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Em uma reviravolta histórica na política israelense, partidos de oposição anunciaram nesta quinta-feira que alcançaram os votos necessários para formar uma maioria parlamentar no Knesset, abrindo caminho para a substituição do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O acordo, costurado após semanas de negociações intensas, reúne legendas de diferentes espectros ideológicos, incluindo o partido Yesh Atid, de Yair Lapid, o Yamina, de Naftali Bennett, e a Lista Árabe Unida, de Mansour Abbas. A nova coalizão deve ser apresentada ao presidente Reuven Rivlin nos próximos dias, marcando o fim de um dos governos mais longos e controversos da história de Israel.
**Contexto**
Benjamin Netanyahu, líder do partido Likud, está no poder desde 2009. Nos últimos dois anos, Israel passou por quatro eleições legislativas consecutivas, todas inconclusivas, em meio a um impasse político que paralisou o país. Netanyahu enfrenta um julgamento por corrupção, fraude e quebra de confiança, acusações que ele nega veementemente. A crise política se agravou durante a guerra de 11 dias contra o Hamas em maio, que expôs divisões internas e pressionou o governo.
A oposição conseguiu unir forças a partir de um ponto comum: a rejeição à permanência de Netanyahu no cargo. O bloco inclui desde partidos de direita, como o Yamina, até a esquerda sionista do Meretz e, pela primeira vez na história, um partido árabe israelense — a Lista Árabe Unida (Ra’am) — como parte integrante de uma coalizão governista. O acordo prevê um rodízio no cargo de primeiro-ministro: Naftali Bennett, do Yamina, ocuparia o posto até 2023, quando passaria o bastão para Yair Lapid, do Yesh Atid.
**Análise**
A formação desse governo de unidade nacional representa uma mudança sísmica na política israelense. Netanyahu construiu sua carreira como o “Sr. Segurança”, mas a incapacidade de formar um governo estável após quatro eleições minou sua imagem de invencibilidade. A inclusão de um partido árabe israelense no governo é um marco histórico: pela primeira vez, uma legenda que representa os cidadãos árabes de Israel (cerca de 20% da população) fará parte do Executivo, com pastas ministeriais e poder de agenda.
Para o Brasil, a mudança em Israel tem implicações diretas. O governo brasileiro, sob Jair Bolsonaro, alinhou-se fortemente a Netanyahu, com abertura de escritório comercial em Jerusalém e discursos de apoio à anexação de territórios palestinos. Uma nova coalizão em Israel pode reavaliar essa parceria, especialmente se o governo Bennett-Lapid buscar uma abordagem mais moderada em relação aos palestinos e à comunidade internacional. Além disso, a política externa brasileira para o Oriente Médio, que vinha sendo pautada pelo alinhamento automático com Netanyahu, pode precisar ser recalibrada.
**Fontes**
As informações foram baseadas em reportagens do jornal Haaretz, do The Times of Israel e da agência Reuters, além de declarações oficiais do presidente Reuven Rivlin e dos líderes partidários Yair Lapid e Naftali Bennett. Dados sobre o número de assentos no Knesset foram obtidos junto à Comissão Eleitoral Central de Israel.
Por Renan Filho · 2026-11-06