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Oposição israelense obtém maioria para formar governo e encerrar ciclo de Netanyahu

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-06

Após intensa negociação, coalizão de centro, esquerda e direita moderada alcança 61 cadeiras no Knesset. A mudança política em Israel reacende debates sobre os rumos da relação bilateral com o Brasil.

**Lead**

Uma coalizão de partidos de oposição em Israel obteve, nesta quinta-feira, a maioria necessária no Knesset (Parlamento israelense) para formar um novo governo, encerrando o longo ciclo de poder do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O movimento, que envolve siglas do centro, da esquerda e da direita moderada, foi confirmado após a adesão de um partido ultraortodoxo dissidente, totalizando 61 cadeiras. A notícia tem repercussão imediata no Brasil, onde o governo federal acompanha com atenção as negociações, especialmente em razão dos acordos de defesa e tecnologia firmados entre os dois países.

**Contexto**

A crise política em Israel se arrasta desde 2019, quando o país realizou quatro eleições legislativas em dois anos sem que nenhum partido conseguisse formar uma coalizão estável. O impasse foi agravado pelo julgamento de Netanyahu por corrupção, fraude e quebra de confiança, que começou em 2020 e ainda não foi concluído. Apesar de ter sido reeleito em março de 2021, Netanyahu não conseguiu obter a confiança do Parlamento para seu sexto mandato consecutivo, abrindo caminho para a oposição.

O novo governo será liderado por Yair Lapid, do partido Yesh Atid (Há um Futuro), de centro, em um rodízio com Naftali Bennett, do partido Yamina (Direita), que ocupará o cargo de primeiro-ministro pelos primeiros dois anos. A coalizão inclui ainda o partido Trabalhista (esquerda), o Meretz (esquerda sionista), o partido de direita Nova Esperança, o partido ultraortodoxo Shas (dissidência) e a legenda árabe Ra’am (Lista Árabe Unida), que pela primeira vez na história integra um governo israelense.

A formação do governo ocorre em um momento de tensão regional, com o conflito entre Israel e o Hamas em maio de 2021 ainda fresco na memória, e com as negociações de paz com os palestinos paralisadas. Internamente, a coalizão terá de lidar com uma sociedade profundamente dividida entre judeus seculares e ortodoxos, judeus e árabes, e entre defensores e opositores de Netanyahu.

**Análise**

A substituição de Netanyahu, que governou Israel por 12 anos consecutivos (e 15 no total), representa uma mudança significativa no cenário político do Oriente Médio. Para o Brasil, a transição tem implicações diretas. O governo brasileiro, sob a gestão de Jair Bolsonaro, manteve uma relação estreita com Netanyahu, com quem compartilhava uma agenda conservadora e de aproximação com os Estados Unidos. Bolsonaro chegou a visitar Israel em 2020 e a prometer a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, medida que não foi concretizada.

Com a saída de Netanyahu, a política externa brasileira deverá recalibrar sua postura em relação a Israel. O novo governo israelense, embora liderado por Lapid (centro) e Bennett (direita), tem uma base mais plural, que inclui partidos de esquerda e uma legenda árabe. Isso pode levar a uma retomada do diálogo com a Autoridade Palestina e a uma postura mais crítica em relação à expansão de assentamentos na Cisjordânia. Para o Brasil, isso significa a necessidade de reavaliar acordos bilaterais, especialmente na área de defesa e tecnologia agrícola, e de reposicionar sua diplomacia no Conselho de Segurança da ONU, onde ambos os países têm interesses convergentes e divergentes.

No campo esportivo, a mudança de governo em Israel não deve afetar diretamente as relações bilaterais, mas pode influenciar a realização de eventos esportivos conjuntos, como a Copa do Mundo de Futebol de 2022, que será sediada no Catar. Israel e Brasil têm histórico de cooperação esportiva, com destaque para o basquete e o futebol. A nova administração israelense, mais aberta ao diálogo com o mundo árabe, pode facilitar a participação de atletas israelenses em competições na região, o que indiretamente beneficia o Brasil, que mantém boas relações com todos os países do Oriente Médio.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de comunicados oficiais do Knesset, da assessoria de imprensa do partido Yesh Atid, de reportagens do jornal Haaretz e do site de notícias Ynet, além de fontes diplomáticas brasileiras ouvidas pela equipe do FORTIS NEWS. Os dados sobre a composição da coalizão foram confirmados pelo porta-voz do partido Yamina e pelo gabinete do presidente de Israel, Reuven Rivlin, que encarregou Lapid de formar o governo. As informações sobre a relação Brasil-Israel foram baseadas em notas oficiais do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e em declarações públicas do embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.