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Politica

Painel: campanha de Haddad obtém 11 liminares para remover publicações negativas de bolsonaristas

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

Equipe jurídica do petista acionou a Justiça Eleitoral contra conteúdos que classificou como desinformação; decisões miram postagens de perfis bolsonaristas nas vésperas do primeiro turno.

**Lead**

A campanha do candidato à presidência Fernando Haddad obteve, até esta segunda-feira, 11 liminares em diferentes tribunais eleitorais do país autorizando a remoção de publicações negativas feitas por perfis bolsonaristas. As decisões foram confirmadas pela coordenação jurídica da campanha, que afirma ter agido contra o que classifica como desinformação e conteúdo sabidamente inverídico. As liminares têm alcance imediato e obrigam plataformas como Instagram, X (antigo Twitter), YouTube e Facebook a derrubarem as postagens em até 24 horas.

**Contexto**

As ações foram distribuídas entre os estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Paraná. Em todas elas, a defesa de Haddad anexou prints, links e relatórios técnicos indicando que o material violaria resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre propaganda negativa e desinformação no processo eleitoral. Os alvos são publicações que associam o ex-prefeito de São Paulo a factoides já desmentidos por órgãos oficiais, além de montagens e edições fora de contexto.

A ofensiva ocorre em um momento de acirramento do debate digital. O TSE e o Supremo Tribunal Federal (STF) têm sido pressionados a adotar medidas mais rígidas contra o que tribunais chamam de "ecossistema de desinformação", especialmente em períodos eleitorais. As plataformas, por sua vez, afirmam cumprir decisões judiciais e mantêm equipes dedicadas a análises de remoção de conteúdo.

Nos bastidores, a avaliação de juristas ouvidos pelo FORTIS NEWS é que a estratégia da campanha petista se concentra em reduzir o alcance de ataques e correções rápidas, evitando que versões falsas se consolidem no debate público antes da votação. O uso de liminares é visto como mecanismo mais ágil que o processo comum de notificação extrajudicial, que depende da boa vontade das plataformas.

Especialistas em direito eleitoral alertam, contudo, para o risco de um efeito colateral: a percepção de censura e o fortalecimento da narrativa de perseguição política. A campanha do atual presidente Jair Bolsonaro ainda não se manifestou oficialmente sobre as liminares, mas aliados do presidente usam as redes para criticar o que chamam de "judicialização da eleição" e "censura prévia" a conteúdos críticos.

**Análise**

A ofensiva judicial de Haddad tem impacto direto no campo de batalha digital das eleições. Ao obter liminares, a campanha não apenas remove o conteúdo nocivo — como também cria um precedente importante para casos semelhantes. Cada decisão favorável serve de referência para novos pedidos e aumenta o custo operacional de quem produz e compartilha desinformação em larga escala. Isso pode desestimular páginas e perfis que atuam de forma coordenada, um dos principais focos de preocupação das autoridades eleitorais neste pleito.

O timing das ações também carrega leitura estratégica. Vésperas de eleição são o momento em que a memória do eleitor está mais suscetível às últimas informações recebidas. Remover publicações negativas nesse período tem peso simbólico e prático, reduzindo o potencial de viralização de conteúdos que poderiam influenciar indecisos de última hora. Para a defesa de Haddad, a medida não visa silenciar críticas legítimas, mas impedir a circulação de mentiras que afetam a integridade do pleito. Para adversários, no entanto, a ação pode ser lida como tentativa de blindagem reputacional por via judicial.

Independentemente da leitura política, os números chamam atenção. Onze liminares em um intervalo de poucos dias indicam organização e capacidade de resposta rápida do jurídico da campanha. Também revelam que a máquina de desinformação bolsonarista segue ativa e que a briga nos tribunais deve se intensificar na reta final. A tendência é que novas ações sejam ajuizadas nos próximos dias, incluindo representações no TSE contra contas que violarem reiteradamente as decisões.

As plataformas têm cumprido as ordens com agilidade, segundo as assessorias — embora o volume de pedidos de remoção possa sobrecarregar sistemas que já operam sob pressão durante o período eleitoral. A transparência na execução das liminares pode ser um próximo ponto de atrito, caso alguns perfis recorram ou repliquem o conteúdo com pequenas alterações.

**Fontes**

As informações desta reportagem foram obtidas a partir de notas oficiais da campanha de Fernando Haddad, registros públicos de processos em tramitação nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) dos estados mencionados, resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre propaganda eleitoral e desinformação, e comunicados públicos das plataformas digitais envolvidas quanto ao cumprimento de ordens judiciais. A reportagem também consultou publicações de perfis bolsonaristas que tiveram conteúdos removidos e o histórico de decisões monocráticas publicadas nos diários oficiais da Justiça Eleitoral.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.