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Opiniao

Oposição em Israel alcança maioria parlamentar e prepara novo governo para substituir Netanyahu

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-06

Após semanas de negociações, partidos de centro, esquerda e árabes israelenses fecham acordo para formar coalizão e encerrar o ciclo de 12 anos de Benjamin Netanyahu no poder.

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Em uma reviravolta histórica na política israelense, partidos de oposição anunciaram nesta quinta-feira que alcançaram os votos necessários para formar uma maioria parlamentar no Knesset, abrindo caminho para a substituição do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O acordo, costurado após semanas de negociações intensas, reúne legendas de diferentes espectros ideológicos, incluindo o partido Yesh Atid, de Yair Lapid, o Yamina, de Naftali Bennett, e a Lista Árabe Unida, de Mansour Abbas. A nova coalizão deve ser apresentada ao presidente Reuven Rivlin nos próximos dias, marcando o fim de um dos governos mais longos e controversos da história de Israel.

**Contexto**

Benjamin Netanyahu, líder do partido Likud, está no poder desde 2009. Nos últimos dois anos, Israel passou por quatro eleições legislativas consecutivas, todas inconclusivas, em meio a um impasse político que paralisou o país. Netanyahu enfrenta um julgamento por corrupção, fraude e quebra de confiança, acusações que ele nega veementemente. A crise política se agravou durante a guerra de 11 dias contra o Hamas em maio, que expôs divisões internas e pressionou o governo.

A oposição conseguiu unir forças a partir de um ponto comum: a rejeição à permanência de Netanyahu no cargo. O bloco inclui desde partidos de direita, como o Yamina, até a esquerda sionista do Meretz e, pela primeira vez na história, um partido árabe israelense — a Lista Árabe Unida (Ra’am) — como parte integrante de uma coalizão governista. O acordo prevê um rodízio no cargo de primeiro-ministro: Naftali Bennett, do Yamina, ocuparia o posto até 2023, quando passaria o bastão para Yair Lapid, do Yesh Atid.

**Análise**

A formação desse governo de unidade nacional representa uma mudança sísmica na política israelense. Netanyahu construiu sua carreira como o “Sr. Segurança”, mas a incapacidade de formar um governo estável após quatro eleições minou sua imagem de invencibilidade. A inclusão de um partido árabe israelense no governo é um marco histórico: pela primeira vez, uma legenda que representa os cidadãos árabes de Israel (cerca de 20% da população) fará parte do Executivo, com pastas ministeriais e poder de agenda.

Para o Brasil, a mudança em Israel tem implicações diretas. O governo brasileiro, sob Jair Bolsonaro, alinhou-se fortemente a Netanyahu, com abertura de escritório comercial em Jerusalém e discursos de apoio à anexação de territórios palestinos. Uma nova coalizão em Israel pode reavaliar essa parceria, especialmente se o governo Bennett-Lapid buscar uma abordagem mais moderada em relação aos palestinos e à comunidade internacional. Além disso, a política externa brasileira para o Oriente Médio, que vinha sendo pautada pelo alinhamento automático com Netanyahu, pode precisar ser recalibrada.

**Fontes**

As informações foram baseadas em reportagens do jornal Haaretz, do The Times of Israel e da agência Reuters, além de declarações oficiais do presidente Reuven Rivlin e dos líderes partidários Yair Lapid e Naftali Bennett. Dados sobre o número de assentos no Knesset foram obtidos junto à Comissão Eleitoral Central de Israel.

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Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.