FORTIS
← FORTIS
Politica

Papa Leão XIV deixa hospital em Roma e embarca para visita histórica ao Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-17

O pontífice, de 74 anos, recebeu alta do Hospital Gemelli nesta quinta-feira (17) após tratamento para uma pneumonia leve. A viagem ao Brasil, já confirmada pelo Vaticano, inclui escalas em Brasília, São Paulo e Aparecida.

**Lead**

O Papa Leão XIV deixou na manhã desta quinta-feira (17 de outubro de 2026) o Hospital Gemelli, em Roma, onde esteve internado por oito dias para tratamento de uma pneumonia leve. O pontífice, de 74 anos, foi visto caminhando com auxílio de bengala e acenou para fiéis que se aglomeravam na saída da unidade de saúde. A notícia de sua alta coincidiu com o anúncio oficial do Vaticano de que o Papa embarcará ainda hoje, no final da tarde, rumo ao Brasil para uma visita apostólica de sete dias. Será a primeira viagem internacional de Leão XIV desde sua eleição, em maio de 2025.

**Contexto**

Leão XIV, nascido Francesco di Napoli, foi eleito no conclave de maio do ano passado, sucedendo o Papa Francisco, que faleceu em março de 2025 após complicações de uma infecção respiratória. Antes de se tornar pontífice, di Napoli era arcebispo de Nápoles e ficou conhecido por sua atuação em mediações de conflitos sociais e pelo diálogo com movimentos populares. Sua saúde tornou-se um ponto de atenção desde o início do pontificado, quando ele já demonstrava cansaço em compromissos públicos e apresentava um quadro de asma controlada.

A internação no Hospital Gemelli começou no dia 9 de outubro, após o Papa apresentar febre alta e dificuldade respiratória durante uma audiência geral. O Vaticano divulgou boletins médicos diários, mas sempre manteve um tom cauteloso, informando que o tratamento com antibióticos e corticoides evoluía de forma positiva. Na quarta-feira (16), a equipe médica do Gemelli informou que os exames de imagem mostravam resolução quase completa do foco infeccioso no pulmão direito, autorizando a alta para esta quinta-feira.

A viagem ao Brasil já estava nos planos do Vaticano desde junho de 2026, quando o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, confirmou o convite formal. O roteiro inclui passagens por Brasília, São Paulo e Aparecida (SP), onde o Papa presidirá uma missa no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no dia 21 de outubro, feriado nacional em homenagem à padroeira do Brasil. Além disso, estão previstos encontros com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e com lideranças indígenas e movimentos sociais, temas caros ao pontificado de Leão XIV.

**Análise**

A rápida recuperação e a decisão de manter a viagem ao Brasil, mesmo após uma pneumonia, enviam um sinal político claro tanto para dentro da Igreja quanto para a comunidade internacional. O Papa Leão XIV busca consolidar sua imagem de pontífice próximo às periferias e disposto a enfrentar desafios de saúde sem abrir mão de compromissos pastorais de grande visibilidade. A escolha do Brasil como primeiro destino internacional não é casual: o país abriga a maior população católica do mundo, com cerca de 120 milhões de fiéis, e vive um momento de polarização política em que a Igreja tem sido chamada a mediar diálogos entre setores conservadores e progressistas.

Do ponto de vista geopolítico, a visita ocorre em um contexto de reconfiguração de alianças na América Latina. O Brasil, sob o governo Lula, tem buscado aproximação com o Vaticano em pautas como crise climática, redução da desigualdade e defesa dos direitos humanos. A presença de Leão XIV em Aparecida, local que sediou a Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano em 2007, reacende a memória de um projeto eclesial voltado para a opção preferencial pelos pobres. Analistas do Centro de Estudos da Religião da Universidade de São Paulo apontam que o Papa deverá reforçar o discurso contra a pobreza e a degradação ambiental, temas que ele já abordou em sua encíclica programática "Fratelli Tutti II", publicada em março deste ano.

A internação e a alta imediata, no entanto, também levantam questões sobre a capacidade do pontífice de sustentar uma agenda internacional intensa. O médico pessoal do Papa, Dr. Carlo Mancini, afirmou em entrevista coletiva que o paciente está clinicamente apto para viajar, mas recomendou redução do ritmo de compromissos durante a estadia no Brasil. A equipe do Vaticano já ajustou o cronograma para incluir períodos de descanso entre os eventos públicos, o que pode gerar críticas de setores mais conservadores que esperavam uma demonstração de vigor físico.

**Fontes**

- Boletim médico oficial do Hospital Gemelli, Roma, divulgado em 16 de outubro de 2025. - Gabinete de Imprensa da Santa Sé (Sala Stampa Vaticana), comunicado de 17 de outubro de 2025. - Ministério das Relações Exteriores do Brasil, nota oficial sobre a visita papal, junho de 2025. - Entrevista coletiva do Dr. Carlo Mancini, médico pessoal do Papa, transmitida ao vivo pelo Vatican News em 17 de outubro de 2025.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.