**Lead**
Um projeto de lei protocolado na Câmara dos Deputados propõe um período de transição de dois anos para o fim total da publicidade de casas de apostas esportivas, as bets, no futebol brasileiro. A iniciativa, apresentada por um deputado federal que também é ex-vice-presidente do Flamengo, visa conter o avanço da dependência financeira dos clubes em relação ao setor e proteger consumidores, especialmente jovens, dos riscos associados ao jogo compulsivo.
**Contexto**
O deputado, cujo nome é amplamente conhecido no meio esportivo e político, argumenta que a exposição massiva de marcas de apostas em camisas de jogadores, placas de estádio, entrevistas coletivas e transmissões televisivas criou um ambiente de normalização do jogo que preocupa especialistas em saúde pública. Dados do Ministério da Saúde indicam um aumento significativo no número de atendimentos relacionados a transtornos de jogo entre adolescentes desde a legalização das apostas de quota fixa no Brasil, em 2018. Embora números exatos não sejam divulgados oficialmente, a tendência de crescimento é confirmada por relatórios de centros de referência em dependência química e comportamental.
O projeto estabelece que, durante o período de dois anos, as propagandas deverão conter avisos obrigatórios sobre os riscos do jogo excessivo, além de restrições de horário para veiculação em televisão aberta. Após esse prazo, qualquer forma de publicidade direta ou indireta de casas de apostas em eventos esportivos, uniformes, materiais promocionais e espaços físicos de clubes será proibida. A proposta também prevê multas progressivas para os clubes que descumprirem a regra, podendo chegar à perda de pontos em competições organizadas pela CBF.
A medida encontra resistência entre dirigentes de grandes clubes, que firmaram contratos milionários com patrocinadores do setor. Estima-se que, atualmente, mais de 80% dos times das séries A e B do Campeonato Brasileiro tenham alguma parceria com empresas de apostas. A receita proveniente desses acordos tornou-se essencial para equilibrar orçamentos apertados, especialmente após a pandemia de Covid-19, que reduziu a arrecadação com bilheteria e sócios-torcedores.
**Análise**
A proposta do deputado insere-se em um movimento global de regulação mais rígida da publicidade de jogos de azar. Países como Reino Unido, Itália e Espanha já adotaram medidas restritivas, limitando a exposição de marcas de apostas em camisas de times e proibindo patrocínios em categorias de base. No Brasil, a discussão ganhou força após denúncias de manipulação de resultados envolvendo atletas e apostadores, que expuseram a vulnerabilidade do sistema esportivo nacional.
Para especialistas em segurança pública, o fim da publicidade de bets no futebol não resolve o problema da lavagem de dinheiro e da corrupção no esporte, mas representa um passo importante para reduzir a pressão sobre atletas e dirigentes. A associação entre marcas de apostas e clubes cria um conflito de interesses latente: enquanto o time depende do patrocínio para sobreviver, a casa de apostas tem interesse direto no resultado das partidas. A transição de dois anos, segundo o deputado, daria tempo para que os clubes busquem fontes alternativas de receita, como acordos com empresas de tecnologia, varejo e entretenimento.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir do texto do projeto de lei protocolado na Câmara dos Deputados, de declarações públicas do autor da proposta em entrevistas a veículos de imprensa nacional, e de relatórios do Ministério da Saúde sobre transtornos relacionados ao jogo. Dados sobre patrocínios no futebol brasileiro foram consultados em levantamentos de entidades esportivas e publicações especializadas em marketing esportivo.
Por Renan Filho · 2026-10-01