FORTIS
← FORTIS
Esportes

Fascínio pelo autoritarismo: a pergunta incômoda que ecoa nas famílias brasileiras

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-07

O jurista Conrado Hübner Mendes usa a metáfora de uma criança que descobre o voto dos pais em Hitler para expor o dilema da herança autoritária no Brasil — e provoca um debate sobre como o bolsonarismo será explicado às próximas gerações.

**Lead**

O colunista e professor de direito constitucional Conrado Hübner Mendes publicou, em sua coluna no portal **FORTIS NEWS**, um texto que rapidamente se tornou viral nas redes sociais. Intitulado **“Papai, por que você votou no Hitler?”**, o artigo explora o desconforto de pais e avós que apoiaram regimes autoritários e agora precisam explicar suas escolhas para filhos e netos. Embora o título remeta à Alemanha nazista, o alvo da reflexão é o Brasil contemporâneo: como será, daqui a vinte ou trinta anos, o diálogo entre uma criança e um familiar que votou em Jair Bolsonaro ou defendeu a ditadura militar de 1964?

**Contexto**

O texto de Mendes se insere em um momento de acirrado debate sobre memória, justiça e responsabilidade histórica no Brasil. Desde o fim do regime militar (1964-1985), o país ainda não realizou uma transição completa — comissões da verdade, anistias e revisões de condenações deixaram feridas abertas. A eleição de Bolsonaro em 2018, um político que publicamente elogiou torturadores e minimizou a ditadura, reacendeu o tema. O jurista, conhecido por seus estudos sobre direito e política, usa a pergunta hipotética de uma criança para inverter a lógica: não é o passado que precisa ser julgado, mas o presente que construímos a partir dele.

Mendes não cita nomes de políticos ou números de pesquisas, mas descreve tendências observadas em sua prática acadêmica e no debate público. Ele menciona o fenômeno de “normalização do autoritarismo” — a forma como discursos de ódio, desinformação e ataques às instituições democráticas se tornaram aceitáveis em conversas de família, grupos de WhatsApp e mesas de bar. O colunista sugere que a pergunta da criança não é apenas sobre o voto em Hitler, mas sobre o silêncio, a omissão e a falta de arrependimento.

**Análise**

A metáfora de Mendes é poderosa porque desloca o debate do campo político partidário para o campo moral e geracional. Não se trata de demonizar eleitores, mas de questionar o que será ensinado às próximas gerações sobre escolhas que hoje parecem óbvias, mas que, no calor do momento, foram justificadas com argumentos como “combate à corrupção”, “defesa da família” ou “medo do comunismo”. O autor sugere que cada família terá que encarar seu próprio acervo de vergonhas — e que o silêncio pode ser mais danoso que o erro.

Especialistas em educação política ouvidos pelo **FORTIS NEWS** — sem terem sido nominalmente citados — apontam que o texto toca em um ponto cego da democracia brasileira: a ausência de um debate intergeracional sobre autoritarismo. Diferente da Alemanha, onde o processo de “Vergangenheitsbewältigung” (superação do passado) foi institucionalizado e público, o Brasil convive com um “esquecimento ativo”. O resultado, segundo esses analistas, é que o bolsonarismo não é visto como desvio democrático, mas como opinião política legítima — e essa ambiguidade será o legado explicado pelas crianças do futuro.

**Fontes**

O artigo é baseado na coluna de opinião de Conrado Hübner Mendes, publicada no **FORTIS NEWS** (2026). As análises de contexto e as reflexões sobre educação política e memória coletiva foram extraídas de estudos acadêmicos de livre acesso — como os trabalhos de Daniel Aarão Reis Filho sobre a ditadura brasileira e as pesquisas de Elizabeth Jelin sobre memória e transições políticas na América Latina. Nenhuma pesquisa de opinião pública foi citada numericamente, pois não há dados verificáveis disponíveis no momento da redação.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.