dano — mas o ideal seria reduzir o próprio Estado.
Contraponto: Críticos apontam que o modelo paranaense pode ser difícil de replicar em estados maiores e mais complexos, como São Paulo. Especialistas em administração pública, como o professor da FGV-SP Fernando Abrucio, alertam que a desburocratização sozinha não resolve problemas de infraestrutura e educação. A ressalva tem mérito: a eficiência administrativa é condição necessária, mas não suficiente. O que os dois estados mostram, no entanto, é que o primeiro passo é sempre o mesmo: remover as pedras que o Estado coloca no caminho do cidadão.
Para o Brasil, a mensagem é brutal. Enquanto o governo Lula insiste em aumentar os gastos e a máquina pública, Paraná e São Paulo demonstram que a saída não é mais Estado — é menos. Os dados do CLP não mentem: eficiência não é questão de ideologia, mas de competência. E competência, em tempos de crise fiscal, é o nome que se dá à coragem de fazer o que precisa ser feito.
Por Renan Filho · 2026-09-21