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Economia

Voto eletrônico vai além do Brasil: conheça os países que adotaram o sistema e os impactos econômicos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-30

O Brasil é um dos pioneiros no uso de urnas eletrônicas, mas outras nações como Índia, Estônia e Estados Unidos também implementaram sistemas digitais de votação. A adoção dessas tecnologias gera efeitos diretos na economia, desde custos de implantação até ganhos de eficiência e segurança.

**Lead**

O Brasil é frequentemente citado como exemplo global de voto eletrônico, com mais de duas décadas de experiência em urnas eletrônicas. No entanto, o país não está sozinho. Diversas nações ao redor do mundo adotaram sistemas digitais de votação, cada uma com modelos próprios, desafios e, sobretudo, impactos econômicos significativos. A escolha por urnas eletrônicas ou votação pela internet envolve investimentos bilionários, redução de custos operacionais e riscos de cibersegurança que movimentam um mercado crescente de tecnologia eleitoral.

**Contexto**

O voto eletrônico no Brasil começou em 1996, com as primeiras urnas eletrônicas testadas em algumas cidades. Desde então, o sistema foi expandido para todo o país, tornando-se um dos maiores e mais antigos programas de votação digital do mundo. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estima que o custo de cada urna eletrônica gira em torno de valores elevados, e a manutenção de toda a logística — incluindo transporte, armazenamento e segurança — representa uma parcela relevante do orçamento da Justiça Eleitoral.

Fora do Brasil, a Índia é o país com o maior eleitorado do mundo, com mais de 900 milhões de eleitores. Desde 2004, a Índia utiliza urnas eletrônicas (EVM – Electronic Voting Machines) em todo o território nacional. O sistema indiano é mais simples que o brasileiro, sem impressão de voto, o que gerou controvérsias sobre a auditabilidade. O custo de cada máquina é relativamente baixo, mas a escala gigantesca exige investimentos contínuos em produção e logística.

A Estônia é referência em votação online (i-voting). Desde 2005, os estonianos podem votar pela internet em eleições nacionais e locais. O sistema utiliza cartão de identificação eletrônico e criptografia avançada. O custo de desenvolvimento e manutenção é significativo, mas o país argumenta que a economia com papel, transporte de urnas e pessoal compensa o investimento. Estônia também exporta sua tecnologia para outros países, gerando receita.

Nos Estados Unidos, o voto eletrônico é fragmentado: cada estado decide seu sistema. Há desde máquinas de votação com tela sensível ao toque até sistemas de escaneamento óptico de cédulas de papel. O país enfrenta desafios de segurança cibernética e custos elevados de atualização de equipamentos. Após as eleições de 2020, o governo federal destinou bilhões de dólares para modernização dos sistemas eleitorais.

Outros países como Filipinas, Venezuela, Bélgica, Suíça (em alguns cantões) e Canadá (em algumas províncias) também adotaram formas de voto eletrônico, com diferentes graus de sucesso e aceitação pública.

**Análise**

A adoção do voto eletrônico tem implicações econômicas diretas e indiretas. Do ponto de vista fiscal, os governos precisam alocar recursos para aquisição de equipamentos, desenvolvimento de software, treinamento de pessoal e segurança da informação. No Brasil, o TSE realiza licitações periódicas para renovação do parque de urnas, que envolvem contratos de centenas de milhões de reais. Empresas nacionais e internacionais disputam esses contratos, movimentando a indústria de tecnologia.

Por outro lado, o voto eletrônico pode reduzir custos operacionais de longo prazo. A eliminação de cédulas de papel, a apuração automatizada e a redução de erros humanos diminuem despesas com impressão, transporte e contagem. Na Estônia, estima-se que o i-voting economize tempo e dinheiro, além de aumentar a participação eleitoral, o que tem efeitos positivos na legitimidade democrática e, consequentemente, na estabilidade econômica.

No entanto, os riscos de cibersegurança representam um custo adicional. Países como os EUA investem pesadamente em auditorias, testes de penetração e sistemas de backup. Um ataque cibernético bem-sucedido poderia comprometer a confiança no processo eleitoral, gerando instabilidade política e econômica. Por isso, o mercado de segurança cibernética para eleições cresce rapidamente, com consultorias especializadas e empresas de tecnologia disputando contratos governamentais.

Outro aspecto relevante é a exportação de tecnologia. Empresas brasileiras, como a Positivo Tecnologia e a Diebold (antiga produtora de urnas), já forneceram equipamentos para outros países. O know-how brasileiro em voto eletrônico é reconhecido internacionalmente, e o país pode se beneficiar economicamente com a venda de soluções e consultoria.

**Fontes**

As informações sobre o voto eletrônico no Brasil são baseadas em dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em relatórios da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre observação eleitoral. Os dados sobre Índia e Estônia foram obtidos de publicações da Comissão Eleitoral da Índia e do Comitê Nacional de Eleições da Estônia, respectivamente. As informações sobre os Estados Unidos têm como referência o Election Assistance Commission (EAC) e relatórios do Congressional Research Service. Análises de impacto econômico foram baseadas em estudos do Banco Mundial e do International Institute for Democracy and Electoral Assistance (IDEA Internacional).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.