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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), promoveu na manhã desta quinta-feira (8) um almoço com prefeitos da Região Metropolitana de São Paulo e o deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O encontro, realizado em um restaurante na zona sul da capital paulista, teve como pauta principal a articulação de uma agenda comum de desenvolvimento regional e o fortalecimento da base política de Nunes para uma eventual candidatura ao governo do estado ou ao Senado em 2026. A presença de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, reforça a estratégia do prefeito de ampliar seu arco de alianças para além do centrão, mirando o eleitorado conservador.
**Contexto**
O almoço reuniu prefeitos de cidades como Osasco, Guarulhos, Santo André, São Bernardo do Campo, Barueri, Cotia, Embu das Artes e Taboão da Serra. Embora a lista exata de participantes não tenha sido divulgada oficialmente, assessores confirmaram a presença de ao menos uma dezena de chefes do Executivo municipal. A Região Metropolitana de São Paulo concentra cerca de 21 milhões de habitantes e representa o maior colégio eleitoral do país, o que torna qualquer articulação nesse território estratégica para projetos políticos de alcance nacional.
Ricardo Nunes assumiu a prefeitura em 2021 após a morte de Bruno Covas e foi reeleito em 2024 com ampla margem. Desde o início do segundo mandato, ele tem buscado consolidar uma imagem de gestor pragmático, com entregas em áreas como mobilidade urbana, habitação e saúde. Nos bastidores, Nunes é cotado para disputar o governo paulista em 2026, mas também não descarta uma candidatura ao Senado, dependendo das alianças que conseguir costurar.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, é uma das principais lideranças do PL no Rio de Janeiro e tem atuado como articulador nacional do partido. Sua presença no almoço sinaliza que o PL pode apoiar Nunes em uma eventual candidatura majoritária, em troca de espaço na chapa e alinhamento programático. Nos últimos meses, o deputado tem se reunido com prefeitos de diversas regiões para fortalecer a base do partido de olho nas eleições de 2026.
**Análise**
O encontro ocorre em um momento de reconfiguração do tabuleiro político paulista. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) é o principal nome da direita para a sucessão presidencial, mas sua eventual candidatura ao Planalto em 2026 abriria o Palácio dos Bandeirantes. Nunes surge como um dos nomes naturais para sucedê-lo, mas enfrenta concorrência interna do próprio campo conservador, que também cogita nomes como o do vice-governador Felício Ramuth (PSD) e do ex-ministro Gilberto Kassab (PSD).
A aproximação com Flávio Bolsonaro pode ser lida como uma tentativa de Nunes de garantir o apoio do PL — maior partido do país em número de filiados e com forte presença no interior paulista — sem depender exclusivamente do centrão. Ao mesmo tempo, o prefeito precisa equilibrar essa aliança com a base de centro-esquerda que o apoiou na reeleição, especialmente o PSD e o MDB. A presença de prefeitos de diferentes partidos no almoço indica que a estratégia de Nunes é construir uma frente ampla, capaz de atrair tanto o eleitorado conservador quanto o moderado.
Do ponto de vista da tecnologia política, o evento também revela o uso de ferramentas digitais para mobilização e comunicação. Assessores confirmaram que a articulação do almoço foi feita por meio de grupos de WhatsApp e aplicativos de mensagens criptografadas, com convites enviados individualmente para evitar vazamentos. A logística do encontro incluiu transmissão ao vivo restrita a aliados, com uso de plataformas de streaming privadas. Essa abordagem reflete uma tendência crescente entre políticos brasileiros de utilizar tecnologia para organizar eventos fechados e controlar o fluxo de informações, minimizando riscos de exposição midiática não planejada.
**Fontes**
As informações foram obtidas por meio de assessorias de imprensa da Prefeitura de São Paulo, do gabinete do deputado federal Flávio Bolsonaro e de prefeituras da Região Metropolitana que confirmaram participação no evento. Dados sobre o eleitorado da Grande São Paulo são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Por Renan Filho · 2026-10-08