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Opinião: Pelé inesquecível para o Brasil — o legado do Rei que transcende o futebol

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-23

Dez anos após sua despedida, a figura de Edson Arantes do Nascimento permanece como referência absoluta de talento, humanidade e identidade nacional; a memória do Rei segue viva em cada criança que sonha com uma bola nos pés.

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O dia 23 de outubro de 2026 marca mais um aniversário de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que nasceu em 1940 e partiu em 29 de dezembro de 2022. Para o Brasil, a data não é apenas uma lembrança entre tantas: é a celebração de um homem que se tornou sinônimo de futebol e de país. Mais do que os números — que são incontestáveis —, o que permanece é a imagem do menino de Bauru que encantou o mundo com a camisa 10 e que, até hoje, orienta o imaginário de gerações.

Pelé não foi apenas um atleta. Foi um fenômeno cultural que ajudou a projetar o Brasil no cenário global quando o país ainda buscava afirmar sua própria identidade. Em um momento em que o futebol se moderniza, com estatísticas, inteligência artificial e preparação física de ponta, a figura do Rei segue como um elo entre o passado glorioso e o futuro incerto do esporte.

**Contexto**

Nascido em Três Corações, Minas Gerais, em 23 de outubro de 1940, Pelé cresceu em condições humildes e aprendeu a jogar futebol com uma bola feita de meia. Sua ascensão foi meteórica: aos 15 anos, já vestia a camisa do Santos; aos 17, conquistou sua primeira Copa do Mundo, na Suécia, em 1958. Dali em diante, construiu uma história que atravessou décadas.

Os feitos esportivos são amplamente conhecidos: três Copas do Mundo (1958, 1962 e 1970), mais de mil gols na carreira, títulos e recordes que o tornaram uma lenda viva. Mas o que diferencia Pelé de outros grandes jogadores é a amplitude de seu impacto. Ele não foi apenas o maior jogador de futebol de sua época; foi um embaixador informal do Brasil em um período de transformações sociais, políticas e econômicas.

O reconhecimento internacional veio cedo. Em 1970, após a conquista do tricampeonato no México, Pelé foi saudado como o maior atleta do século. Personalidades de diferentes áreas, de líderes mundiais a artistas, buscaram sua amizade e sua imagem. Sua influência ajudou a popularizar o futebol em mercados como os Estados Unidos, onde atuou pelo New York Cosmos no fim da carreira.

Fora dos campos, Pelé também exerceu papéis relevantes. Foi ministro extraordinário do Esporte no Brasil, entre 1995 e 1998, período em que ajudou a formular políticas públicas para a área. Sua lei, sancionada em 1998, estabeleceu normas para o esporte profissional e abriu caminho para uma gestão mais transparente das entidades esportivas — embora enfrentasse resistências na época.

**Análise**

A importância de Pelé para o Brasil vai muito além do futebol. Ele representa a capacidade de superação, a genialidade que desponta em meio à escassez e a possibilidade de um país periférico brilhar no centro do palco mundial. Sua trajetória inspira não apenas jogadores, mas artistas, empreendedores e cidadãos comuns que enxergam nele um exemplo de determinação e excelência.

Em um momento em que o debate sobre a memória e a identidade nacional ganha novos contornos, a figura de Pelé permanece como um ponto de união. Embora o Brasil enfrente desafios políticos e sociais, a lembrança do Rei provoca um sentimento raro: o orgulho genuíno de ser brasileiro. Cada gol antigo, cada imagem em preto e branco, cada relato de quem o viu jogar reforça a ideia de que o futebol é, para o Brasil, uma forma de expressão cultural tão poderosa quanto a música e a literatura.

A permanência de Pelé no imaginário popular também se explica pela universalidade de sua história. Ele não pertence apenas aos santistas ou aos torcedores da seleção; pertence a todos que reconhecem a beleza do jogo. Nos jovens de hoje, que talvez nunca tenham visto uma partida completa do Rei, Pelé é um nome que carrega um peso quase mítico. E é exatamente essa mitologia que mantém viva a sua memória.

O exemplo de Pelé também ecoa no futebol moderno. Em um esporte cada vez mais dominado por cifras milionárias, empresários e estratégias de marketing, a figura do Rei lembra a essência do jogo: a alegria, a criatividade e a habilidade pura. Por isso, sua memória não é apenas uma homenagem ao passado; é um espelho para as novas gerações avaliarem o que o futebol pode e deve ser.

**Fontes**

Este artigo de opinião baseia-se exclusivamente em fatos históricos amplamente registrados na imprensa brasileira e internacional, incluindo arquivos do Santos Futebol Clube, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da FIFA. Trajetória biográfica, conquistas esportivas e atuação como ministro são informações de domínio público, com registros permanentes em acervos jornalísticos e institucionais.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.