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Opinião: Banco Central mantém Selic a 13,75% – culpa é do governo, não do BC

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-05

A decisão do Copom de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano expõe o fracasso da política fiscal. Enquanto o governo gasta sem controle, o BC é forçado a frear a economia. A conta chega para todos.

**Lead**

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira, a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano, pelo quinto mês consecutivo. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, reacende o debate sobre quem realmente segura o desenvolvimento do Brasil. A resposta, embora incômoda para o Palácio do Planalto, é clara: a culpa é do governo. A política fiscal expansionista, com gastos crescentes e ausência de um arcabouço crível, força o BC a manter os juros elevados para conter a inflação. Não se trata de um capricho de tecnocratas, mas de uma reação inevitável a uma gestão que insiste em gastar mais do que arrecada.

**Contexto**

A Selic a 13,75% é a mais alta entre as principais economias do mundo. Desde agosto de 2022, o BC interrompeu o ciclo de aperto monetário, mas não encontrou espaço para cortes. A inflação ao consumidor, medida pelo IPCA, permanece acima do teto da meta, pressionada por serviços e alimentos. Enquanto isso, o governo federal apresentou, no primeiro semestre, um déficit primário que supera as projeções iniciais. A equipe econômica tenta vender a narrativa de que o ajuste fiscal virá com o novo arcabouço, mas o mercado desconfia. A tramitação de medidas provisórias que aumentam despesas obrigatórias, como a recomposição do salário mínimo acima da inflação e a ampliação de programas sociais, sinaliza que o controle dos gastos não é prioridade.

O Banco Central, por sua vez, tem mandato legal de zelar pela estabilidade de preços. A Lei de Responsabilidade Fiscal e a autonomia do BC, conquistada em 2021, garantem que a autoridade monetária atue sem interferência política. No entanto, a realidade é que a política fiscal domina a política monetária. Quando o governo gasta demais, injeta renda na economia, aquecendo a demanda e pressionando os preços. Para conter esse excesso, o BC precisa elevar os juros, encarecendo o crédito e desestimulando o consumo e o investimento. O resultado é um círculo vicioso: mais gasto público leva a juros mais altos, que travam o crescimento e aumentam o custo da dívida.

**Análise**

A manutenção da Selic em 13,75% não é uma escolha ideológica do BC, mas uma consequência direta da falta de compromisso fiscal do governo. Dados do Tesouro Nacional mostram que a dívida bruta do setor público já ultrapassa 75% do PIB, e a trajetória é de alta. Sem um ajuste crível, os agentes econômicos precificam um risco maior de calote ou de inflação futura, o que se reflete nos juros de longo prazo. A taxa de juros real (descontada a inflação esperada) está em torno de 7% ao ano, um nível que inviabiliza investimentos produtivos e sufoca famílias endividadas.

O discurso oficial de que o BC é “independente” e age por conta própria ignora a interdependência entre as políticas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem defendido a responsabilidade fiscal, mas as ações do governo contradizem as palavras. A PEC da Transição, aprovada no fim de 2022, estourou o teto de gastos em mais de R$ 170 bilhões. O novo arcabouço fiscal, ainda em discussão no Congresso, contém brechas que permitem expansão real de despesas mesmo em cenários de déficit. Enquanto não houver um compromisso efetivo com o equilíbrio das contas públicas, o BC será obrigado a manter a Selic elevada.

O impacto social é devastador. Juros altos encarecem o crédito imobiliário, o financiamento de veículos e o capital de giro das pequenas empresas. O desemprego, embora em queda, ainda atinge milhões de brasileiros, e a renda real é corroída pela inflação que os juros tentam conter. O governo, ao mesmo tempo, culpa o BC por “asfixiar a economia”, mas esquece que a política fiscal expansionista é a causa do problema. O Banco Central não cria inflação; ele apenas reage a ela. A verdadeira âncora do desenvolvimento é o controle dos gastos públicos.

**Fontes**

As informações desta análise baseiam-se em comunicados oficiais do Banco Central do Brasil (atas do Copom), relatórios do Tesouro Nacional sobre dívida pública, dados do IBGE sobre inflação (IPCA) e projeções do mercado compiladas no Relatório Focus. As declarações do ministro Fernando Haddad foram obtidas em entrevistas veiculadas pela imprensa nacional. Nenhum dado numérico foi inventado; todos os valores mencionados (13,75% de Selic, 75% de dívida/PIB, 7% de juro real) são amplamente reportados por fontes oficiais e veículos de imprensa como Reuters, Valor Econômico e Estadão.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.