**Lead**
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou durante painel político realizado nesta segunda-feira, 28 de setembro, em Brasília, que torce para que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), desista de uma eventual candidatura presidencial em 2026 e apoie o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como representante da direita. A declaração, feita em evento fechado com lideranças partidárias, foi registrada por jornalistas presentes e repercutiu nos bastidores da política nacional.
Segundo relatos, Valdemar teria dito que a união em torno de um único nome é “fundamental para a segurança jurídica e institucional do país”, evitando dispersão de votos no campo conservador. O comentário ocorre em um momento de intensa articulação para as eleições de 2026, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2030.
**Contexto**
A fala de Valdemar Costa Neto insere-se em um cenário de indefinição sobre o candidato da direita à Presidência da República. Com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, o PL busca um nome capaz de manter a base fiel e atrair eleitores moderados. Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente e senador pelo Rio de Janeiro, é visto internamente como herdeiro político natural, mas enfrenta resistências setoriais devido à baixa capilaridade em estados do Nordeste e à rejeição em parte do eleitorado feminino.
Romeu Zema, por sua vez, reelegeu-se governador de Minas Gerais em 2022 com ampla margem e é apontado por pesquisas qualitativas como um nome competitivo para 2026. Filiado ao Novo, o governador mineiro adota discurso liberal na economia e de rigor fiscal, o que agrada setores do mercado financeiro. No entanto, sua aliança com o PL tem sido alvo de críticas internas no Novo, que defende candidatura própria ao Planalto.
A declaração de Valdemar ocorre em meio a negociações para a formação de federações e coligações regionais. O presidente do PL tem se reunido com dirigentes de partidos do centrão e de legendas de direita para construir uma “frente ampla conservadora” — termo usado por ele em conversas reservadas. A menção explícita a Flávio Bolsonaro indica que, nos bastidores, a cúpula do PL já trabalha com a hipótese de uma chapa pura, sem abertura para o nome de Zema como cabeça de chapa.
**Análise**
A pressão de Valdemar sobre Zema pode ter efeitos imediatos na já turbulenta relação entre o PL e o Novo. Embora os dois partidos estejam formalmente em campos distintos — PL de centro-direita e Novo liberal —, a aliança pragmática em Minas Gerais e em outras unidades da federação tem se mostrado frágil. A insistência em Flávio Bolsonaro, figura com perfil mais agressivo e associado a pautas de costumes, pode afastar eleitores que enxergam em Zema um perfil técnico e moderado.
Do ponto de vista estratégico, a candidatura de Flávio traria vantagens imediatas de identificação com o bolsonarismo raiz, mas carregaria o ônus de associar a chapa às investigações em curso no STF e no STJ sobre supostos desvios na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro — caso que gerou denúncia da Procuradoria-Geral da República e levou o senador a se tornar réu. A judicialização da política, que já marcou o primeiro turno de 2022, pode ser reeditada em 2026 com protagonismo inédito de Flávio.
Para o campo da oposição, a falta de unidade em torno de um único nome conservador representa risco de fragmentação e enfraquecimento diante de uma eventual candidatura do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou de seu sucessor indicado. A segurança do processo eleitoral e a estabilidade institucional dependem, em parte, de um quadro de candidaturas claras e de regras respeitadas por todos os atores. Declarações como a de Valdemar sinalizam que a articulação ainda é incipiente e que ha disputas internas significativas.
**Fontes**
As informações contidas nesta reportagem foram obtidas com base em relatos de jornalistas que cobriram o painel realizado em Brasília, transmitido parcialmente por canais de notícias. Registros oficiais do evento devem ser divulgados nos próximos dias pela assessoria de imprensa do Partido Liberal. Não foram realizadas entrevistas diretas com Valdemar Costa Neto, Romeu Zema ou Flávio Bolsonaro para esta edição. A apuração considerou ainda declarações públicas anteriores dos envolvidos e o histórico de alianças partidárias documentado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Por Renan Filho · 2026-09-28