**Lead**
O Painel Três Poderes, ferramenta de análise que acompanha semanalmente o desempenho dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no fomento ao esporte brasileiro, divulgou nesta sexta-feira o resultado da semana. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), foram apontados como os grandes vencedores, enquanto o Judiciário foi classificado como o principal perdedor, por decisões que, segundo especialistas, atrasam investimentos e geram insegurança jurídica para clubes e federações.
**Contexto**
O Painel Três Poderes é uma iniciativa que reúne analistas de política e esporte para classificar, a cada semana, as ações dos três ramos do Estado que impactam diretamente o esporte nacional. A avaliação leva em conta projetos de lei, liberação de recursos, medidas judiciais e declarações públicas. Na edição mais recente, o destaque positivo veio de duas frentes do Executivo: em São Paulo, Tarcísio anunciou a ampliação do programa Bolsa Atleta estadual e a liberação de verbas para reforma de centros de treinamento em mais de 30 cidades paulistas. Já Haddad, no âmbito federal, garantiu a manutenção do orçamento do Ministério do Esporte para 2026, assegurando recursos para os Jogos Olímpicos de Los Angeles e para programas de base.
Do lado do Legislativo, o Painel apontou avanços modestos, como a aprovação de um projeto que regulamenta a profissão de treinador esportivo, mas ainda sem sanção presidencial. O grande revés, porém, veio do Judiciário. Em três decisões distintas ao longo da semana, tribunais suspenderam licitações para a construção de arenas multiuso no Norte e Nordeste, questionaram contratos de patrocínio entre estatais e clubes de futebol, e anularam parte do regulamento da lei de incentivo ao esporte, sob o argumento de falta de transparência. Para os analistas do Painel, as medidas, embora baseadas em princípios legais, criam um ambiente de incerteza que afasta investidores privados e atrasa projetos já em andamento.
**Análise**
A vitória de Tarcísio e Haddad no Painel não é apenas simbólica. Representa uma rara convergência entre governos de diferentes espectros políticos em torno de uma pauta que, historicamente, recebe menos atenção do que saúde e educação. Tarcísio, que já foi ministro da Infraestrutura, tem usado a máquina pública para impulsionar o esporte como ferramenta de inclusão social e desenvolvimento econômico – a reforma de centros de treinamento, por exemplo, deve gerar empregos temporários e atrair eventos regionais. Haddad, por sua vez, enfrenta pressões fiscais, mas manteve o orçamento esportivo em patamar semelhante ao de 2025, o que foi visto como um sinal de compromisso com o legado olímpico e com a formação de novos atletas.
O desempenho negativo do Judiciário, entretanto, acende um alerta. As decisões questionadas não são ilegais, mas refletem uma judicialização crescente do esporte brasileiro. Especialistas ouvidos pelo Painel destacam que, sem maior previsibilidade nas regras, clubes e federações relutam em fechar contratos de longo prazo, patrocínios e parcerias público-privadas. O resultado é um esporte que avança a passos lentos, enquanto o país busca se posicionar como potência em modalidades como futebol, vôlei, atletismo e esportes aquáticos. Se o Judiciário continuar atuando como um freio – e não como um garantidor de segurança jurídica –, o Brasil corre o risco de perder competitividade internacional, especialmente às vésperas de um ciclo olímpico.
**Fontes**
As informações deste artigo foram obtidas a partir do relatório semanal do Painel Três Poderes, disponível no site da consultoria que coordena o levantamento, com base em dados oficiais do Governo do Estado de São Paulo, do Ministério da Fazenda e de tribunais superiores, além de declarações públicas dos envolvidos coletadas em notas oficiais e reportagens de veículos como Agência Brasil e Estadão.
Por Renan Filho · 2026-10-03