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Opiniao

Ricardo Nunes na campanha de Flávio Bolsonaro: ponte com o centro ou risco eleitoral?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-20

Prefeito de São Paulo assume papel estratégico na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, mas enfrenta o desafio de equilibrar o apoio ao bolsonarismo com sua base de centro.

**Lead**

A menos de duas semanas do segundo turno das eleições estaduais em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) consolidou-se como um dos principais articuladores da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao governo do estado. Em eventos públicos e reuniões fechadas, Nunes tem atuado como ponte entre o candidato bolsonarista e setores do centrão e do empresariado paulista, tentando ampliar o leque de alianças para além da base ideológica mais radical. A movimentação, observada por analistas políticos, ocorre em um momento em que a disputa estadual se tornou um dos principais termômetros nacionais para as eleições presidenciais de 2026.

**Contexto**

A aproximação entre Ricardo Nunes e Flávio Bolsonaro não é recente. Desde a eleição municipal de 2024, quando Nunes venceu no primeiro turno com apoio explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro, os dois construíram uma relação pragmática. Nunes, que governa a maior cidade do país com uma coalizão que inclui desde o PL até partidos de centro como PSD e União Brasil, sempre evitou um alinhamento automático com o bolsonarismo mais radical, mas reconheceu a importância do apoio do ex-presidente para sua vitória. Agora, na campanha estadual, esse capital político está sendo transferido para Flávio, que busca suceder o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro.

A estratégia de Nunes, segundo observadores, é dupla. Por um lado, ele tenta garantir que a máquina municipal — que inclui uma vasta rede de contatos com prefeitos da região metropolitana e do interior — seja mobilizada em favor de Flávio. Por outro, ele procura dar um verniz de moderação à campanha, atraindo eleitores que votaram nele em 2024, mas que ainda resistem ao sobrenome Bolsonaro. Essa tentativa de equilíbrio, no entanto, tem gerado tensões internas. Parte do entorno de Flávio pressiona por um tom mais agressivo contra o adversário, enquanto aliados de Nunes defendem uma abordagem mais institucional, focada em entregas e gestão.

**Análise**

O papel de Ricardo Nunes na campanha de Flávio Bolsonaro pode ser decisivo em dois cenários distintos. No primeiro, se Flávio vencer, Nunes se credencia como um dos principais fiadores da transição e ganha ainda mais peso no cenário nacional, podendo se tornar um nome viável para a disputa presidencial de 2026 ou para um ministério em um eventual governo bolsonarista. No segundo, se Flávio perder, Nunes pode ser culpabilizado pela derrota, especialmente se a avaliação interna for de que ele não conseguiu transferir integralmente sua popularidade na capital para o candidato do PL. Em ambos os casos, o prefeito sai fortalecido ou enfraquecido, mas nunca indiferente.

A complexidade dessa aliança aumenta quando se observa o cenário nacional. Jair Bolsonaro, inelegível até 2030, depende de seus filhos e aliados para manter o projeto de poder. Flávio, como senador e filho mais velho, é uma peça central nessa engrenagem. Uma vitória em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, daria ao clã Bolsonaro uma base territorial sólida para os próximos anos. Nunes, ao se associar a esse projeto, aposta em um cálculo de longo prazo: mesmo que Flávio não tenha o carisma do pai, o controle do estado e da capital seria um trunfo inestimável para qualquer articulação futura. No entanto, essa aposta também carrega riscos. O eleitorado paulista, historicamente mais moderado, pode rejeitar uma associação explícita com o bolsonarismo mais duro, especialmente em temas como segurança pública e educação, onde Flávio tem adotado um discurso polêmico.

Outro ponto que merece atenção é a relação de Nunes com Tarcísio de Freitas. O atual governador, que deve deixar o cargo para disputar a presidência, tem mantido uma postura de neutralidade formal na sucessão, mas nos bastidores apoia Flávio. Nunes, por sua vez, precisa administrar essa relação sem parecer subserviente. Se Tarcísio for o candidato presidencial do campo bolsonarista em 2026, Nunes pode ser um aliado valioso no estado, mas também um potencial rival se decidir lançar sua própria candidatura ao governo. A campanha atual, portanto, é também um laboratório para essas futuras disputas internas.

**Fontes**

As informações aqui analisadas baseiam-se em reportagens veiculadas pela imprensa nacional, incluindo cobertura de bastidores políticos de veículos como Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo, além de declarações públicas de Ricardo Nunes e Flávio Bolsonaro em eventos de campanha. Não foram utilizadas fontes primárias exclusivas do FORTIS NEWS, e os dados citados são de domínio público, obtidos por meio de registros oficiais e entrevistas concedidas à imprensa. A análise é de caráter opinativo, fundamentada em fatos verificáveis e no contexto político atual, sem a intenção de antecipar resultados ou atribuir intenções não declaradas aos envolvidos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.