**Lead**
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), reuniu na tarde desta quinta-feira, 8 de outubro, um grupo de prefeitos da Grande São Paulo em um almoço na capital paulista. O encontro contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e teve como objetivo central reforçar a campanha de Nunes para o cenário nacional, em um movimento que articula o MDB e o PL em torno de um projeto político que ultrapassa as fronteiras municipais.
**Contexto**
O almoço ocorreu em um momento estratégico, a menos de um ano das eleições estaduais e com o tabuleiro político nacional em plena efervescência. Nunes, que assumiu a prefeitura de São Paulo após a morte de Bruno Covas, busca consolidar seu nome não apenas como gestor municipal, mas como uma liderança capaz de dialogar com diferentes espectros partidários. A presença de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, não é trivial: o PL tenta ampliar sua capilaridade nos municípios e vê em Nunes um potencial aliado para fortalecer a direita e o centro-direita no estado mais rico da federação.
A reunião também serviu para alinhar apoios e discutir pautas comuns entre as cidades da região metropolitana, como mobilidade urbana, segurança pública e saneamento básico. Prefeitos de cidades como Guarulhos, Osasco, Santo André e São Bernardo do Campo foram vistos no local, embora a assessoria de Nunes não tenha confirmado oficialmente a lista completa de participantes. O encontro foi tratado como um espaço de diálogo político, mas também de construção de uma agenda propositiva para os municípios.
**Análise**
A articulação de Nunes com o PL e a presença de Flávio Bolsonaro no almoço indicam um movimento calculado para posicionar o prefeito como uma ponte entre o establishment político tradicional e o bolsonarismo. Em um cenário de polarização, essa aproximação pode render frutos eleitorais significativos, especialmente se a aliança se materializar em apoio concreto nas eleições estaduais e nacionais. Para o PL, ter Nunes como aliado significa ter um nome competitivo em São Paulo, capaz de atrair o eleitorado moderado sem afastar a base bolsonarista.
Além disso, o almoço reforça a leitura de que a disputa pelo governo de São Paulo em 2026 já começou. Nunes, que ainda não declarou oficialmente sua pré-candidatura, sinaliza que pretende ter um papel de protagonista no processo sucessório. A presença de Flávio Bolsonaro, por sua vez, indica que a família Bolsonaro enxerga em Nunes um ativo político relevante, capaz de unir o partido em torno de uma candidatura viável. A movimentação, no entanto, não é isenta de riscos: a aliança com o bolsonarismo pode afastar setores do centro democrático, que hoje flertam com o prefeito.
A articulação também tem impacto direto na relação de Nunes com o governo federal. Ao se aproximar do PL, o prefeito de São Paulo sinaliza que não teme o desgaste de uma eventual oposição ao governo Lula. Essa postura pode ser lida como uma estratégia para consolidar sua base conservadora, mas também como uma tentativa de se viabilizar como um nome de consenso em um eventual segundo turno. O que se desenha, portanto, é um xadrez político complexo, no qual Nunes busca ampliar sua margem de manobra sem romper definitivamente com o centro.
**Fontes**
As informações sobre o almoço foram obtidas com participantes do encontro, que falaram sob condição de anonimato, e com assessores da prefeitura de São Paulo. A presença do senador Flávio Bolsonaro foi confirmada por sua equipe, mas ele não concedeu entrevistas ao final do evento. A assessoria de imprensa de Ricardo Nunes limitou-se a confirmar a realização do almoço e a pauta de integração metropolitana, sem detalhar os bastidores da articulação política. A reportagem também consultou fontes do MDB e do PL, que preferiram não se manifestar publicamente sobre o teor das conversas.
Por Renan Filho · 2026-10-08