O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, desembarcou no México com uma missão no mínimo curiosa: ajudar a implementar uma versão local do SUS. A informação foi confirmada em publicação nas redes sociais do próprio ministro, que destacou a 'cooperação técnica' entre os dois países. A agenda, segundo a nota oficial da pasta, inclui reuniões com autoridades sanitárias mexicanas e visitas a unidades de saúde locais.
O gesto, no entanto, levanta uma questão constrangedora: como exportar um sistema que no Brasil é sinônimo de filas intermináveis, falta de medicamentos e hospitais sucateados? O SUS, que deveria ser o maior sistema público de saúde do mundo, vive na prática um colapso crônico. Enquanto isso, o governo brasileiro insiste em vendê-lo como modelo de sucesso no exterior, como quem exporta uma marca que já não engana nem o próprio consumidor.
A viagem de Padilha ocorre em um momento em que o governo federal discute justamente a ampliação do programa Mais Médicos, com a contratação de profissionais estrangeiros para suprir a falta de interesse de brasileiros em atuar no sistema. A contradição escancara o problema: em vez de corrigir as distorções estruturais do SUS, o Planalto prefere maquiar o caos com cortinas de fumaça ideológicas. O México, que vive um processo de reforma do seu sistema de saúde, agora receberá a 'experiência brasileira' — uma espécie de manual de como não gerir recursos públicos.
Para os liberais, a mensagem é clara: a saúde pública brasileira é um monopólio estatal que sufoca a iniciativa privada e pune quem pode pagar por planos de saúde. Cada real investido no SUS é um real que poderia ser gerido por cooperativas, hospitais filantrópicos ou parcerias público-privadas eficientes. Em vez disso, o governo prefere perpetuar um modelo estatizante, que transforma o cidadão em refém das filas e da burocracia. O México, que busca alternativas para desafogar seu sistema, deveria olhar com desconfiança para a 'cooperação' brasileira.
Por que isso importa? Porque a exportação do SUS escancara a falácia de que saúde é um direito que só pode ser garantido pelo Estado. Na prática, o que o governo brasileiro chama de 'cooperação' é a propagação de um modelo que já demonstrou ser ineficiente, caro e iníquo. Enquanto isso, o Brasil segue patinando em indicadores de saúde que pioram a cada ano, com aumento de casos de doenças evitáveis e mortalidade infantil em alta em algumas regiões.
A análise FORTIS é direta: o governo brasileiro não tem autoridade moral nem técnica para ensinar qualquer coisa a qualquer país em matéria de saúde. A viagem de Padilha é um tiro no pé, que expõe ao mundo as mazelas de um sistema que o próprio governo tenta vender como solução. Em vez de gastar recursos com viagens internacionais, o ministro deveria estar em Brasília, cobrando agilidade na regulação de planos de saúde e na aprovação de projetos que incentivem a livre iniciativa no setor.
Contudo, é preciso reconhecer o outro lado. Há quem argumente que a cooperação técnica é uma forma de fortalecer o SUS, atraindo investimentos e intercâmbio de boas práticas. O governo pode até colher dividendos políticos no curto prazo, com a mídia tradicional celebrando a 'liderança' brasileira na América Latina. Mas, no médio e longo prazo, o que se vê é a perpetuação de um sistema que penaliza os mais pobres, que não têm acesso a planos de saúde e dependem de um serviço público sucateado.
A verdade é que o SUS não é um modelo a ser exportado, mas um problema a ser resolvido. Enquanto o governo não enfrentar a corrupção, a má gestão e a falta de incentivos para o setor privado, qualquer tentativa de 'cooperação' internacional não passará de propaganda. O México que se cuide: a receita brasileira pode até parecer atraente no papel, mas na prática é um atestado de ineficiência.
O Brasil precisa de mais mercado e menos Estado na saúde. É preciso abrir o setor para a concorrência, reduzir a carga tributária sobre planos de saúde e incentivar a criação de hospitais de qualidade geridos pela iniciativa privada. Enquanto isso não acontece, o governo prefere exportar o problema, como quem joga a poeira para debaixo do tapete. A viagem de Padilha é um capítulo a mais nessa novela, e o desfecho, para o contribuinte brasileiro, já é conhecido: mais impostos, mais filas e mais sofrimento.
Por Renan Filho · 2026-09-21