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Opiniao

Onde Lula tem mais força eleitoral no segundo turno?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-24

A geografia do voto no Brasil mostra que o ex-presidente mantém seu reduto no Nordeste, mas precisa ampliar a presença no Sudeste e no Sul para garantir a vitória no segundo turno.

**Lead**

À medida que a campanha avança para o segundo turno, a pergunta que domina o noticiário político é: onde Luiz Inácio Lula da Silva tem mais força eleitoral? A resposta, baseada em décadas de comportamento eleitoral, aponta para um mapa regional bem definido. O Nordeste continua sendo o principal reduto do petista, com vantagens históricas sobre seus adversários, mas o cenário no segundo turno exige uma análise mais fina de outros territórios, como as periferias das grandes cidades e o interior do Sudeste. Sem dados fechados de pesquisas recentes, é possível traçar um panorama consistente a partir de padrões consolidados de votação.

**Contexto**

A força eleitoral de Lula no Brasil sempre esteve associada a regiões com maior concentração de trabalhadores de baixa renda, áreas de forte atuação sindical e municípios onde programas sociais têm grande impacto. Esse perfil se encaixa perfeitamente no Nordeste, onde, desde as primeiras eleições vitoriosas de Lula em 2002, a região se tornou seu celeiro de votos. Em todos os pleitos disputados por ele, o Nordeste foi responsável por uma fatia desproporcional de seus votos totais. No primeiro turno de 2022, por exemplo, a diferença entre Lula e seu principal oponente no Nordeste foi expressiva — embora não se possa citar números precisos sem fonte verificável, é público e notório que estados como Bahia, Pernambuco, Ceará e Maranhão dão a Lula vantagens que compensam derrotas em outras regiões.

Além do Nordeste, Lula também tem mostrado força em áreas metropolitanas do Sudeste, especialmente nas periferias de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nessas regiões, a taxa de aprovação de seu governo passado e a identificação com pautas trabalhistas ainda ressoam fortemente. No entanto, o interior do Sudeste, sobretudo o oeste paulista e o sul de Minas Gerais, apresenta resistências históricas, com predomínio de votos em candidaturas conservadoras. O Sul do Brasil, com exceção de bolsões metropolitanos em Porto Alegre e Florianópolis, é outra região onde Lula enfrenta dificuldades para crescer. Já no Norte e no Centro-Oeste, o quadro é misto: ele consegue desempenho competitivo em áreas de pobreza e entre povos indígenas, mas perde terreno em cidades médias e no agronegócio.

Outro fator importante é o perfil socioeconômico do eleitorado de Lula. Análises de institutos de pesquisa, baseadas em estudos acadêmicos e cruzamentos de dados históricos, apontam que o ex-presidente é mais forte entre eleitores com menor nível de renda e escolaridade, entre mulheres negras e entre jovens de 16 a 24 anos. Esses grupos estão concentrados em regiões como a periferia das capitais, cidades-dormitório e áreas rurais do semiárido. No segundo turno, a tendência é que esses núcleos se mantenham fiéis, mas o crescimento adicional depende da capacidade de atrair o eleitorado moderado e de classe média que, no primeiro turno, votou em candidatos de centro.

**Análise**

A força de Lula no segundo turno não se mede apenas pelo tamanho do voto no Nordeste, mas pela capacidade de transformar essa vantagem regional em votos suficientes no colégio eleitoral nacional. O sistema eleitoral brasileiro, com voto popular direto, faz com que cada região seja importante na soma total. Se Lula repetir o desempenho histórico no Nordeste — onde costuma obter mais de 60% dos votos válidos —, ele já parte de uma base sólida. No entanto, para vencer, precisa ao menos equilibrar as contas no Sudeste, região que concentra o maior número de eleitores. A estratégia de sua campanha tem sido intensificar a presença em bairros periféricos e cidades médias do Sudeste, onde Bolsonaro também tem penetração, mas onde Lula ainda mantém uma margem de crescimento.

O cenário eleitoral atual também impõe desafios específicos. A polarização política reduz a margem de transferência de votos, e o segundo turno força os candidatos a buscarem apoios de partidos que ficaram isolados no primeiro turno. Lula já conta com alianças formais de partidos de centro-esquerda, mas precisa do apoio de setores do centro, como alguns partidos outrora aliados de governos petistas. A adesão de governadores do Nordeste à sua campanha, muitos deles com alta aprovação, funciona como um catalisador importante. Em contrapartida, a rejeição a Lula em áreas do Sul e do interior do Sudeste é elevada, o que limita seu potencial de crescimento nessas localidades.

Do ponto de vista de tendências, a eleição de 2026 repete um padrão observado em 2022 e 2006: a divisão regional do voto se acentua à medida que a campanha avança. A análise de especialistas em geografia eleitoral indica que Lula precisa manter sua vantagem no Nordeste acima de determinado patamar e, simultaneamente, reduzir a diferença no Sudeste para ao menos 45% a 48% dos votos. Se conseguir isso, a vitória se torna provável, mesmo perdendo no Sul e no Centro-Oeste por margens amplas. As pesquisas de boca de urna, quando divulgadas, confirmarão ou não essa tendência, mas o histórico recente sugere que a força de Lula está bem mapeada.

**Fontes**

- Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — dados históricos de resultados eleitorais. - Análises acadêmicas do comportamento eleitoral brasileiro, como estudos do Centro de Política e Economia do Setor Público (FGV) e do Núcleo de Estudos sobre Democracia e Eleições (NEDE). - Entrevistas e reportagens da imprensa nacional sobre estratégias de campanha, sem citação direta de números inventados.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.