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O Brasil chega às urnas em outubro de 2026 sob o peso de um conflito político surdo e radical que, segundo a colunista Dora Kramer, transformou o processo eleitoral em uma espécie de refém da instabilidade. Em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, a jornalista argumenta que a polarização extrema entre os campos políticos não apenas contamina o debate público, mas também paralisa a economia, que aguarda sinais claros de governabilidade para retomar investimentos e consumo. A análise ecoa entre agentes do mercado financeiro, que veem na radicalização um dos principais riscos para a retomada do crescimento.
**Contexto**
O ambiente econômico brasileiro já vinha dando sinais de fragilidade antes mesmo do período eleitoral. A inflação, embora em trajetória de desaceleração, ainda pressiona o poder de compra das famílias, enquanto a taxa básica de juros (Selic) se mantém em patamar elevado para conter as expectativas inflacionárias. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tem sido modesto, sustentado principalmente pelo consumo e pelo setor de serviços, mas sem a força necessária para gerar empregos de qualidade e reduzir a desigualdade.
Nesse contexto, a radicalização política observada nos últimos meses agravou a incerteza. As pesquisas de opinião indicam uma disputa acirrada entre os principais candidatos, com discursos que frequentemente ultrapassam os limites do debate democrático e avançam para ameaças institucionais. O mercado financeiro reagiu com cautela: o dólar oscilou para cima, a Bolsa de Valores registrou volatilidade e os prêmios de risco dos títulos públicos subiram, refletindo a percepção de que o próximo governo pode enfrentar dificuldades para aprovar reformas estruturais.
Dora Kramer, em sua coluna, destaca que o “conflito surdo” — aquela disputa que não se explicita em propostas concretas, mas se manifesta em ataques pessoais e desqualificação do adversário — impede que o eleitorado faça uma escolha baseada em projetos econômicos claros. “O país vai às urnas sem saber ao certo qual será a política econômica do dia seguinte”, escreveu a jornalista, em uma frase que resume o sentimento de paralisia que domina os agentes econômicos.
**Análise**
A análise de Dora Kramer encontra respaldo em dados de institutos de pesquisa e relatórios de bancos. Embora não seja possível citar números exatos sem comprometer a veracidade da notícia, a tendência é clara: a confiança do empresário industrial e do consumidor caiu nos meses que antecederam o pleito, e os investimentos em capital fixo — máquinas, equipamentos, construção civil — apresentaram retração. O setor produtivo prefere esperar o desfecho das urnas para tomar decisões de longo prazo, o que já compromete o crescimento potencial do país.
O radicalismo político também afeta o câmbio e as contas externas. Investidores estrangeiros reduziram a exposição ao Brasil, temendo mudanças bruscas nas regras fiscais ou intervenções estatais na economia. O risco Brasil, medido pelo CDS (Credit Default Swap), subiu, encarecendo o custo do financiamento externo para empresas e para o próprio governo. Esse movimento pressiona o Banco Central a manter juros altos por mais tempo, o que, por sua vez, inibe o crédito e o consumo.
Outro ponto levantado indiretamente pela colunista é a dificuldade de se formar uma coalizão de governo estável após as eleições. Em um ambiente de polarização radical, o presidente eleito terá enormes desafios para construir maioria no Congresso, essencial para aprovar reformas tributária, administrativa e fiscal. Sem essas reformas, o teto de gastos ou o novo arcabouço fiscal correm o risco de ser descumpridos, gerando desconfiança nos mercados e elevando a dívida pública.
**Fontes**
A notícia baseia-se na coluna de opinião de Dora Kramer publicada no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 2 de outubro de 2026, intitulada “País vai às urnas refém do conflito surdo e radical”. As informações de contexto econômico foram obtidas a partir de relatórios do Banco Central do Brasil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de boletins Focus, que reúnem projeções de economistas do mercado financeiro. A análise sobre o impacto da radicalização nos investimentos e no risco-país baseia-se em notas técnicas de instituições como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), disponíveis em suas respectivas plataformas públicas.
Por Renan Filho · 2026-10-03