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O sociólogo e colunista Demétrio Magnoli publicou, nesta semana, um artigo de opinião no qual delineia o que chama de “receita” para eleger um novo presidente com perfil semelhante ao de Jair Bolsonaro no Brasil. O texto, veiculado em plataforma de notícias, gerou reações imediatas entre analistas políticos e nas redes sociais, reacendendo o debate sobre os mecanismos que permitiram a ascensão do bolsonarismo e as condições que poderiam repetir o fenômeno. Magnoli, conhecido por suas posições críticas tanto à esquerda quanto à direita, não propõe um manual prático, mas sim uma análise das variáveis políticas, econômicas e sociais que, em sua visão, criam o terreno fértil para líderes populistas de direita.
**Contexto**
Demétrio Magnoli é sociólogo, doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP) e colunista de veículos como O Globo e a Folha de S.Paulo. Sua trajetória inclui posições polêmicas, como a defesa da intervenção militar no Rio de Janeiro em 2018 e críticas ao que considera “politicamente correto” nas universidades. No artigo recente, Magnoli argumenta que a eleição de Bolsonaro em 2018 não foi um acidente histórico, mas o resultado de uma combinação de fatores: crise econômica prolongada, desgaste do sistema político tradicional, ascensão de pautas morais e uso estratégico das redes sociais. A “receita” que ele sugere para repetir o feito envolveria a manutenção de um discurso antissistema, a exploração de ressentimentos sociais e a construção de uma base de apoio entre setores conservadores e evangélicos.
O texto de Magnoli não apresenta dados numéricos específicos, mas faz referência a pesquisas de opinião que indicam a persistência de uma parcela significativa do eleitorado disposta a apoiar candidatos com perfil autoritário. Ele também menciona a experiência de outros países, como os Estados Unidos e a Hungria, onde líderes populistas conseguiram se manter no poder ou retornar após derrotas eleitorais. A análise de Magnoli se insere em um debate mais amplo sobre a resiliência do bolsonarismo mesmo após a derrota de Bolsonaro nas urnas de 2022 e a inelegibilidade do ex-presidente até 2030.
**Análise**
A publicação de Magnoli ocorre em um momento de intensa polarização política no Brasil, com as eleições municipais de 2026 no horizonte e a sucessão presidencial de 2026 já sendo discutida. Para analistas ouvidos pelo FORTIS NEWS, a “receita” de Magnoli não é exatamente nova, mas ganha relevância por sintetizar estratégias que já estão sendo testadas por pré-candidatos de direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro. A tese central é que o antipetismo, combinado com a insatisfação com o governo Lula, pode ser canalizado por uma figura que não precisa ter o carisma de Bolsonaro, mas que saiba usar o mesmo repertório de confronto e simplificação de problemas complexos.
Críticos do artigo apontam que Magnoli ignora fatores como o papel das instituições democráticas, a atuação do Judiciário e a resistência de setores da sociedade civil. Para cientistas políticos como a professora Maria do Socorro Sousa, da Universidade de Brasília, a “receita” subestima a capacidade de aprendizado do eleitorado e a força de mecanismos de contenção, como a Lei da Ficha Limpa e a atuação do Tribunal Superior Eleitoral. “O bolsonarismo não é um fenômeno automático; ele depende de uma conjuntura específica que pode não se repetir”, afirma a pesquisadora, em declaração reproduzida por veículos de imprensa. Ainda assim, o texto de Magnoli serve como um alerta para os riscos de uma nova onda populista, especialmente em um cenário de crise econômica global e desconfiança nas instituições.
**Fontes**
- Artigo de opinião de Demétrio Magnoli publicado em plataforma de notícias (data não especificada). - Declarações da cientista política Maria do Socorro Sousa, da Universidade de Brasília, reproduzidas em reportagens de O Globo e Folha de S.Paulo. - Dados contextuais sobre o cenário político brasileiro disponíveis em arquivos do Tribunal Superior Eleitoral e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Por Renan Filho · 2026-10-09