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Internacional

Painel Três Poderes: Tarcísio e Haddad se destacam como vencedores da semana; Judiciário é apontado como perdedor para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-03

Levantamento qualitativo de analistas políticos aponta governador de SP e ministro da Fazenda como figuras que mais avançaram em influência nos últimos dias, enquanto STF e cúpula do Judiciário enfrentam desgaste com novas críticas públicas.

**Lead**

A mais recente edição do painel informal que avalia o desempenho semanal dos Três Poderes no Brasil apontou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), como as figuras que mais ganharam capital político entre os dias 27 de setembro e 3 de outubro de 2026. Em contrapartida, o Judiciário — em especial o Supremo Tribunal Federal (STF) — foi classificado como o "perdedor" do período, em meio a novas controvérsias sobre decisões monocráticas e a percepção de ativismo judicial que volta a polarizar o debate público. O painel, que reúne cientistas políticos, jornalistas de cobertura institucional e consultores legislativos de diferentes espectros ideológicos, não é uma pesquisa quantitativa com margem de erro, mas sim um termômetro qualitativo do cenário político nacional.

**Contexto**

A avaliação semanal feita por especialistas e profissionais que acompanham o dia a dia dos Três Poderes busca capturar movimentos de curto prazo que nem sempre aparecem em pesquisas de opinião tradicionais. Na semana em questão, dois eventos principais chamaram a atenção dos analistas. O primeiro foi a aprovação, na Câmara dos Deputados, com ampla maioria, do projeto de lei que flexibiliza regras de licenciamento ambiental — uma pauta historicamente defendida por Tarcísio de Freitas e pelo agronegócio. O governador paulista, que vinha sendo alvo de críticas por sua postura nas relações com o governo federal e com a ala bolsonarista, conseguiu articular com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), uma votação rápida e com folga de votos, o que foi interpretado como demonstração de força política.

O segundo fator foi o anúncio, pelo ministro Fernando Haddad, de números robustos do mercado de trabalho formal no mês de agosto, com a geração de mais de 250 mil novos postos de trabalho com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O ministro também apresentou uma prévia da arrecadação federal de setembro, que deve superar as expectativas do mercado, graças ao aumento da base de contribuintes e à recuperação do consumo. Haddad, que enfrentava desconfiança de parte do setor produtivo e da ala mais à esquerda do PT, conseguiu, com os indicadores positivos, consolidar a narrativa de que o ajuste fiscal gradual está dando resultados sem comprometer a atividade econômica.

Do lado do Judiciário, o desgaste veio de duas frentes. A primeira foi a decisão liminar de uma ministra do STF que suspendeu trechos de um decreto presidencial sobre a política de preços dos combustíveis, alegando interferência indevida do Executivo na Petrobras. A decisão, tomada de forma monocrática durante o recesso judiciário parcial, reacendeu o debate sobre o alcance das decisões individuais de ministros. A segunda foi a fala de um presidente de tribunal superior, fora do STF, em um evento fechado com advogados, na qual teria afirmado que o Judiciário precisa "equilibrar" as decisões políticas do Congresso — o que foi prontamente vazado e gerou reação negativa tanto de parlamentares quanto de setores da imprensa, que enxergaram ali um sinal de interferência indevida.

**Análise**

Para cientistas políticos ouvidos pelo FORTIS NEWS, a ascensão de Tarcísio na semana deve ser lida com cautela. O governador de São Paulo, mesmo sendo de um partido que faz oposição ao governo Lula, tem construído pontes com o Centrão e com setores do próprio PT em pautas pragmáticas, o que lhe confere um capital de trânsito incomum para uma figura da direita. A aprovação do projeto de licenciamento ambiental, que agora segue para o Senado, foi vista como uma demonstração de que Tarcísio pode se tornar um ator central na sucessão presidencial de 2030, independentemente de seu partido atual. A cautela, dizem os analistas, vem do fato de que o governo de São Paulo enfrenta desafios estruturais — como a crise na habitação e a segurança pública na capital — que podem minar sua popularidade nos próximos meses.

Já Haddad, de acordo com os mesmos analistas, vive um momento de consolidação que surpreende até mesmo críticos do governo. O ministro da Fazenda não apenas entregou números fiscais e trabalhistas positivos, como também conseguiu, por meio de uma comunicação mais assertiva, reposicionar a imagem do governo Lula junto ao mercado financeiro. A queda do dólar e a redução dos juros futuros na última semana foram interpretadas como sinais de que a política econômica começa a ser levada a sério por investidores. O "perigo", alertam, é que a recuperação ainda é frágil e depende de variáveis internacionais — como a taxa de juros americana e o preço do petróleo — que fogem ao controle do ministro.

Sobre o Judiciário, a classificação como "perdedor" reflete um acúmulo de tensões que vêm se arrastando desde o início de 2025. A suspeita de ativismo judicial, combinada com a sensação de que decisões monocráticas substituem o debate legislativo e executivo, tem gerado um desgaste que, em algumas pesquisas de opinião, já aparece como perda de confiança na instituição. A diferença é que, na semana em análise, o Judiciário não produziu fatos concretos capazes de reverter essa percepção — enquanto Executivo e Legislativo mostraram capacidade de entregar pautas, ainda que controversas.

**Fontes**

As informações sobre o painel foram obtidas com base em relatos de analistas políticos que participam de grupos de discussão sobre os Três Poderes, sob condição de anonimato para garantir a espontaneidade das respostas. Os dados sobre emprego formal são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 30 de setembro de 2026. A informação sobre a aprovação do projeto de licenciamento ambiental na Câmara dos Deputados foi confirmada pela Agência Câmara de Notícias, em matéria publicada em 1º de outubro de 2026. A decisão liminar sobre a política de preços de combustíveis foi noticiada pelos portais de notícias jurídicas Jota e ConJur em 2 de outubro de 2026. A fala do presidente de tribunal superior foi relatada por um participante do evento que se manifestou à coluna de política do jornal O Estado de S. Paulo, sob reserva. O FORTIS NEWS buscou contato com os gabinetes dos ministros do STF e com a assessoria do governador Tarcísio de Freitas, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.