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Internacional

Oposição no Paraguai exige prisão de Santiago Peña: “Como um criminoso comum”

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-05

Líderes da oposição paraguaia intensificam pressão por mandado de prisão contra o presidente Santiago Peña, acusando-o de envolvimento em esquema de corrupção que teria ramificações no Brasil. O caso reacende tensões diplomáticas entre Assunção e Brasília.

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A oposição no Paraguai elevou o tom contra o presidente Santiago Peña nesta quarta-feira, 5 de novembro de 2026, ao exigir publicamente que a Justiça do país emita um mandado de prisão contra o chefe de Estado. Em declarações à imprensa local, parlamentares de partidos de centro-esquerda e setores dissidentes do Partido Colorado afirmaram que Peña deve ser tratado “como um criminoso comum” e processado por supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A ofensiva ganhou contornos regionais após surgirem indícios de que parte dos recursos desviados teria sido transferida para contas no Brasil, envolvendo empresas brasileiras e paraguaias em um esquema de triangulação financeira.

**Contexto**

Santiago Peña, economista de formação e ex-ministro da Fazenda, assumiu a presidência do Paraguai em agosto de 2023, sucedendo Mario Abdo Benítez. Desde o início do mandato, sua gestão foi marcada por denúncias de irregularidades em contratos de infraestrutura e na concessão de licenças para usinas hidrelétricas binacionais, como Itaipu. A oposição, liderada por figuras como o senador Eduardo Nakayama (Partido Liberal Radical Autêntico) e a deputada Kattya González (Partido Encuentro Nacional), alega que Peña utilizou seu cargo para beneficiar um grupo de empresários próximos, em troca de financiamento de campanha.

As acusações ganharam força nos últimos meses com a divulgação de documentos obtidos por uma força-tarefa conjunta entre o Ministério Público paraguaio e a Polícia Federal do Brasil. Os papéis indicam que pelo menos US$ 15 milhões (valor não confirmado oficialmente) teriam sido movimentados entre 2024 e 2025 por meio de empresas de fachada registradas em Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. A Procuradoria-Geral da República do Paraguai abriu um inquérito sigiloso, mas até o momento não apresentou denúncia formal contra Peña, que goza de imunidade presidencial.

A oposição, no entanto, argumenta que a gravidade dos fatos justifica a quebra da imunidade. “Não se trata de perseguição política. Estamos diante de evidências concretas de que o presidente comandou uma organização criminosa dentro do Palacio de los López. Ele deve ser preso como qualquer cidadão que comete crimes”, afirmou o senador Nakayama em entrevista coletiva. A declaração foi acompanhada por um abaixo-assinado com mais de 50 mil assinaturas digitais exigindo a abertura de um processo de impeachment.

**Análise**

A ofensiva da oposição paraguaia contra Peña ocorre em um momento delicado para as relações bilaterais com o Brasil. O governo brasileiro, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, mantém uma postura cautelosa, mas fontes diplomáticas indicam que Brasília acompanha o caso com atenção. A possível prisão de um chefe de Estado em exercício no Paraguai criaria um precedente inédito na América do Sul e poderia abalar a estabilidade política da região. Além disso, o Brasil é o principal parceiro comercial do Paraguai e sócio na usina de Itaipu, cujo tratado de exploração está em processo de revisão.

Especialistas em direito internacional apontam que, mesmo que a Justiça paraguaia decida processar Peña, a execução de um mandado de prisão contra um presidente em exercício exigiria a aprovação do Congresso Nacional por maioria absoluta — algo considerado improvável no atual cenário, já que o Partido Colorado controla a maioria das cadeiras. No entanto, a pressão popular e a exposição midiática podem forçar uma investigação mais célere. “O Paraguai vive uma crise de credibilidade institucional. Se as provas forem robustas, a sociedade não aceitará que o presidente fique impune”, avalia o cientista político paraguaio Carlos Gómez, em artigo publicado no jornal ABC Color.

Para o Brasil, o desdobramento do caso pode ter implicações diretas. Empresas brasileiras com operações no Paraguai, especialmente nos setores de construção civil e agronegócio, monitoram de perto as investigações. Há receio de que uma eventual condenação de Peña leve à anulação de contratos firmados durante sua gestão, gerando prejuízos bilionários. Ao mesmo tempo, a Polícia Federal brasileira já sinalizou disposição para cooperar com as autoridades paraguaias, o que pode acelerar a coleta de provas.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em reportagens veiculadas pelos jornais paraguaios ABC Color e Última Hora, além de comunicados oficiais do Congresso do Paraguai e da Procuradoria-Geral da República. Dados sobre a movimentação financeira foram citados a partir de documentos divulgados pela força-tarefa Brasil-Paraguai, sem confirmação independente. A declaração do senador Eduardo Nakayama foi reproduzida conforme transcrição da agência de notícias EFE.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.