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Internacional

Jair Bolsonaro assume papel central na campanha presidencial do filho Flávio e gera repercussão internacional

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-20

Inelegível até 2030, ex-presidente atua como principal cabo eleitoral do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto. A movimentação reacende debates sobre herança política e atrai atenção de governos estrangeiros.

**Lead**

A menos de um ano das eleições presidenciais de 2026, o ex-presidente Jair Bolsonaro consolidou-se como o principal articulador da campanha de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto. Mesmo inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Jair Bolsonaro tem participado ativamente de eventos partidários, encontros com lideranças políticas e mobilizações de rua, exercendo o papel de “padrinho político” da candidatura. A estratégia, que mistura herança ideológica e capital eleitoral, já provoca reações dentro e fora do Brasil, com chancelarias estrangeiras monitorando de perto a possibilidade de retorno de um Bolsonaro ao poder.

**Contexto**

Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE em junho de 2023 por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha de 2022, tornando-se inelegível por oito anos. Desde então, o ex-presidente dedicou-se a fortalecer a base conservadora e a pavimentar o caminho para um sucessor. Flávio Bolsonaro, senador desde 2019 e filho mais velho do ex-presidente, desponta como o nome natural do bolsonarismo para a sucessão. Pesquisas de intenção de voto divulgadas por institutos como Datafolha e Quaest ao longo de 2026 indicam que Flávio figura entre os primeiros colocados na disputa, embora os números variem conforme o cenário e a presença de outros candidatos.

A candidatura de Flávio é oficialmente apoiada pelo Partido Liberal (PL), legenda que abriga a maior parte do bolsonarismo. O partido tenta construir uma aliança ampla com setores do centrão e da direita evangélica, mas enfrenta resistência de alas que preferiam um nome sem o sobrenome Bolsonaro. Jair, por sua vez, tem usado sua influência para costurar acordos e garantir que o filho herde não apenas o eleitorado fiel, mas também a estrutura partidária que ele próprio comandou durante seu mandato.

No plano internacional, a movimentação de Jair Bolsonaro na campanha de Flávio é acompanhada com atenção por governos de países como Estados Unidos, França e Alemanha, além de organismos multilaterais. Durante seu governo (2019-2022), Bolsonaro adotou uma postura alinhada à direita populista global, aproximando-se de líderes como Donald Trump e Viktor Orbán, e foi criticado por sua gestão ambiental e declarações polêmicas. A possibilidade de um novo governo Bolsonaro reacende preocupações sobre o desmatamento da Amazônia, a política externa brasileira e o equilíbrio democrático na região.

**Análise**

O papel de Jair Bolsonaro na campanha do filho vai além do apoio simbólico. Ele atua como fiador da unidade do campo conservador, que sofreu fissuras após a derrota de 2022 e a inelegibilidade. Em eventos públicos, o ex-presidente tem reiterado a necessidade de “continuidade do projeto” e criticado o governo Lula, sem poupar ataques ao Judiciário e ao sistema eleitoral. Essa postura, no entanto, pode ser uma faca de dois gumes: enquanto mobiliza a base mais radical, afasta eleitores moderados e alimenta a rejeição que historicamente acompanha o sobrenome Bolsonaro.

Para analistas políticos, a campanha de Flávio tenta equilibrar dois discursos. De um lado, explora a nostalgia do período bolsonarista, especialmente entre eleitores que aprovam as pautas conservadoras nos costumes e na segurança pública. De outro, busca apresentar Flávio como uma figura mais técnica e menos explosiva que o pai, capaz de dialogar com setores do centro político. A presença constante de Jair, contudo, dificulta esse distanciamento. Em comícios e lives, o ex-presidente frequentemente assume o microfone e dita o tom, ofuscando o candidato.

No cenário internacional, a campanha de Flávio Bolsonaro é vista como um teste para a resiliência do populismo de direita na América Latina. A eventual vitória de um Bolsonaro em 2026 poderia reconfigurar alianças regionais, fortalecendo governos conservadores no Chile, Argentina e Equador, e isolando regimes de esquerda como os de Venezuela e Colômbia. Por outro lado, uma derrota poderia acelerar o declínio do bolsonarismo como força política dominante. Chancelarias europeias e norte-americanas já sinalizaram que monitorarão de perto o processo eleitoral brasileiro, especialmente no que diz respeito à integridade das urnas e ao respeito às instituições.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em reportagens veiculadas por Folha de S.Paulo, O Globo, Reuters e Agência Brasil, além de análises de cientistas políticos como Leonardo Avritzer (UFMG) e Maria do Socorro Braga (UFSCar), publicadas em periódicos acadêmicos e entrevistas à imprensa. Dados sobre inelegibilidade e decisões do TSE foram extraídos do site oficial do tribunal. Pesquisas de intenção de voto mencionadas referem-se a levantamentos dos institutos Datafolha e Quaest divulgados entre janeiro e outubro de 2026.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.